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ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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>>O legado de Sarney
>>Qualidade e diploma

Por Luciano Martins Costa em 29/06/2009 | comentários

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O legado de Sarney

A imprensa brasileira não poupou o presidente do Senado, José Sarney, no final de semana, e os jornais desta segunda-feira noticiam que devem sem encaminhadas ainda nesta semana ao Conselho de Ética duas representações contra ele, por quebra do decoro parlamentar.

Mas a leitura dos textos que se acumulam desde sábado sobre o assunto não permite afirmar que esteja em curso um processo de cassação.

Na verdade, não apenas Sarney e seus apoiadores como seus adversários do momento estão correndo contra o tempo para buscar uma saída honrosa para ambos os lados.

A possibilidade de tudo terminar em pizza vai depender muito de como a imprensa conduzir o tema daqui para a frente.

A lista de irregularidades que mancha a presidência do Senado não se restringe aos mandatos de José Sarney, mas o velho coronel da política clientelista demonstra uma surpreendente capacidade de produzir atos escandalosos.

Surpreendente até para os padrões da política brasileira.

Representantes de três gerações de sua família aparecem seguidamente no noticiário, como beneficiários de mamatas e privilégios financiados pelo dinheiro público.

É como se o simples fato de alguém vir ao mundo com o sobrenome inventado pelo político José Ribamar, ou se tornar um agregado do clã, lhe desse o direito de ser sustentado e enriquecer à custa do Estado.

A revista Época foi ouvir o presidente do Senado afirmar que não vai renunciar. No máximo, ele aceita afastar seus auxiliares acusados de esconder atos administrativos.

Veja faz uma lista dos truques usados para aumentar os vencimentos dos apadrinhados, alinha os abusos cometidos pela família Sarney no Senado e entrevista um funcionário concursado que tem vergonha do seu emprego.

IstoÉ espalha que gente da oposição a Sarney se beneficiou de empréstimos concedidos pelo ex-diretor geral Agaciel Maia, fato que é amplificado nesta segunda-feira pela Folha de S.Paulo.

E a Carta Capital, que já produziu uma série de reportagens sobre a miséria no Maranhão de Sarney, segue revelando qual será o legado do presidente do Senado quando ele deixar a política.

Depois que tudo isso terminar, quando estiver recolhido ao seu sítio de São José do Pericumã, o velho senador, que tanto aprecia a literatura, poderia inspirar-se no livro do falecido jornalista Anthony Mascarenhas, autor de “Legado de Sangue” e produzir a obra definitiva sobre sua trajetória política.

Sugestnao de título: “Legado de lama”.

Qualidade e diploma

Alberto Dines:

– Jornais e revistas continuaram fixados durante o fim de semana no papel desempenhado pela mídia digital na convocação dos protestos populares contra a reeleição de Mahmud Ahmadinejad em Teerã.

A insistência em designar a inédita mobilização contra os aiatolás como “jornalismo participativo” ou “jornalismo-cidadão” soa exagerada. Há nestas designações uma velada insinuação de que o jornalismo do futuro prescindirá de jornalistas e que, portanto, a extinção da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo decidida pelo STF foi acertada e premonitória.

O povo de Teerã está sendo convocado para divulgar os protestos através dos seus celulares e laptops e, quando acontecem, registrar a violenta repressão. A imprensa está censurada, rádios e TVs são estatais, a comunicação faz-se através dos recursos disponíveis – poderiam ser volantes distribuídos manualmente, por telefone convencional ou no grito.

Uma coisa é convocar a sociedade e divulgar palavras de ordem – neste ponto a mídia digital é imbatível – outra coisa é reportar, narrar acontecimentos, fornecer os dados complementares, dar sentido às diferentes ocorrências e, sobretudo, checar as informações. Isto só pode ser feito por profissionais da informação, devidamente motivados e treinados não apenas para atender às premências do tempo como também aos princípios éticos que regem uma atividade crucial.

Mais uma vez confunde-se a ferramenta com o ofício. Os novos recursos tecnológicos isoladamente não constituem uma nova atividade, devem servir ao velho jornalismo, que além de profissão é também missão, serviço público.

E missões precisam ser devidamente explicadas, sistematizadas e reguladas para evitar abusos e distorções. Com um celular na mão é possível flagrar um episódio. Para que este episódio seja somado a outros e faça algum sentido é preciso muito mais. O diploma não garante a qualidade da informação obtida pelo jornalista, mas ajuda-o a aferrar-se a ela.

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