Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 428

Mauro Malin

>>O nome é corrupção
>>Bravatas

Por Mauro Malin em 03/01/2007 | comentários

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Férias e trabalho


Elio Gaspari finamente põe a nu, hoje, a retórica reformista do presidente Lula e pede apenas que o homem trabalhe… depois das férias. No jornal Valor, Luiz Sérgio Guimarães diz que o mercado financeiro não deu muita bola à ausência de promessa de novas reformas, como a trabalhista e a previdenciária, mas recebeu com satisfação a notícia de que o presidente vai tirar férias. Brincadeira. Segundo Guimarães, isso sinaliza que Lula não pretende mexer nos pilares da economia.


O nome é corrupção


Alberto Dines diz que a grande questão em jogo no Rio chama-se corrupção.


Dines:


– Embora o ovo de Colombo tenha sido inventado muito longe do Brasil, temos uma grande propensão para produzir similares. O mais recente ovo de Colombo saiu num improviso do presidente da República no dia da sua posse. A mídia está excitada, mas classificar como terrorismo a ação do crime organizado pode ser uma ousadia, mas não resolve o problema da violência urbana. É preciso não esquecer que o programa “Fome Zero” também surgiu num discurso de posse, exatamente há quatro anos, levou um tempão para ser implantado e até hoje se discute sua eficácia como solução definitiva para a exclusão social. Nossa imprensa é muito novidadeira, adora um agito. O governo adora os palanques e nossos lideres políticos adoram varinhas mágicas. Sobretudo quando existem muitos impasses no horizonte. É bom não esquecer que os ataques no Rio foram uma reação das facções criminosas contra as milícias integradas por policiais e ex-policiais que tomaram conta das favelas. O nome deste problema é corrupção, não é terrorismo. O debate sobre terrorismo pode ser extremamente positivo desde que não dure apenas um verão.


Bravatas


O ex-secretário de Direitos Humanos do Rio de Janeiro Jorge da Silva considera bravatas as declarações do presidente da República e do governador Sérgio Cabral. A perda de controle da segurança pública é antiga no Rio, em São Paulo e no Espírito Santo: “Esse assunto não se resolve com bravatas e não se resolve apenas com a força. Não foi usada já toda a força disponível? No Rio de Janeiro já se teve o Exército na rua durante quase seis meses, em 1994, e ficou tudo como antes”.


O novo secretário de Segurança de São Paulo, Ronaldo Marzagão, prometeu “combate implacável” ao crime organizado e à criminalidade comum. Mas defendeu a preservação dos direitos humanos. Já é alguma coisa.


A novidade efetiva será, se ocorrer, a colaboração das forças policiais dos estados do Sudeste. Ela foi prometida em 2003 e foi barrada pela resistências das polícias estaduais. O nome disso é política. No Rio, Cabral promete acabar com nomeações políticas para delegacias policiais. Seria um avanço.


Mais entrevistas


O editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto, pede que o presidente Lula cumpra a promessa de dar mais entrevistas coletivas.


Egypto:


– A chegada do ano novo renova as esperanças de um futuro melhor; o início de um novo mandato presidencial, também. O presidente Lula tomou posse anteontem reafirmando seus compromissos de campanha e prometendo uma gestão marcada pela preocupação em “acelerar, crescer e incluir”.


Embora os planos para o enfrentamento desses desafios ainda não estejam muito claros, ou no compasso de espera pela definição da real efetividade da nova base de apoio parlamentar, uma esperança paralela mantém-se acesa: a sociedade seria muito grata se o presidente reeleito adotasse de uma vez por todas o saudável hábito das entrevistas coletivas, e periódicas, nas quais pudesse expor suas idéias num diálogo franco com os meios de comunicação.


Computador não trabalha sozinho


Em sua posse, anteontem, o presidente Lula prometeu valorizar a educação de qualidade. E mencionou o plano de colocar computadores em todas as escolas do país. Talvez ele não saiba, mas milhares de computadores estão trancados em escolas do país sem que haja quem ajude professores e alunos a usá-los. Algum dia a imprensa ainda vai descobrir essa realidade.


Prefeito atrapalhado


A causa da despoluição visual da cidade é nobre, e uma das cartadas políticas importantes do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, mas começou com trapalhadas, assinaladas hoje pelo Estadão.

Todos os comentários

  1. Comentou em 04/01/2007 Jorge Washington Astigarraga

    No artigo do nobre articulista,faltaram alusões ao discurso de posse do governador eleito de São Paulo,sr.José Serra que ,entre outras palavras,disse que vai rever todos os contratos assinados na gestão do seu antecessor,recadastrar funcionários públicos(existem fantasmas recebendo salários),rever a política de segurança (é inadequada),o que me leva a crer,que em doze anos de administração feita pelo partido do atual governador,os seus antecessores eram no mínimo inéptos.Como o senhor diz,um dia a imprensa ainda vai descobrir esta realidade.

  2. Comentou em 03/01/2007 Marco Costa Costa

    O vírus da corrupção contaminou (com raras exceções) todas as atividades. Portanto, trata-se de um vírus incurável.

  3. Comentou em 03/01/2007 Dante Caleffi

    Elio Gaspari propõe, turno da oito às cinco,como produtividade presidencial.Incluindo aí, uma hora para almoço, cinco minutos para ir ao banheiro,horas extras,sempre que convocado,descanso semana aos domingos.Férias, a gente vê isso depois. Como bonificação ,um pelourinho.
    Contasse ele sua intimidade ,testemunha da abnegação ao trabalho de Golberi,coronel a quem dedicou os melhores anos da ditadura,ficaria tudo mais claro.É difícil aceitar,concordo,olhar-se para si,para aquele diploma na gaveta ou parede,os títulos enfileirados tal qual um acrônimo de saber,desanimadamente,ressentidamente e reconhecer a superioridade metalúrgica.A vaidade constrói armadilhas,todo o tempo.
    Observem o presidente do TSE,um rui-barbosa-em-compotas,não perde oportunidade de se manifestar com críticas ao presidente e seus atos.Encabeça uma interminável fileira de ressentidos inconformados.
    O país começa em março.O dito popular,tem base nas práticas oficiais.
    Recessos parlamentares,do judiciário,carnaval, e aí sim,vamos enfim começar o ano!

  4. Comentou em 03/01/2007 Ana Rodrigues e Rodrigues

    O exército esteve no Rio exclusivamente para procurar uma meia dúzia de suas armas que sumiram de um quartel. Nada mais que isso. Qualquer ajuda federal foi sistematicamente recusada pela governadora Rosinha Garotinho.
    Quem prestou atenção ao discurso de posse do presidente ouviu-o falar em alto e bom som que as verbas do fundeb serão usadas na melhoria do quadro de professores e seus salários, além de outras necessidades.
    o Estadão vai sempre criticar qualquer medida que atrapalhe os ganhos do capital. O cidadão que se lixe, o que interessa é facilitar a vida de quem ganha dinheiro. Para isso vale até o discurso batido da ‘demissãoem massa’, ‘perda de postos de trabalho’ (semi-escravo diga-se de passagem). Me angana que eu gosto!

  5. Comentou em 03/01/2007 Ivan Moraes

    ‘O nome deste problema é corrupção, não é terrorismo. O debate sobre terrorismo pode ser extremamente positivo desde que não dure apenas um verão.’: Finalmente alguem entende! A estrutura narrativa da futura derrubada de Lula que a zelite ta tentando empurrar goela abaixo do brasileiro vai assim: 1-o presidente ta errado, 2-o presidente ta errado, 3-o presidente ta errado, 4-ele tem que cair! Simples assim. Tudo se move em direcao aa conservacao da estrutura pra se derrubar o (altamente descartavel) cume. Se nao aconteceu com FHC foi porque ele tem sotaque frances. Eh facinho facinho acusar traficantes de ‘terroristas’ porque Eles Sao Todos Favelados E Pretos. A estrutura preservada eh a dos clientes de traficantes, e –surpresa– eles sao elite… a mesma elite que prohibe drugas porque os EUA disse que sim, nao porque qualquer estudo cientifico ou sociologico ou economico o admita como solucao. Assim, por exemplo, o brasileiro termina acreditando que policia em Nova York corre atraz de maconheiro! Mas nao, jamais correria atraz do dinheiro! (e quanto aa duracao, vai durar quantos veroes o EUA precisarem –nao eh uma ironia, eh uma lagrima)

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