Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 1445

>>O olhar verde da imprensa

Por Luciano Martins Costa em 20/12/2010 | comentários

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O olhar verde da imprensa
 
Nesta segunda-feira, o Observatório da Imprensa no Rádio conversa com Gladis Eboli, a nova diretora de comunicação e marketing da organização World Vision – Visão Mundial.
 
Luciano Martins-Costa: – Gladys, quais são os planos para a entidade no Brasil a partir da sua posse?
 
Gladis Eboli: A Visão Mundial é uma organização que trabalha com erradicação da pobreza, com foco em criança. Então a gente identifica as comunidades que têm muita necessidade, poucos recursos e não tem ajuda governamental; nós entramos nessa comunidade, identificamos o potencial deles, a vocação, e a gente ajuda a transformar a vida daquela comunidade. Como? Ensinando algum ofício – que seja pertinente para eles –; temos uma organização de microcrédito, então a gente financia os projetos; e temos uma outra de comércio justo e solidário, então a gente fecha o pacote de mudar a realidade daquela comunidade. E como a gente consegue mudar? A gente investe em criança, que na verdade é nosso foco principal; dando atividades para as crianças e visando o bem-estar delas de uma forma holística.
 
LMC: – A organização Visão Mundial está há muito tempo no Brasil, mas não é conhecida. Quais são os desafios desse novo momento da entidade aqui no país?
 
GB: – A organização está no Brasil há 35 anos, mas ela sempre foi muito low profile. Porque nós tínhamos um financiamento internacional. A organização se iniciou nos Estados Unidos, está presente em mais de cem países, e vinha financiamento quando o Brasil era um país muito carente. Hoje a nossa realidade mudou. O Brasil está conseguindo sair dessa linha de pobreza extrema, e o dinheiro internacional está indo embora, então nosso maior desafio é financiar os projetos, porque os problema ainda existem. Porque mesmo que você não tenha a pobreza extrema, você ainda tem muita desigualdade, ainda tem muita região que precisa. E para você fazer um trabalho eficiente de captação de recursos, para financiar os projetos, é preciso fazer a organização conhecida. Então a política de low profile vai ter que mudar agora e temos que mostrar o trabalho.
 
LMC: – Gladis, se vocês precisam se expor mais diante da sociedade, vocês vão necessitar de mais contato com a imprensa. Como é que vocês enxergam e como é que você pessoalmente exerga a abordagem da imprensa brasileira com relação a temas da sustentabilidade?
 
GB: – Acho que a mídia está aprendendo a trabalhar o tema da sustentabilidade, porque hoje o termo sustentabilidade está muito banalizado, qualquer um usa, qualquer empresa usa, e é sempre com o foco ambiental. Ninguém enxerga a sustentabilidade como um processo de mudar a sua gestão e tornar sua gestão ética, responsável. Esquece que você tem que olhar para o lado social, o lado de gênero, de raça, além de meio ambiente. E quando a mídia faz algum tipo de projeto, eles, em geral, estão focando em meio ambiente, com raras exceções. Então eu acho que as empresas de mídia não estão querendo aprender, na verdade, o que é sustentabilidade. Eles estão falando mais por modismo do que por entender a necessidade do planeta, mudar sua relação com o consumo, mudar sua relação com as desigualdades.

LMC: – O que falta para a imprensa brasileira abordar a questão de um modo mais complexo, mais sistêmico?
 
GB: – Acho que primeiro aprender. E eu acho que a nossa arrogância, como jornalistas, de não querer aprender, de achar que a gente sabe tudo… [risos]. A minha arrogância e de alguns jornalistas, de achar que sabe tudo. Tem de participar mais das discussões profundas, que alguns grupos estão organizando; de realmente se empenhar em aprender o que é a sustentabilidade, e começar a mudança dentro de casa. As empresas de mídia não são sustentáveis.
 
LMC: – Qual o caminho para a imprensa brasileira aprender a lidar com esse tema?
 
GB: – Acho que a imprensa brasileira tem dificuldades para lidar com esse tema, mas ela tem o apoio agora de algumas organizações como o Instituto Ethos, que promove a discussão de uma forma profunda, que tem um Prêmio de Jornalismo e incentiva essa discussão. Acho que a gente tem um panorama mais positivo começarem a querer entender e melhorar. Mas até aí você mudar um hábito, mudar uma cultura, leva tempo.

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