Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Programa nº 111

Mauro Malin

>>O papel da opinião
>>Ministra desaparecida

Por Mauro Malin em 06/10/2005 | comentários

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O papel da opinião


Opinião pública e imprensa impediram até aqui as soluções de conchavo nas comissões parlamentares, na Corregedoria e no Conselho de Ética da Câmara. Sintomático disso é que o relator Júlio Delgado tenha decidido pedir a cassação do deputado José Dirceu, e Dirceu tenha recorrido ao Supremo Tribunal Federal para tentar salvar o mandato.


A imprensa e o rio


Arma-se um cenário de entendimento às margens do São Francisco. Não se trata de desistir do projeto de transposição, mas de melhorá-lo. Ou alguém imagina que haja algum projeto perfeito? Mídia e governo não se preocuparam em debater direito o assunto. A imprensa, para variar, trabalhou de forma inteiramente reativa. Hoje o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, publica na Folha de S. Paulo carta em que relembra reunião feita com editores do jornal, em fevereiro, para apresentar o projeto. E o que se fez depois com as informações do ministro?


Lula e o bispo


O bispo Dom Luiz Cappio, escreve nesta quinta-feira, 6 de outubro, uma leitora da Folha, não tem direito de dizer que a responsabilidade por sua vida é do presidente Lula. Ela tem razão.



Ministra desaparecida


O Alberto Dines evoca uma personagem desaparecida no momento em que finalmente se discute um assunto com fortes implicações ecológicas.


Dines:


– Mauro, como é o nome da ministra do Meio Ambiente e por que até hoje o seu nome não apareceu no noticiário sobre a greve de fome do bispo D. Luís Flavio Cappio? Por que não participou da reunião com o presidente na terça-feira? A questão da transposição das águas do S. Francisco não é só política, é antes de tudo ambiental e está evidente que a ministra Marina Silva não é uma entusiasta do projeto, talvez pelas mesmas razões que levaram o sacerdote franciscano à greve de fome. Então por que nenhum jornalista procurou a ministra? Procurou, claro, mas a ministra evidentemente não quis manifestar-se contra um governo que não lhe dá a menor bola. Neste caso a imprensa deveria registrar que a ministra Marina Silva se recusa a opinar. O cidadão-leitor precisa saber que há discordâncias no seio do próprio governo.


Este é um caso clássico em que a não-notícia seria uma grande notícia. É um caso clássico também de uma imprensa que não sabe antecipar-se, vive pendurada no reboque do bonde. Se algum jornal ou jornalista tivesse tomado a iniciativa há 15 dias atrás de procurar a ministra para pronunciar-se ou, então, assumir a sua omissão, a greve de fome do bispo certamente não teria começado.


Chávez e suas circunstâncias


Nem tudo é má vontade com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na imprensa… americana. Ontem o jornal texano Houston Chronicle publicou reportagem onde seu enviado a Caracas mostra que boa parte do prestígio de Chávez se deve a programas sociais criados pelo governo venezuelano. O principal deles, de saúde, com a participação de médicos enviados de Cuba por Fidel Castro a pedido do presidente venezuelano quando percebeu em pesquisas de intenção de voto que caminhava para perder o mandato num referendo de agosto do ano passado.


A reportagem dá uma informação que muito raramente é mostrada como pano de fundo do processo venezuelano: entre 1970 e 1998, ano em que Chávez foi eleito pela primeira vez, a Venezuela registrou um dos mais severos declínios econômicos do mundo. A pobreza, que afetava um terço da população, passou a afetar metade. É preciso acrescentar que os graus de corrupção não tinham paralelo fora da África.


Críticos dos programas sociais se perguntam se haverá condições de sustentá-los após as eleições de 2006, em que Chávez disputará novo mandato.



Mídia voadora


A situação da Varig continua muito complicada. Desde o início de maio, quando foi eleito um novo presidente do Conselho de Administração, David Zylbersztajn, sucedem-se notícias esperançosas sobre os planos e possibilidades de recuperação da empresa. A imprensa ainda não conseguiu, ou não quis, apresentar uma descrição realista dos problemas da Varig.



Vícios do opinionismo


A economista Eliana Cardoso faz hoje no Valor um brilhante resumo dos pecados de opinionistas. Diz que comentaristas, colunistas, cronistas, críticos e autores de artigos de opinião devem evitar os seguintes erros: “Orgulho. Inveja. Preconceito. Vagareza em apreciar o mérito onde devido. Rapidez em aplaudir sem esforço. Preguiça de verificar estatísticas e de avaliar o próprio julgamento com colegas. Vaidade que usa mil formas do Eu não disse?. Satisfação no entendimento rápido e rasteiro. Pose de dono da verdade ao divulgar o fato pela metade, retratando apenas parte de um todo mais complexo”.


Agricultura ameaçada


O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, fez um sério desabafo anteontem em Zurique e hoje nega que pretenda se demitir. No Estado de S. Paulo, Rolf Kuntz diz que o governo Lula em momento nenhum entendeu a questão agrícola, nem formulou uma política para o setor.


A mídia levou anos para descobrir o que estava acontecendo de novo e positivo no campo e hoje não consegue enxergar os problemas que ameaçam um patrimônio acumulado em décadas.

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