Segunda-feira, 25 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Programa nº 735

>>O partido do crime escolhe seus candidatos
>>Jornalistas que fazem

Por Luciano Martins Costa em 12/03/2008 | comentários

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O partido do crime escolhe seus candidatos

Os jornais de hoje destacam a prisão de 14 políticos e empresários, na cidade de Campos, Estado do Rio.

O atual prefeito foi afastado do cargo por 180 dias, a pedido do Ministério Público Federal, e teve os bens sequestrados, junto com vinte outras pessoas.

A notícia, destacada em primeira página do Globo e do Estado de S.Paulo, é parte de uma pauta que se desenrola neste momento diante da imprensa, sem que os jornalistas se dêem conta de sua importância.


A quadrilha desmanchada em Campos é acusada de haver desviado 240 milhões de reais dos cofres da Prefeitura, através de fraudes em licitações para a contratação de trabalhadores terceirizados e na promoção de shows.

Parte dos contratos era paga com verba desviada do Programa Saúde da Família, criado pelo Ministério da Saúde e administrado pelos municípios, mas também havia dinheiro retirado dos royalties que o município de Campos recebe por causa da extração de petróleo em seu território.


O noticiário dos jornais é bastante detalhado, reproduzindo relatórios da Polícia Federal e do Ministério Público.

O que a imprensa está frangando é o fato evidente de que não se trata de um caso isolado.

Desde 2004, nada menos do que 14 prefeitos do Estado do Rio foram afastados por crimes variados. É um número muito elevado para não levantar suspeitas de um sistema organizado.

Além disso, fraudes semelhantes se repetem em praticamente todos os Estados brasileiros, em um número assombroso de municípios, o que indica a ação de uma quadrilha com ramificações nacionais.


A pauta que a imprensa ainda não viu é a evidência de que, neste exato momento em que se definem os candidatos a prefeito por todo o País, a quadrilha deve estar se movimentando para emplacar seus aliados.

Trata-se de um verdadeiro Partido Nacional do Crime

O dinheiro da campanha já sabemos de onde vem.

O que não sabemos é o que faz a Justiça Eleitoral para impedir certas candidaturas.

Talvez os jornais devessem estar fazendo essa pergunta agora, antes das eleições.

Os leitores certamente gostariam de ser informados dos antecedentes criminais de candidatos e seus parceiros de negócios.

A imprensa poderia aproveitar o ensejo para explicar como funciona e para que serve a Justiça Eleitoral.


Jornalistas que fazem

No Brasil, o movimento mais recente no mundo dos negócios de comunicação foi a criação dos chamados jornais populares, que já têm quase dez anos.

Na Argentina, um jornalista não conformista movimenta o cenário, cria uma alternativa para os leitores, e aponta um caminho para a renovação da imprensa.


Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:

– Com uma tiragem inicial de cem mil exemplares, começou a circular no domingo retrasado (2/3) o diário Crítica de la Argentina, ou simplesmente Crítica www.criticadigital.com, jornal fundado e dirigido por Jorge Lanata, um inquieto repórter e comentarista que já conquistou lugar na história do jornalismo argentino.

Lanata foi um dos fundadores do Página 12, um jornal que nasceu com o espírito contestatório do francês Libération e hoje se transformou no mais oficialista dos jornais argentinos. Criou também a revista Veintiuno e até recentemente foi colaborador do diário Perfil. Em sua nova empreitada à frente de Crítica, fez uma profissão de fé na mídia impressa no editorial de apresentação do novo jornal: ‘As pessoas se informam sobre o que se passa pelos meios eletrônicos, [internet] rádio ou TV, mas entendem o que acontece pelos jornais’. Em sua primeira edição, o jornal se comprometeu a ‘dar a informação que ninguém publica por medo, autocensura ou pressões do poder’. Longa vida à Crítica.

Em Buenos Aires agora são publicados treze jornais diários. Quantos jornais há em sua cidade, caro ouvinte?

Todos os comentários

  1. Comentou em 13/03/2008 Gersier Lima

    O Sr Arnaldo Madeira, Deputado Federal por São Paulo e pelo PSDB, partido que seu lider arrota com arrogância deslavada e mentirosa de que é onde a honestidade impera, e Estado que alguns alienados acham que a população é mais esclarecida que o restante do País, por isso sabe votar, está enrrolado em falcatruas que envolvem grande soma em diheiro, negociatas e tráfico de influência e nenhum orgão do PIG cita o fato. Será porque o PIG também não cita a que partidos pertencem os envolvidos nas tramaioas de Campos?

  2. Comentou em 12/03/2008 ubirajara sousa

    Será que o meu comentário foi glosado (não quero falar censurado)? Vou aguardar mais um pouco. Obrigado.

  3. Comentou em 12/03/2008 Marco Antônio Leite

    Infelizmente o país esta entrega nas mãos de muitos partidos do crime. Só tem uma saída, pois o voto não resolve uma revolução quem sabe poderá varrer esses criminosos para fora dos palácios, senado, câmaras, prefeituras e similares.

  4. Comentou em 12/03/2008 ubirajara sousa

    O que eu fico me perguntando é por que não saiu, até agora, o nome dos partidos a que estão vinculadas essas pessoas? Será que nenhum é do PT? Quando o bandido tem algum vínculo com o PT (por exemplo, participou de uma reunião do diretório municipal, há dez anos) a primeira coisa que se ouve é o nome do partido (PT) e até agora não ouvi nem li nada sobre o PT. Será que nem um deles é do PT ou algum dia já foi filiado? Por que o articulista não citou nomes e nem os partidos, já que falou em ‘partido do crime’?

  5. Comentou em 12/03/2008 Claudio Bacelar

    Em relação aos jornalistas que fazem, quero dizer que, por isso continuo torcendo para a saúde, a integridade e a lucidez do jornalista Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal, na cidade de Belém. Ele se enquadra, exatamente, no perfil citado pelo autor. Começou a fazer um jornal independente, por não concordar com os modos de fazer jornalismo em nossa cidade. Para se ter uma idéia, o jornal não aceita propaganda, para nao se sujeitar aos interesses dos anunciantes. Poderia servir de modelo, para o autor, sem necessidade de buscar o exemplo na Argentina. Nada contra, talvez seja até charmoso. Pena que, com essa atitude, não consigamos divulgar o exemplo dignificante e de orgulho, para todos os paraenses e amazônidas, que é o profissional Lúcio Flávio Pinto.

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