Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 719

>>O popular e a mídia
>>A mensagem da Antártida

Por Luciano Martins Costa em 19/02/2008 | comentários

Ouça aqui

Download

O popular e a mídia

Apesar de ser um tema batido e debatido, não deixa de instigar os analistas da política e da imprensa a permanência da popularidade e da aprovação do presidente Lula em níveis tão elevados.

Os jornais também já não surpreendem e, a cada nova avaliação, voltam a repetir que os brasileiros, em grande número, aprovam Lula e seu governo por causa da percepção de bem-estar econômico.

E acresentam sempre o comentário de especialistas, a afirmar que o bom momento econômico do Brasil se deve ao cenário favorável da economia mundial.

Só que desta vez existe um elemento novo que obriga a análises mais cuidadosas: o cenário internacional apresenta graves turbulências há quase um trimestre, e a nau brasileira segue flutuando sobre o Atlântico.

O quadro das pesquisas CNT/Sensus publicado hoje, que leva em conta o período desde dezembro de 2003 até fevereiro deste ano, mostra que a avaliação positiva do governo Lula sofreu duas quedas importantes, em 2004 e em 2006.

Nessas ocasiões, o presidente e seu governo se encontravam sob intenso bombardeio da mídia, por conta de escândalos envolvendo a cúpula do Partido dos Trabalhadores e a base aliada.

Mas as respostas do presidente a essas crises sempre resultaram em grandes impulsos à sua popularidade, o que pode ser visto pelo ângulo de subida de sua avaliação positiva em todo o período.

O quadro que os jornais apresentam hoje deixa algumas questões a serem digeridas pelo leitor.

Pelo menos por aquele leitor que não se deixa contaminar pelo partidarismo e pratica o interessante exercício da análise da imprensa.

E uma das questões que podem intrigar o leitor é a seguinte: se a mídia, de modo geral, mantém um viés de crítica permanente ao presidente – o que é seu papel –, seja por suas barganhas no Congresso, seja por suas frases de gosto duvidoso, por que a influência da imprensa não se faz sentir na avaliação do governo?

Lula é realmente muito talentoso na arte do convencimento, ou é a imprensa que não está fazendo os questionamentos fundamentais?

A mensagem da Antártida

O presidente Lula aproveitou contato com a imprensa no extremo Sul do continente para fazer aquilo que é sua especialidade: conversar.

E conversou com os jornalistas sobre um tema espinhoso, o caso dos cartões corporativos do governo, assumindo o crédito pela divulgação dos números usados pela mídia para fazer as denúncias de abusos.

Alberto Dines:

– O frio parece que fez bem ao presidente Lula e lá nos confins da Antártida, pela primeira vez em muitos meses, ofereceu um rasgado elogio à imprensa. No domingo, referindo-se ao trabalho dos jornalistas nas revelações sobre os abusos cometidos com os cartões corporativos, o presidente agradeceu à imprensa por ter aproveitado as informações disponibilizadas pelo Portal da Transparência. Graças a isso – disse – o governo consertou o que estava errado. Evidentemente nem todos no governo aprovaram o desempenho da imprensa no caso da farra dos cartões de crédito, um deles é o ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União, que no Roda Viva de ontem à noite não demonstrou a mesma simpatia pelo trabalho da mídia. Qualquer que seja a opinião dos envolvidos, o caso dos cartões de crédito corporativos será o assunto do Observatório da Imprensa de hoje à noite com a participação da repórter Sonia Filgueiras, do Estado de S.Paulo, a primeira a investigar o assunto. Hoje pela TV-Brasil às 22:40 e pela internet, ao vivo,  no site www.tvbrasil.org.br.

Todos os comentários

  1. Comentou em 24/02/2008 Otaciel de Oliveira Melo

    Sem dúvida, a denúncia do mau uso dos cartões corporativos foi um gol de placa da imprensa, embora, na minha opinião, o essencial não esteja sendo discutido. Em qualquer país/governo do mundo, a posse de um cartão desse tipo vai gerar desvios de conduta. Não há como exigir de 40 ou 50 mil pessoas um comportamento exemplar no que diz respeito às regras do jogo, principalmente num país onde uma das máximas assimiladas pela maioria da populção é a de que ‘o brasileiro gosta de levar vantagem em tudo’. O que deve ser discutido é o seguinte: partindo-se do princípio de que haverá sempre fraudes, o que deve ser avaliado é a relação custo/benefício propiciada pelo uso de tais cartões. Esta relação justifica a desburocratização propiciada pelo seu uso? O prejuízo causado aos contribuintes (os cartões mobilizam 0,004% de todo o dinheiro manipulado pelo governo federal) é significativo a ponto de justificar simplesmente o seu cancelamento? Qual o mecanismo que irá substituir os cartões corporativos? A volta da boa e simples diária, quando um funcionário público precisar viajar? Se a oposição acha que estas questões não devem ser discutidos por que uma das poucas bandeiras que lhe resta (a instauração de uma CPI para atingir a figura do Lula, via dona Mariza) poderá fugir ao seu controle, cabe a imprensa, ela que denunciou os desvios, levantar estas questões de maneira complementar.

Programas Anteriores

1 2 3 4 5 última

1 de 2625 programas exibidos

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem