Quinta-feira, 29 de Junho de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº947

Programa nº 546

Mauro Malin

>>O Senado sangra
>>Armas e bandidos

Por Mauro Malin em 19/06/2007 | comentários

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O Senado sangra
 
O senador Jarbas Vasconcelos resume bem, no Estadão, o escândalo mais visível da hora: diz que o Senado está sangrando muito mais do que Renan Calheiros. Jarbas destaca o papel da mídia, que foi essencial no episódio para reduzir a margem de manobra dos interessados em abafar as acusações, até aqui também não comprovadas, de ligação de Renan com a empreiteira Mendes Júnior.


Waldomiro ressurge
 
Um escândalo esconde outro, como se sabe, mas volta à tona, em reportagem da Folha, o nome de Waldomiro Diniz, protagonista do primeiro grande escândalo do governo Lula, ligado a loterias. O caso estourou no início de 2004.


De Tintin ao Homem Aranha
 
Alberto Dines anuncia que a figura do jornalista na ficção popular será o tema do programa de hoje do Observatório da imprensa na televisão.  Dines:
 
– A mídia está hoje no banco dos réus, aqui e no exterior. Mas nem sempre foi assim: há quase oito décadas surgia uma história em quadrinhos na Bélgica cujo herói chamava-se Tintin e era jornalista. Vendeu 200 milhões de álbuns em 40 idiomas. Clark Kent, o alter-ego do Super-homem era repórter, o Homem-Aranha é fotógrafo. Significa que o jornalismo já foi visto como uma profissão romântica e o repórter como uma espécie de Quixote que enfrenta o mal. Tintin, o Superman, o Homem Aranha e todos os heróis dos quadrinhos  que  já foram repórteres vão comparecer ao Observatório da Imprensa para perguntar: mudou o mundo ou mudou o jornalismo? Hoje à noite, na TV-Cultura às onze e quarenta; na TV-E, ao vivo, às dez e quarenta.


Em prol do caixa dois
 
Cláudio Weber Abramo, dirigente da Transparência Brasil, põe o dedo na ferida, em artigo na Folha de hoje: “O que na verdade muitos pretendem com a proibição das doações privadas legais é esconder as fontes de um financiamento que continuará a acontecer, agora integralmente no caixa dois”.


Armas e bandidos
 
Ontem apareceu no Jornal Nacional da TV Globo um capítulo importante da criminalidade no Rio de Janeiro, há muito denunciado por autoridades como o ex-presidente do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro Jorge da Silva: a origem das armas que vão parar nas mãos de bandidos é o mercado americano, mediante contrabando via Venezuela, Argentina e, principalmente, Paraguai.
 
A reportagem só não disse quem vende as armas para o bandidos. Eles não descem de seus redutos nos morros para apanhá-las em depósitos. Em muitos episódios, e essa denúncia é antiga, os bandidos são abastecidos por policiais. Há casos, não raros, em que as armas são tomadas em operações espetaculares e depois devolvidas aos bandidos mediante acertos em dinheiro.


Um cerco como outros
 
O sociólogo Paulo Baía, ex-secretário de Direitos Humanos do Rio de Janeiro, no governo Rosinha Garotinho, critica as operações que se repetem há cinqüenta dias no chamado Complexo do Alemão.
 
Baía:
 
– O que acontece lá é o que tem acontecido sempre. Não há um planejamento policial adequado. Dizer que estão tomando os territórios para o Estado ocupar também não é verdade, porque o Estado já está lá daquela maneira displicente e discricionária com que trata aquela população, e sem objetivos definidos, e com resultados muito baixos. Por exemplo, se o foco é o combate à criminalidade e o fim do narcovarejo naquela região, até agora os resultados são pífios.
 
Mauro:
 
– Paulo Baía prevê que o atual conflito terá o mesmo destino de tantos outros no passado.
 
Baía:
 
– O desfecho será semelhante ao cerco da Rocinha, que as pessoas, isso eu insisto sempre, a imprensa e nós temos memória curta, nós não refletimos sobre o que nós vivemos há pouco tempo… A Rocinha teve um cerco policial-militar de nove meses durante os anos de 2003 e 2004. A Rocinha, no início dos anos 80, teve um grande cerco – aliás, teve o maior engarrafamento da história do Rio de Janeiro –, que acabou com a morte da presidente da associação de moradores de lá, Maria Helena. As coisas são recorrentes. Qual é o desfecho do cerco do Complexo do Alemão, Penha, Olaria e Ramos? Será o mesmo do cerco da Rocinha, será o mesmo do cerco da Maré. Será o mesmo de todas as demais incursões. Cairá no esquecimento e aquela população continuará tendo a presença do Estado na sua face mais perversa: professores que não querem dar aula porque acham que aquela população não merece ter aula, médicos que tratam mal a população, policiais que tratam mal aquela população. Dizer que o Estado não está lá, não é verdade. O que não está lá é o respeito e a inclusão com direitos daquela população.

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/06/2007 Hugo Mancin.

    Senhor.
    Acompanhando alguns discursos pela tv senado percebi que a onda em alguns casos é justificar, apoiar, admitir e atropelar as crises sem resolvê-la, além de considerar que a crise faz parte da democracia e que uma não sobrevive sem a outra.
    No entanto senhores, mesmo sabendo que as crises fazem parte da vida e da democracia não posso aceitar a tentativa de justificá-las de forma a aceita-las como normais e corriqueiras.
    Dessa forma eu penso que o político que tenta este tipo de argumento e justificativa acaba por levar ou tentar levar seus colegas a serem todos nivelados por baixo de forma a confundir a opinião publica e colocar todos os gatos no mesmo balaio.
    Esta forma de argumentar acaba dando ao público político e atuante e até aos fazedores de opinião várias formas de interpretar o conteúdo chegando a entender que todos os políticos são mal intencionados, o que não é o meu conceito.
    Esta forma de argumentar parece tentar justificar que amanhã deveremos estar esperando que aqueles em quem apostamos as nossas fichas, ou seja, em quem confiamos poderão errar e deveremos aceitar com resignação e normalidade.
    Não é isso que eu quero, creio que não é isso que o politizado quer.

  2. Comentou em 21/06/2007 fabio lopes

    Sr. Baía se não tem o q falar não fala. Chega de críticas fáceis e de se dizer o óbvio. Acho que professores não querem ensinar nesses espaços, se é o caso, simplesmente por medo, e não por acharem que os pobres não mereçam educação com o sr afirma. Não de onde o sr. tirou essa idéia, pura leviandade. Se o senado sangra, não sei, mas muitos mais do que apenas Renan Calheiros, deveriam estar sangrando, alguns até morrerão impunes e intocáveis como ACM, q ainda deixa herdeiro. A imprena brasileira é hoje a instituição mais sórdida que existe nesse país devido principalmente à hipocrisia.

  3. Comentou em 20/06/2007 Calypso Escobar

    Nem o sagrado resgate de homens com dignidade se cata como agulha no palheiro,a imprensa vai viver bem até que o próprio jornalista morra,o leitor com assuntos repetitivos não enxerga solução senão chorar o processo de vida inadequada,o trabalhador na andança rotineira de ir e vir e os poderes que podem,cada vêz mais mordazes e a morte da alma nada significando.Hoje,amanhã e depois não se supera o incerto,razão de um certo cansaço coletivo.Grata

  4. Comentou em 19/06/2007 Marco Costa Costa

    Mudou o mundo, mudou a imprensa, mudou o bandido, mudou o político. Nestes dias que dá calafrios até em geleira, os personagens estão misturados numa só receita. O mundo não é o mesmo, não existe oposição, apenas pensamento único, ou seja,neoliberalismo através do consumo mercadológico. A imprensa não é mais romântica, ela vive em função de matérias escandalosas objetivando vender mais e faturar o que pode, e o que não pode. O bandido não é mais aquele que só batia carteira, hoje ele se mistura com os marginais de oficio, onde o troca, troca impera, eu vendo armas e segurança e você não me importuna. O político também não é mais aquele que levava alguns mas sem deixar o cofre vazio, hoje haja cofre para agüentar tantas mãos grandes pegando o do alheio. Somente quem não mudou foi o eleitor, o leitor e o trabalhador que continuam sendo massa de manobra dessa quadrilha que se instalou nos corredores do submundo da malandragem.

  5. Comentou em 19/06/2007 Paulo Gilberto Morais dos Santos

    O senador Jarbas Vasconcelos foi o único que me encaminhou resposta a uma mensagem que mandei para alguns dos ocupantes de cadeiras no senado acerca do caso Renan. E o fez encaminhando-me arquivo que contém a íntegra da entrevista concedida ao Estadão, na qual afirma estar o senado a sangrar mais que o seu presidente. É, no mínimo, um político que tem respeito pelo contribuinte.

  6. Comentou em 19/06/2007 Marcia Amaral

    Ética é tecida pelas relações dentro da família e os pequenos grupos antes de atingir a sociedade como um todo. Diante desse cenário político, a mídia tem o dever moral de ser responsável e fidedigna com os fatos e, portanto, de alguma forma o que ela tem nos permitido neste momento da história é a interpretação da deficiência do uso da linguagem e individualidade das ações de nossos representantes. Assisto com minhas filhas (8 e 13 anos), os comitês de ÉTICA que são instaurados diante de tantos desvios do dinheiro público, e outras mazelas e me envergonho quando elas não entendem os comportamentos de homens cultos, polidos, escolhidos para fazerem um bom uso da linguagem e para requerem o que é de direito da sociedade. A mídia nos deve transparência e os políticos nos devem mais, respeito, dignidade, perspectiva de vida, patriotismo, moralidade.

  7. Comentou em 19/06/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Quando alguém se aferra ao poder acreditando por razões políticas ou religiosas que o mesmo ainda não deixou de existir, se torna capaz de arrastar consigo tudo e todos para a destruição. Este parece ser o caso do Renam Calheiros, cuja reputação para exercer a Presidência do Senado JÁ NÃO EXISTE, mas que insiste em preservar o cargo mesmo que isto custe a existêcia do próprio Senado. Nesse sentido, muito embora seja um exagero, não consigo deixar de comparar Renam Calheiros ao ‘anacoreta sombrio’ ajudou a arrastar Canudos para a destruição, mas morreu antes do fim da guerra. Renam já está até emagrecendo, não deve demorar para colocar uma batina e se considerar um ‘pescador de políticos’ na caatinga que está tomando o lugar dos gramados em frente ao belo prédio do Legislativo nacional.

  8. Comentou em 19/06/2007 Paulo Bandarra

    Caro Mauro Malin, o que está sangrando mesmo é o povo que está sujeito a esta instituição que assumiu a falta total de vergonha e valores republicanos mais uma vez, sem nenhum constrangimento em salvar a falta de moral e a sem vergonhiçe que mora lá! Mais uma desilusão da fieira que os poderes públicos reservam para o povo deste país! Maracutaias, picaretagens e fisiologismo generalizado!

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