Terça-feira, 19 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1028
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>>O silêncio ensurdecedor
>>A disputa pelos leitores

Por Luciano Martins Costa em 24/03/2009 | comentários

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O silêncio ensurdecedor


A Folha de S. Paulo e o Globo ignoraram a notícia, mas o Estado de S. Paulo publica hoje com destaque que o Tribunal Regional Federal da 3a. Região impôs ontem uma importante derrota à estratégia de defesa do banqueiro Daniel Dantas.


O controlador do banco Opportunity queria trancar a ação penal nascida da acusação de corrupção ativa, por tentativa de subornar um delegado federal para ser excluído da chamada Operação Satiagraha.


A decisão é fundamental para o prosseguimento das ações judiciais contra Dantas.


Por essa razão, os leitores da Folha e do Globo ficarão menos informados sobre o assunto do que os leitores do Estadão.



A defesa de Daniel Dantas queria que a Justiça Federal considerasse irregular  a parceria feita entre a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência – Abin –  durante as investigações.


Se a Justiça acatasse essa tese, o processo poderia ser abortado, mas os magistrados votaram por unanimidade considerando que a ação conjunta entre a Abin e a Polícia Federal não tem nada de errado.


Fica, portanto, sobre a mesa, uma questão incômoda para ser respondida pela imprensa.


A quem mais, a não ser ao próprio Daniel Dantas, interessaria toda a campanha feita principalmente pelos jornais O Globo e Folha de S.Paulo e pela revista Veja, no sentido de criminalizar as ações da Polícia Federal junto com a Abin?



Fica evidente, até mesmo para o leitor mais distraído com a paisagem, que parte da imprensa brasileira tem dedicado os últimos meses mais energia e espaço à tentativa de desqualificar os investigadores do que a investigar o acusado.


Foi tão desproporcional a concessão de espaço para supostas revelações sobre desmandos atribuídos ao delegado Protógenes Queiroz e ao juiz responsável pelo caso Satiagraha, Fausto de Sanctis, que algum leitor poderia supor que o delegado e o juiz é que eram os principais acusados. 


O fato de parte da imprensa omitir hoje de seus leitores que a Justiça Federal considera normal a parceria entre a Polícia Federal e a Abin chega a soprar na brasa da teoria conspiratória segundo a qual o banqueiro contaria com a solidariedade de algumas redações.


Será que foi apenas um “furo” do Estadão? Os outros jornais não têm acesso à agenda da Justiça Federal?


Depois de todo barulho a respeito das ações conjuntas entre as duas instituições, o silêncio da Folha e do Globo chega a ensurdecer.



A disputa pelos leitores


O caso Satiagraha deflagrou uma guerra nos bastidores da imprensa, que só pode ser acompanhada pela internet.


Desde o já clássico confronto entre a revista Veja e o jornalista Luis Nassif, até os vazamentos e contravazamentos de supostas revelações da Polícia Federal, o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Dantas dá uma idéia de outra disputa que marca este começo de século: a disputa entre a imprensa tradicional, de papel, e a nova imprensa, que trafega pelos meios eletrônicos, pela atenção e o tempo dos leitores.



A internet está completando sua segunda década.


A configuração gráfica da comunicação entre computadores, inaugurada com o navegador Mosaic, em 1994, cresceu, se espalhou pelo mundo e se miniaturizou, conquistando espaço também nas telinhas dos telefones celulares.


O jornalismo infiltrou-se pelos novos meios, e agora o leitor, antigo receptáculo passivo de informações, é também agente e observador da imprensa. 


Alberto Dines:


– No vigésimo aniversário da WWW, a Rede Mundial de Computadores, convém fazer algumas perguntas incômodas. A mais importante delas: será que a migração de alguns jornais impressos para a Internet não é causada pela inapetência em apostar em jornalismo de qualidade? Quer saber quem vai vencer a guerra entre o jornalismo tradicional e o jornalismo virtual?  Os dois. Para entender porque, assista ao Observatório da Imprensa, hoje às 22:40 ao vivo, em rede nacional,  pela TV-Brasil. Em  S. Paulo pelo Canal 4 da Net ou 181 da TVA.


Leia também:


O programa que incomodou o ministro, por Leandro Fortes

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