Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

Programa nº 1456

>>O talismã da presidente
>>Rede de intrigas

Por Luciano Martins Costa em 06/01/2011 | comentários

Fontes bibliográficas citadas e consultadas

ALONSO, José Antônio Martínez. Dicionário de História do mundo contemporâneo. Espírito Santo: Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES), 2000.

ALBUQUERQUE, Afonso de. Um outro 'Quarto Poder': imprensa e compromisso político no Brasil. In: Contracampo – revista do Mestrado em Comunicação, Imagem e Informação da Universidade Federal Fluminense (UFF). Instituto de Arte e Comunicação Social: n.º 4, Janeiro de 2000.

BIRD, S. Elizabeth & Dardene, Robert W. 'Mito, registro e ‘estórias’: explorando as qualidades narrativas das notícias'. In Traquina, Nelson (org.). Jornalismo: questões, teorias e 'estórias'. Lisboa: Veja, 1993, p. 263-277.

CAMPBELL, Richard. 60 minutes and the news: a mythology for Middle America. Urbana & Chicago: Univ. of Illinois Press, 1991. 278p. Introd. p. xv-xxix; cap. I, p. 1-24. Trad. para o português de M.T.G.F. de Albuquerque. Rev. técn. de A. de Albuquerque.

CARVALHO, Samantha V. C. B. R. A internacionalização da mídia brasileira: a trajetória da Gazeta Mercantil. Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), 2001.

CHALABY, Jean K. Journalism as an Anglo-American invention: a comparison of the development of French and Anglo-American journalism, 1830s-1920s. European Journal of Communication, London [etc], v.11 n.3, p.303-326, 1996. Trad. para o port. por MTGF de Albuquerque. Rev. de A. de Albuquerque.

DARTON, Robert. 'Toda notícia que couber a gente publica'. In: O Beijo de Lamourette – Mídia, Cultura e Revolução. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

DURING, Simon. The Cultural Studies Reader. London&New York, 1993.

FISH, Stanley. Is there a text in this class? The authority of interpretative communities. Cambridge: Harvad University Press, 1980.

GLASSER, Theodore L. & ETTEMA, James S. Investigative Journalism and the Moral Order. In AVERY, Robert K. & EASON, David. Critical perspectives on media and society. New York, London: The Guilford Press, 1991, p. 203-255.

GEERTZ, Clifford. 'O senso comum como um sistema cultural'. In: O saber local: novos ensaios em antrologia interpretativa. Petrópolis: Vozes, 1998.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.

LACHINI, Cláudio. Anábase – História da Gazeta Mercantil. São Paulo, Editora Lazuli, 2000.

LENE, Hérica. A Gazeta Mercantil na era digital: sobrevivência em um cenário de mutações comunicacionais?. Monografia apresentada como requisito da disciplina Estratégias Contemporâneas de Comunicação do Mestrado em Comunicação da UFF, Niterói-RJ, 2002.

MATTELART, Armand e Michèle. História das teorias da comunicação. São Paulo: Edições Loyola, 1999.

MANUAL DE PRINCÍPIOS EDITORIAIS GAZETA MERCANTIL. Março de 2001 (publicação interna da empresa distribuída para os jornalistas da casa).

PARK, Robert E. A notícia como forma de conhecimento. In: The American Journal of Sociology. Universidade de Chicago, 1940.

QUINTÃO, Aylê-Salassiê Figueiras. O jornalismo econômico no Brasil depois de 1964. Rio de Janeiro: Agir, 1987.

SANDRONI, Paulo. Novíssimo Dicionário de Economia. São Paulo: Editora Best Seller, 1999.

SCHUDSON, Michael. Discovering the News: a social history of american newspapers. New York: Basic Books, 1978, p. 3-11, p. 121-159.

SENNETT, Richard. Autoridade. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Editora Record, 2001.

ZELIZER, Barbie. Covering the body: the Kennedy assassination, the media, and the shaping of collective memory. Chicago & London: University of Chicago Press, 1992. 299p Cap. 1: Introduction: narrative, collective memory and journalistic authority. p. 1-13. Traduzido para o português por MTGF de Albuquerque. Rev. técn. de A. de Albuquerque.

Ouça aqui

Download

O talismã da presidente

Os jornais de maior circulação do País “noticiaram”, nesta semana, que aquelas pulseirinhas com um holograma que fazem tanto sucesso entre adolescentes – e adultos com idade mental equivalente – não produzem o efeito anunciado.

Foi preciso uma declaração oficial da empresa fabricante, sediada na Austrália, de que não havia “garantias” de que a tal pulseira aumenta o bem-estar de seus portadores, e uma ampla divulgação do texto por meio de agências de notícias internacionais, para que a imprensa brasileira dita séria entrasse no assunto.
 
Até então, textos na internet e anúncios em jornais populares – quase todos pertencentes às mesmas empresas que editam os jornais de circulação nacional – prometiam efeitos milagrosos para as tais “pulseiras holográficas quânticas”.

Na verdade, trata-se de um bracelete de neoprene contendo uma imagem holográfica num pequeno disco de plástico.

Seus efeitos seriam os de melhorar o equilíbrio do corpo, estimular as funções cerebrais e facilitar a absorção de oxigênio.

É a versão do século 21 das antigas pulseiras magnéticas que prometiam controlar a pressão arterial pela ação de ímas sobre a circulação sanguínea.
 
Não surpreende que milhões de pessoas tenham adquirido tal traquitana – afinal, é da natureza humana acreditar em soluções mágicas para tudo – ainda mais quando tal apetrecho chega ao mercado avaliado por supostos cientistas da Nasa.

O que tem isso a ver com a imprensa?

Bom, foi através da imprensa que os compradores ficaram sabendo que atletas e celebridades, como o piloto Rubens Barrichello, haviam adotado a tal pulseira.

E a prática estava tão disseminada que foi preciso a imprensa “desmentir” os alardeados efeitos da holografia.
 
Agora, os leitores devem estar esperando a conclusão dos estudos científicos sobre o tal “olho grego”.

Afinal, no momento histórico em que a primeira presidente da República tomava posse, os mais distraidos tiveram sua atenção despertada para o fato de que a principal mandatária da nação usava uma pulseira com um adereço azul e preto que, segundo dizem, é tiro e queda contra os invejosos.

Esperamos que a imprensa, ao contrário do que fez com a pulseira holográfica, venha a confirmar a eficácia do tal “olho grego”, porque, acelerados como andamos em direção ao futuro glorioso, convém que todos os brasileiros sejam vacinados contra a inveja do mundo.
 
Rede de intrigas

Para quem estranha essa viagem ao mundo da fantasia, convém observar que o Globo colocou duas repórteres para cobrir exclusivamente o que acontece na casa onde se desenrola o reality show Big Brother Brasil.

Ou seja, a mistura entre informação e entretenimento quase justifica a confusão entre ciência e superstição, ainda mais quando a superstição se manifesta no pulso da presidente da República, sob a forma de um talismã.

Da mesma forma misturam-se jornalismo e política, noticiário econômico e interesses de negócio, opiniões e carreirismo.
 
Além disso, pode estar transitando no terreno da ficção todo texto que procura razões edificantes nas propostas de aumento do índice do salário mínimo.

Segundo a Folha de S.Paulo, foi do senador José Sarney a idéia de lançar a campanha por um salário maior do que os R$ 540 propostos pelo governo, como forma de retirar do foco a disputa por cargos.

Também é da Folha a opinião de que a auditoria promovida pelo governador paulista Geraldo Alckmin sobre os contratos de seu antecessor e correligionário, José Serra, esconde uma disputa entre os dois.

Em 2007, quando a situação era invertida, foi Serra quem investigou as contas de Alckmin.
 
Mas isso está em editorial, não em reportagens.

O melhor, para o leitor, seria que os jornais destrinchassem essa auditoria, separando o que seria boa administração do que pode configurar uma vingança pessoal do atual governador por haver sido lançado no limbo há quatro anos.

Mas, dos três jornais de circulação nacional, apenas a Folha tem dado espaço às intrigas da política paulista, berço principal do PSDB.

Os outros jornais só enxergam a querela entre PT e PMDB em Brasília.

Perdão: os jornais também perceberam a chegada, ao Rio, da polêmica cantora Amy Winehouse, onipresente nas primeiras páginas desta quinta-feira.

Em 24 horas de Brasil, ela ainda não havia produzido nenhum escândalo.

Isso é que é noticia.

Todos os comentários

Programas Anteriores

1 2 3 4 5 última

1 de 2625 programas exibidos

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem