Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

Programa nº 587

>>O tamanho da crise
>>Entrevista

Por Luciano Martins Costa em 15/08/2007 | comentários

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O tamanho da crise

Os jornais continuam hoje a observar os efeitos da crise que atinge os mercados financeiros mundiais.

A Folha de S.Paulo destaca que o governo brasileiro está sendo obrigado a pagar juros mais altos nos títulos que oferece ao mercado financeiro, mas ao mesmo tempo tem a chance de resgatar sua dívida.

Os jornais observam que as grandes reservas de dólar tornam o Brasil menos vulnerável que outros países emergentes.

Os gráficos apresentados aos leitores são belas ilustrações. Mas quase sempre são apenas isso: ilustrações.

Falando demais

Os personagens principais do noticiário econômico, entre consultores e investidores, são hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Meirelles foi comedido. Procurou transmitir tranquilidade, lembrando que o mercado financeiro opera dentro da normalidade.

Guido Mantega, que já foi criticado até pelo presidente da República por falar demais para quem ocupa seu posto, deixou vazar um tom menos otimista.

No geral, os jornais se mantiveram cautelosos como nos dias anteriores.

Barbie vale uma crise

Para a Folha, a boneca Barbie vale tanto quanto a crise financeira internacional.

O jornal paulista dedicou o mesmo espaço ao desdobramento das turbulências no mercado e ao recolhimento de brinquedos que representam risco à saúde das crianças.

A maior fabricante mundial de brinquedos vai trocar 18 milhões e seiscentos mil itens em todo o mundo, principalmente por causa de excesso de chumbo na tinta.

No Brasil, cerca 850 mil unidades serão recolhidas.

Os jornais poderiam melhorar o serviço, informando o público sobre as indústrias que mais utilizam insumos produzidos na China.

Não custaria lembrar que há cerca de seis meses, 4 mil animais de estimação morreram nos Estados Unidos por conta de rações contaminadas, que continham substâncias importadas da China.

Trem da alegria

Na política, os jornais chamam atenção para a reação do Executivo à ameaça de um novo ‘trem da alegria’ no Congresso.



O Globo oferece como manchete a consideração do governo, de que a tentativa de dar estabilidade a 260 mil funcionários públicos é inconstitucional.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, é citado alertando que a medida abre um precedente perigoso.

Ficamos sabendo que existe no Brasil uma Associação Nacional de Proteção ao Concurso, segundo a qual chega a um milhão o número de funcionários terceirizados nas áreas federal, estaduais e municipais.

Essa seria a base de risco do ‘trem da alegria’, diz o Globo. Como não se pode prever quantos desses funcionários podem ser requisitados nos próximos anos por deputados e senadores, torna-se impossível calcular o custo futuro se a medida for aprovada.

Custo ignorado

O Estado de S.Paulo preferiu destacar na primeira página que o governo ignora o custo do ‘trem da alegria’.

Mas observa que a preocupação do Planalto é que os governos estaduais comecem a empurrar os servidores mais caros para Brasília, para reduzir os custos de suas folhas de pagamento.

A Folha observa que a iniciativa de colocar o ‘trem da alegria’ em votação partiu de muitos deputados, de praticamente todos os partidos.

Aparentemente, a medida teria surgido de uma necessidade real, de regularizar a situação de milhares de servidores que estão contratados e trabalhando há muitos anos, em setores onde não houve concurso público.

Mas alguns parlamentares aproveitaram a  brecha para aumentar o comboio e embarcar seus apadrinhados. 

Renan afunda atirando

O senador Renan Calheiros subiu à tribuna para se defender, atacando seus acusadores.

Disse que o usineiro João Lyra, que declarou ter vendido a ele uma emissora de rádio e um jornal, não merece crédito, por ser acusado de vários homicídios e por responder a processo por sonegação fiscal.

Lyra foi governador de Alagoas.

Ao reproduzir o entrevero entre personalidades da política alagoana, os jornais têm o mérito de dar ao leitor uma noção da qualidade de certos personagens da nossa vida pública.



Mas não acrescentam nada ao entendimento do escândalo.

As contas não batem

Enquanto isso, na vida real, o Globo noticia que o Coaf – Conselho de Controle de Atividades Financeiras – descobriu discrepâncias nas contas do senador Renan Calheiros.

O Coaf, que foi criado para ajudar as autoridades a rastrear operações de lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional, já passou o relatório para o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.

Segundo os jornais, o procurador pediu à Polícia Federal o laudo sobre notas fiscais, guias de transporte de gado e outros documentos apresentados pelo presidente do Senado em sua defesa.

Essa análise, afinal, é que vai definir o destino político de Renan Calheiros, mas a imprensa ainda se impressiona mais com declarações e bate-bocas.

Entrevista(*)

Ladislau Dowbor é um reconhecido pensador das teorias do desenvolvimento sustentável.

Economista da PUC-SP, é responsável também pela linha de pesquisa que narrou a história da formação das grandes empresas de comunicação social brasileiras e identificou nelas o fenômeno de concentração familiar.

Ladislau Dowbor fala ao Observatório da Imprensa sobre certo distanciamento entre a imprensa e parte da população brasileira.

Ladislau Dowbor:

Gerou-se, a meu ver, um gigantesco descolamento entre nossa grande mídia e a população em geral. O grosso da população resolveu o imenso bombardeio – que se fez pela frente das grandes famílias contra o governo Lula tentando impedir sua reeleição. Apesar de todo o bombardeio, a massa da população descolou simplesmente dessa visão,
descartou e, pelo contrário, migraram votos a favor do Lula. Isso mostra um gigantesco ceticismo que se criou, não no cidadão-Veja, mas no cidadão comum; não na classe média, mas na massa da população relativamente a estes processos. Agora é muito interessante ver que a surpresa, por exemplo, da Folha – que a base DataFolha diz que afinal não houve nenhuma mudança da popularidade do Lula depois do acidente aéreo. Como se fosse natural que toda a população tivesse comprado a idéia da mídia de que o Lula é culpado do acidente da Tam.



(*Colaborou Tatiane Klein).

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  1. Comentou em 15/08/2007 Ivan Moraes

    ‘Procurou transmitir tranquilidade, lembrando que o mercado financeiro opera dentro da normalidade’: eh, exato: ninguem sabe aonde esta o dinheiro brasileiro. Normalissimo.

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