Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Programa nº 236

Mauro Malin

>>Os limites da CPI
>>Os megaprojetos e a campanha

Por Mauro Malin em 30/03/2006 | comentários

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Os limites da CPI


Se o relatório da CPI dos Correios deixou indignados dirigentes petistas e o senador Eduardo Azeredo, do PSDB mineiro, é sinal de que tem qualidades. Não se pode imaginar que o Congresso Nacional, com a composição que tem, as práticas que abriga e as pressões que sofre do governo, possa produzir milagres. Mas o que já foi apurado é suficiente para muita indignação.


Os megaprojetos e a campanha


Em sua coluna no jornal Valor de ontem (29/3), o repórter Cristiano Romero pergunta: no governo pós-Palocci, “quem evitará os assaltos que, disfarçados de grandes projetos nacionais, (….) têm se apresentado ao Tesouro Nacional com enorme freqüência?” Romero acha que a imprensa não analisa como deveria esses megaprojetos, questionáveis sobretudo em ano eleitoral.


Romero:


– A imprensa deveria dar uma atenção maior a grandes projetos de obras públicas que vêm sendo anunciados, porque a discussão acaba sendo muito pautada por posições meramente políticas e o mérito acaba não sendo discutido. Um exemplo muito recente é a construção dessa usina hidrelétrica do Rio Madeira, uma obra de 20 bilhões de reais, que seriam hoje quase 10 bilhões de dólares. Só pelo valor a imprensa deveria se dedicar a mostrar que obra é essa, qual é a importância que ela tem, os problemas que ela pode trazer. Certamente há a possibilidade de se discutir essa obra num contexto maior. Há especialistas que dizem que se poderiam fazer pequenas hidrelétricas em vez de fazer uma obra desse vulto. O que a gente vê acabam sendo opiniões pró e contra, mas sem reportagens que sustentem o debate.


E para mim cheira muito esquisito o fato de essas obras estarem sendo anunciadas – não só essas como outras, e não só pelo governo do PT, mas também por outros candidatos -, … o anúncio de obras desse vulto em pleno ano eleitoral me parece apenas uma forma de se chamar financiadores de campanha, porque grandes obras envolvem grandes empreiteiras, não só empreiteiras mas como uma rede de empresas fornecedoras; não só isso, mas também a engenharia financeira envolvida na viabilização dessas obras.


Ronaldo, cerveja e touros


Alberto Dines põe o dedo numa ferida que sangra diariamente em todos os meios de comunicação: a propaganda de bebida alcoólica por figuras que têm legiões de fãs.


Dines:


– Costuma-se dizer que os países que precisam fabricar heróis andam muito mal em matéria de autoconfiança e auto-estima. Enquanto nossa mídia se entretém com a fabricação do mito do primeiro astronauta brasileiro, a Brahma está acabando com o que restou de outro herói – Ronaldo Fenômeno. Nosso Camisa Nove, está estrelando um comercial onde comete duas faltas na mesma jogada. E o juiz não apitou. Além da propaganda de bebida alcoólica, o que agride a todos os códigos de ética e compostura, considerando-se a sua legião de fãs entre as crianças e adolescentes, Ronaldo faz apologia das touradas colocando-as em pé de igualdade com o desporto. Qual o jornal, qual a rádio, qual a TV que terá a coragem de reclamar contra a poderosa Ambev, dona da Brahma, uma das maiores anunciantes brasileiras e talvez do mundo? Vale a pena conferir.



Homicídios em queda


Os dados sobre queda do número de homicídios na cidade de São Paulo, destacados hoje no Estadão, indicam que há algo de novo, e muito positivo, na área da segurança pública paulista.


Os bate-bocas e o chefe


A nova e rasteira polêmica pública entre ministros do governo Lula, agora Gilberto Gil e Hélio Costa, faz pensar na figura do próprio presidente, o chefe da equipe, o chefe do governo, o chefe de Estado. Por que será que ministros se permitem esses deslizes?


Não é sintoma de democracia no Planalto.


Ao contrário. Existe no governo Lula uma incapacidade de negociar politicamente, o que é um problema para a democracia.


Anteontem, a jornalista Helena Chagas escreveu em seu blog, no Globo Online, um texto chamado “As camadas tectônicas da crise”. Chega ao âmago do problema. Diz que o presidente Lula, no início do governo, “optou por um tipo de aliança baseada no ´pagou, levou´. Foi o grande erro original, pai de todos os erros e de todas as crises políticas do governo Lula”. Adiante, fala de um “presidente com grande carisma e empatia popular, mas sem a menor inclinação ou interesse pela articulação institucional e com setores diversos da sociedade, um sujeito sem paciência para a chatíssima porém essencial política parlamentar”.


Gás boliviano


Agravam-se os problemas entre o governo da Bolívia e a Petrobrás. É manchete na edição de hoje do jornal La Razón, de La Paz.


# # #


Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br.  

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/04/2006 David Alves da Silva Silva

    A CPMIs, pelo o fato ser composta por políticos já é uma grande [….linguagem chula….] . >> O presidente posa de vaidoso que considera bonitão, querendo dar uma impressão que será o rei daquele palco. >> O relator é um velhinho que quer parecer dono da moral só inv. >> O sub-relator ACminho, é cópia do seu vovozinho(fradador do Painel). Quando vai a fundo constata que eles também estão metitos na lambança – VDR: Relatório final resentado por ACM Neto. ‘V – SUGESTÕES DE INDICIAMENTOS 2.10 Petros e Previ Diante dos fatos identificados no relatório faz-se imprescindível que o Ministério Público Federal promova as investigações necessárias para apurar a existência de irregularidades e ilegalidades, bem como a tipificação de tais condutas e, conseqüentemente apurar a responsabilidade de seus dirigentes e ex-dirigentes. >> O senador Álvaro Dias, posa de uma plumagem meio duvidosa. A sua indignação é tão grande, uma vez em plenário da câmara num bate boca com Renan foi citado que ele queria uma vaguinha no consulado, mas o governo recusou. Por isso ele ataca o Lula ferozmente. >> Heloísa se transformou definitivamente em maníaca depressiva e com isso leva de sobra a juiza da vida. Porque ficam omissos nos casos? – Disco rígido que está na PF. – Furnas, o sr. Monteiro é doido para ser chamado. – Os presentes e blindes distribuidos por Valério aos políticos.

  2. Comentou em 30/03/2006 fernando yassu

    Pergunte a um jornalista que cobre segurança público se se consegue obter informações sobre as estatísticas sobre criminalidade? Nem nos distritos. Descobri por acaso. Minha filha fazia um trabalho escolar sobre urbanização de favela e preciso de dados sobre aquele bairro. Não conseguiu nem na delegacia e nem na Secretaria. Recorri a um amigo que cobre essa área. Ele conseguiu uma promessa do delegado do distrito. Apesar da boa vontade, o delegado titular e a delegada de plantão (distrito do Bom Retiro) foram gentis, mas se desculparam: o governo do estado proibiu divulgar qualquer dado – mesmo para um inocente trabalho escolar para um colégio. Tem algum angu no meio? Não sei. Manipulação? É um assunto para ser discutido pelo Observatório.

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