Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1021
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Por Luciano Martins Costa em 28/01/2009 | comentários

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Os vilões da crise

A Gazeta Mercantil publica hoje na primeira página a reprodução de uma reportagem curiosa do jornal britânico The Guardian sobre a crise financeira internacional.

O texto, que foi praticamente ignorado pela chamada grande imprensa brasileira, traz o resultado de uma pesquisa sobre os vinte e cinco principais responsáveis pela crise financeira que abala o mercado global.

Entre investidores, governantes e ex-governantes, autoridades monetárias dos Estados Unidos e da Inglaterra, destacam-se banqueiros e executivos de Wall Street.

Não há qualquer citação às responsabilidades da própria imprensa.

Se, entre os critérios para julgar as responsabilidades, foi incluída a omissão, como no caso das autoridades que acompanhavam o crescimento explosivo dos investimentos em fundos sem lastro, os jornais deveriam se incluir entre os culpados.

Afinal, se pretende se apresentar como fonte credenciada para a formação de opiniões e a tomada de decisões de seus públicos, a imprensa também precisa assumir, como contrapartida, o risco dos diagnósticos mal formulados e dos climas emocionais que o noticiário produz.

Afinal, quem toca o berrante que produz o chamado efeito manada nos mercados?

Se a imprensa não deu repercussão à pesquisa sobre os culpados pela eclosão da crise, pelo menos os jornais de hoje apontam alguns dos responsáveis pelas dificuldades em reduzir os seus efeitos, pelo menos no Brasil.

Está nas primeiras páginas dos principais diários: os bancos brasileiros aumentaram pela sexta vez seguida o ‘spread’ cobrado nas operações de crédito.

O ‘spread’ é a diferença entre o custo do dinheiro captado pelo banco e o valor que cobra para emprestar a seus clientes.

O sistema financeiro foi beneficiado por um pacote de medidas recentes do governo, mas não repassou esse benefício aos clientes.

Pelo contrário: os bancos estão aproveitando a crise para rechear seus cofres e reduzir seus próprios riscos, transferindo-os para a clientela.

A imprensa noticiou hoje os dados divulgados pelo Banco Central, mas, curiosamente, não se localizam editoriais e artigos indignados contra a atitude dos bancos, como acontece normalmente quando os jornais discordam de decisões do governo.

Por que será?

O estado geral do paciente

O governo da França patrocinou um estudo sobre o estado da imprensa escrita naquele país, e assumiu o compromisso de socorrer a mídia combalida.

O modelo francês de socorro às empresas de comunicação poderia ser replicado no Brasil?

Luis Egypto, editor do Observatório da Imprensa:

– Mereceu registro apenas pontual, nas edições de sábado passado dos principais jornais brasileiros, o resultado de uma iniciativa do governo francês promovida pelo presidente Nicolas Sarkozy, em outubro de 2008, e que redundou na divulgação do documento ‘Estados Gerais da Imprensa Escrita’, anunciado com pompa e circunstância em Paris, na última sexta-feira. O assunto é tratado em artigo de Alberto Dines [‘Sarkozy quer salvar a mídia impressa’], na edição online deste Observatório.

A primeira idéia de Sarkozy [ver ‘Um plano para salvar a mídia impressa francesa’] foi construir um diagnóstico da situação da imprensa francesa, combalida diante da crise provocada pelo aumento dos custos, pelas quedas constantes de circulação paga e pela concorrência avassaladora dos meios digitais. No caso dos sites noticiosos franceses, entretanto, a situação não é menos preocupante. O quadro geral é de queda da receita de publicidade, diminuição do número de leitores e alto custo de produção.

Para descascar esse pepino, nos últimos três meses 140 jornalistas, empresários e acadêmicos promoveram reuniões em torno de quatro eixos principais: ‘Funções do jornalismo’, ‘Processo industrial’, ‘Imprensa e internet’ e ‘Imprensa e sociedade’. O resultado da análise do diagnóstico foi o compromisso de o governo destinar 600 milhões de euros, em três anos, em programas de estímulo para a indústria da informação impressa e sites de notícias do país, setores que empregam cerca de 100 mil trabalhadores. As providências práticas passam pela desoneração dos custos com distribuição e folha de pagamentos, estímulo à formação de novos leitores, aumento dos investimentos governamentais em publicidade e corte de impostos.

Qual o paralelo possível com o Brasil, onde a regulação é praticamente nenhuma? Em seu artigo, Alberto Dines questiona: ‘Como adotar o esquema Sarkozy de salvamento da mídia impressa se aqui os meios de comunicação são altamente concentrados e oligopolistas?’ Aí está uma boa pergunta.

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