Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 112

Mauro Malin

>>Paciência e firmeza
>>Águas turvas

Por Mauro Malin em 07/10/2005 | comentários

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Paciência e firmeza


Paciência e firmeza serão necessárias à imprensa e à opinião pública para acompanhar o trâmite dos processos de quebra de decoro. Até aqui, só os renunciantes escaparam da degola. Não se sabe como sairão das urnas de 2006. As CPIs funcionam e não pararam de apurar fatos novos. O governo e o PT se esquivam, mas as revelações vão se articulando.


O caso Celso Daniel


A cientista política Lúcia Hipólito diz no Estado de S. Paulo desta sexta-feira, 7 de outubro, que assassinatos sem explicação são característicos de tiranias. Ele menciona os casos de Rubens Paiva e Vladimir Herzog sob a ditadura militar no Brasil e pede que as autoridades abram os inquéritos feitos sobre a morte do prefeito Celso Daniel da forma mais ampla, mais franca e mais completa. Sem isso, a democracia brasileira pagará alto preço.


Uma coisa intrigante é imaginar por que os irmãos de Celso Daniel inventariam uma versão do caso só para atacar a cúpula do PT. Outra é entender por que a polícia paulista concluiu, passando por cima de evidências de tortura, que se tratou de crime comum.


Doutores da discórdia


Os dois deputados que se engalfinharam ontem no plenário da Câmara são formados em Medicina. Teoricamente, suas excelências são doutores, quem diria…


Águas turvas


O Alberto Dines avalia as dificuldades que espreitam a abertura de um amplo debate sobre as águas do São Francisco. Fala, Dines.


Dines:


– Mauro, será que a greve de fome de d. Luiz Cáppio acabou em pizza? Ontem, imediatamente após o acordo entre o ministro Jacques Wagner e o religioso franciscano criou-se um qui-pro-quó em que cada uma das partes afirmou coisas prontamente negadas pela outra parte. Mesmo que as arestas venham a ser sanadas com mais uma rodada de conversas está evidente que o governo não terá condições de cumprir a parte mais importante da exigência de d. Cáppio: o debate nacional. Onde se travará este debate – na Câmara desmoralizada? No Senado controlado por dois coronéis, José Sarney e Renan Calheiros? Vamos convocar uma CPI para debater a transposição do Rio S. Francisco? E uma CPI sem escândalos terá audiência para sustentar-se? A mídia teria condições de manter este debate, se ela mal conseguiu acompanhar o problema antes do início do protesto de d. Cáppio? A verdade é que o governo não pode esperar por um debate prolongado, o governo precisa de uma obra de grande porte para encerrar o primeiro mandato como um novo de JK. E d. Luiz Cáppio não pode aceitar uma embromação sob pena de frustrar aqueles que ficaram ao seu lado durante os 11 dias do protesto. Também neste caso pizza não pode ser a solução – sobretudo porque é muito indigesta.


A mídia e o rio


A mídia deve assumir sua considerável parcela de responsabilidade na falta de um debate amplo sobre o futuro do Rio São Francisco e usar agora sua influência para ajudar os cidadãos a formar opinião. Se a tendência dos partidos políticos e do governo é subordinar a discussão à lógica do processo eleitoral, desse vício a imprensa está livre, tanto quanto possa exercer seu papel de modo independente. Espera-se que a Rede Globo volte ao assunto com uma abordagem mais equilibrada. O Congresso Nacional também é um foro essencial de discussão.


Sem compromisso com fatos


Numa coluna muito lida, da maior revista do país, sai uma notícia chocante. Ninguém comenta. Ninguém escreve uma linha. De duas, uma: ou campeia a insensibilidade, ou a coluna não é levada muito a sério, é lida como território da excentricidade mais ou menos gaiata.


Foi na Veja que circulou no sábado passado. Diogo Mainardi escreveu, no artigo Minha viagem a Brasília: “Uma assessora parlamentar me alerta que o doleiro Toninho da Barcelona, acusador do PT, recebeu uma pena praticamente igual à de Fernandinho Beira-Mar. Ela me alerta também que Toninho da Barcelona tem sido sistematicamente violentado na cadeia”.


O Observatório da Imprensa ouviu ontem o secretário da Administração Penitenciária do estado de São Paulo, Nagashi Furukawa:


Furukawa:


– Eu questiono a veracidade disso. Ele tem mais de um advogado. Não é uma pessoa que não tenha acesso aos meios de defesa que os presos têm. E nenhuma vez no período em que ele está preso ou ele ou seus advogados fizeram qualquer tipo de reclamação nessa linha. Eu estou na Secretaria há quase seis anos. Eu não me lembro de nenhum caso de preso que tenha se queixado desse tipo de coisa, de ter sido sistematicamente violentado por alguém. Teve um ou outro episódio, não sistematicamente violentado. Um ou outro caso de quem foi molestado, reclamou, e já foi tirado do lugar, e punido quem fez isso.


Mauro:


– Um dos advogados de Toninho da Barcelona, Ricardo Sayeg, declarou ao Observatório que nunca ouviu falar nesse assunto. Sayeg aproveitou para comemorar a saída de Toninho do Regime Disciplinar Diferenciado a que estava submetido. Atualmente, o ex-doleiro está preso no Paraná à disposição da Polícia Federal.


Garantir informação de boa qualidade não é a vocação de Diogo Mainardi.


China e Brasil


Excelente ponto de partida para uma nova discussão sobre o fenômeno chinês é a entrevista dada hoje ao Valor pelo economista Antônio Barros de Castro. Ele diz que a China é candidata a conquistar mercado no Brasil e a competir com as exportações brasileiras, mas é ao mesmo tempo um grande mercado potencial. A China muda a equação da economia brasileira, e Barros de Castro procura melhorar o entendimento de seus sistemas econômico e político.

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  1. Comentou em 07/10/2005 Edson Rasquel

    …’Outra é entender por que a polícia paulista concluiu, passando por cima de evidências de tortura, que se tratou de crime comum.’ De onde foi que vocês da imprensa tiraram essa pérola de que em crime comum não existe tortura? Uma das coisas mais comuns é a vítima ser sodomizada, barbarizada, espancada, violentada, humilhada por todo tipo de bandido. O entendimento, ou má-fé, dos jornalistas é tão pífio que se fossemos entender que se há tortura, mau-trato ou coisa semelhante, tem-se crime político, boa parte dos crimes seriam políticos. Vocês falam muito baboseira e opinam demais em matéria que não entendem. Bom senso!

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