Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
Menu

Programa nº 234

Mauro Malin

>>País com partidos frágeis
>>Mídia e favelas

Por Mauro Malin em 28/03/2006 | comentários

Ouça aqui

Download

País com partidos frágeis


Existem pelo menos três frentes que devem merecer agora a maior atenção da imprensa. Primeiro, as condições em que se travará a batalha da sucessão presidencial. Se é certa a candidatura do governador Geraldo Alckmin pelo PSDB, não é certo que o presidente Lula concorra à reeleição. Com a queda de Palocci, ele vai para a linha de tiro. Esse quadro, dramático do ponto de vista das forças partidárias que há no país, abre oportunidade para uma discussão sobre o regime presidencialista. Mas como pensar em parlamentarismo com partidos tão frágeis?


A guerra das denúncias


A segunda frente de interesse da imprensa é a da guerra suja de dossiês e denúncias, que lhe diz respeito especificamente. A mídia deve reexaminar seus filtros para não se deixar manipular por nenhum lado, muito menos por vigaristas que procurem se aproveitar dos conflitos políticos para fazer chantagens e extorsões.


De olho nas pressões


A terceira frente que se impõe à cobertura atenta da imprensa é a da política econômica. É verdade que, em linhas gerais, a política econômica brasileira independe hoje em boa medida do governante. Há alguns consensos na sociedade e há no governo federal equipes técnicas isentas de envolvimento em partidarização ou em corrupção. Mas as pressões por um retrocesso são fortíssimas. E é no Executivo que elas desaguam. Antonio Palocci foi um ministro da Fazenda que, com o respaldo do presidente Lula, não tergiversou. Essa é uma das marcas da tragédia atual.


O Banco Central de Meirelles


Uma sinalização importante a respeito da economia será o destino do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que passou por uma temporada de denúncias – infundadas, segundo boas fontes – e ultimamente tem sido deixado em paz.


Meirelles seria um dos “fiadores”, entre aspas, porque quem conta mesmo é o presidente da República, da manutenção dos fundamentos: metas de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio livre.


Por ironia da vida, Meirelles era politicamente ligado ao PSDB quando foi para o governo.


Mídia e favelas


O Alberto Dines anuncia a presença de MV Bill no programa de televisão do Observatório da Imprensa, hoje à noite. Todo esforço para reaproximar a mídia da realidade das favelas é relevante.


Dines:


– Não é todo dia que se troca um ministro da Fazenda. Itamar Franco teve alguns, até que escolheu Fernando Henrique Cardoso que manteve o mesmo Pedro Malan ao longo dos seus dois mandatos. O presidente Lula parecia seguir igual caminho com Antônio Palocci até que apareceu um caseiro chamado Francenildo. Resultado: o país hoje está embrenhado na macro-economia tentando esquecer as emoções provocadas pela exibição do documentário “Falcão” no “Fantástico” da semana passada.


A mídia não é mais a mesma. No último domingo, tanto o Estadão como a Folha esqueceram-se de que são editados em São Paulo e subiram os morros cariocas para descobrir o Brasil. A mídia saiu-se muito bem na cobertura do caso Palocci – exceto Época – mas a mídia não pode esquecer que desde o assassinato do repórter Tim Lopes mantém-se distante das favelas e dos problemas gerados pelo narcotráfico. Por isso o Observatório da Imprensa vai falar hoje à noite com MV Bill sobre o seu documentário e os seus falcões. Esta é uma história um pouco mais dolorosa do que a troca do ministro da Fazenda. Às dez e meia da noite na rede da TVE e às onze na Rede Cultura.


Nem inferno, nem céu


A preservação das conquistas macroeconômicas é aceita pela maior parte da mídia como a expressão de um consenso na sociedade brasileira. Mas acreditar que a economia “está no céu”, como disse Palocci no discurso de despedida, na sexta-feira passada, é um equívoco.


Alckmin e ética


O governador Geraldo Alckmin foi mal no primeiro teste do exame de ética desde que lançou sua candidatura. Tentou abafar no grito a denúncia de uso irregular de verbas de mídia da Nossa Caixa, banco estadual. A imprensa, excetuado o Estadão, não deixou, e o secretário Roger Ferreira teve que pedir demissão.


Todo o esquema de ligação de verbas públicas com publicidade e mídia precisa ser revisto no Brasil.


TV Berlusconi


A Itália de Silvio Berlusconi supera de longe o Brasil em matéria de manipulação política da mídia.


CPI e João Paulo


Hoje é dia de avaliar que efeitos terá a queda de Palocci na CPI dos Correios e na votação do pedido de cassação do deputado João Paulo Cunha. Amanhã esses dois assuntos estarão na ribalta.


Thomaz Bastos na mira


O Painel da Folha de S. Paulo informa que a oposição terá como alvo imediato, agora, o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos.


# # #


Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br.  

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/03/2006 Marco Antônio Leite da Costa Leite

    Os partidos políticos existentes não são frágeis, na verdade são todos iguais. Existe uma infinidade de partidos, os quais não têm definição ideológica. Os partidos que aí estão têm como princípio defender interesses pessoais ou de grupo. Para eles o povo que vá às favas. Essa postura demonstra o quanto essa tal de democracia é frágil. Para revertermos esse quadro necessitamos de partidos políticos que representem de fato aquilo que os trabalhadores esperam, ou seja, grandes mudanças no sentido de proporcionar melhores condições de vida.

Programas Anteriores

1 2 3 4 5 última

1 de 2625 programas exibidos

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem