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ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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>>País com partidos frágeis
>>Mídia e favelas

Por Mauro Malin em 28/03/2006 | comentários

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País com partidos frágeis


Existem pelo menos três frentes que devem merecer agora a maior atenção da imprensa. Primeiro, as condições em que se travará a batalha da sucessão presidencial. Se é certa a candidatura do governador Geraldo Alckmin pelo PSDB, não é certo que o presidente Lula concorra à reeleição. Com a queda de Palocci, ele vai para a linha de tiro. Esse quadro, dramático do ponto de vista das forças partidárias que há no país, abre oportunidade para uma discussão sobre o regime presidencialista. Mas como pensar em parlamentarismo com partidos tão frágeis?


A guerra das denúncias


A segunda frente de interesse da imprensa é a da guerra suja de dossiês e denúncias, que lhe diz respeito especificamente. A mídia deve reexaminar seus filtros para não se deixar manipular por nenhum lado, muito menos por vigaristas que procurem se aproveitar dos conflitos políticos para fazer chantagens e extorsões.


De olho nas pressões


A terceira frente que se impõe à cobertura atenta da imprensa é a da política econômica. É verdade que, em linhas gerais, a política econômica brasileira independe hoje em boa medida do governante. Há alguns consensos na sociedade e há no governo federal equipes técnicas isentas de envolvimento em partidarização ou em corrupção. Mas as pressões por um retrocesso são fortíssimas. E é no Executivo que elas desaguam. Antonio Palocci foi um ministro da Fazenda que, com o respaldo do presidente Lula, não tergiversou. Essa é uma das marcas da tragédia atual.


O Banco Central de Meirelles


Uma sinalização importante a respeito da economia será o destino do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que passou por uma temporada de denúncias – infundadas, segundo boas fontes – e ultimamente tem sido deixado em paz.


Meirelles seria um dos “fiadores”, entre aspas, porque quem conta mesmo é o presidente da República, da manutenção dos fundamentos: metas de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio livre.


Por ironia da vida, Meirelles era politicamente ligado ao PSDB quando foi para o governo.


Mídia e favelas


O Alberto Dines anuncia a presença de MV Bill no programa de televisão do Observatório da Imprensa, hoje à noite. Todo esforço para reaproximar a mídia da realidade das favelas é relevante.


Dines:


– Não é todo dia que se troca um ministro da Fazenda. Itamar Franco teve alguns, até que escolheu Fernando Henrique Cardoso que manteve o mesmo Pedro Malan ao longo dos seus dois mandatos. O presidente Lula parecia seguir igual caminho com Antônio Palocci até que apareceu um caseiro chamado Francenildo. Resultado: o país hoje está embrenhado na macro-economia tentando esquecer as emoções provocadas pela exibição do documentário “Falcão” no “Fantástico” da semana passada.


A mídia não é mais a mesma. No último domingo, tanto o Estadão como a Folha esqueceram-se de que são editados em São Paulo e subiram os morros cariocas para descobrir o Brasil. A mídia saiu-se muito bem na cobertura do caso Palocci – exceto Época – mas a mídia não pode esquecer que desde o assassinato do repórter Tim Lopes mantém-se distante das favelas e dos problemas gerados pelo narcotráfico. Por isso o Observatório da Imprensa vai falar hoje à noite com MV Bill sobre o seu documentário e os seus falcões. Esta é uma história um pouco mais dolorosa do que a troca do ministro da Fazenda. Às dez e meia da noite na rede da TVE e às onze na Rede Cultura.


Nem inferno, nem céu


A preservação das conquistas macroeconômicas é aceita pela maior parte da mídia como a expressão de um consenso na sociedade brasileira. Mas acreditar que a economia “está no céu”, como disse Palocci no discurso de despedida, na sexta-feira passada, é um equívoco.


Alckmin e ética


O governador Geraldo Alckmin foi mal no primeiro teste do exame de ética desde que lançou sua candidatura. Tentou abafar no grito a denúncia de uso irregular de verbas de mídia da Nossa Caixa, banco estadual. A imprensa, excetuado o Estadão, não deixou, e o secretário Roger Ferreira teve que pedir demissão.


Todo o esquema de ligação de verbas públicas com publicidade e mídia precisa ser revisto no Brasil.


TV Berlusconi


A Itália de Silvio Berlusconi supera de longe o Brasil em matéria de manipulação política da mídia.


CPI e João Paulo


Hoje é dia de avaliar que efeitos terá a queda de Palocci na CPI dos Correios e na votação do pedido de cassação do deputado João Paulo Cunha. Amanhã esses dois assuntos estarão na ribalta.


Thomaz Bastos na mira


O Painel da Folha de S. Paulo informa que a oposição terá como alvo imediato, agora, o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos.


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Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br.  

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