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ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Por Luciano Martins Costa em 17/11/2008 | comentários

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Para ler ao poucos

As edições do fim de semana, completadas pelos jornais desta segunda-feira, trazem um mosaico que precisa ser juntado pelo leitor para que ele possa entender como vai funcionar a economia global daqui para a frente.

Em algum momento no futuro, historiadores vão destacar este período como o ponto de mutação das relações de negócios em escala global, após a eclosão da crise financeira originada nos Estados Unidos.

As 47 recomendações feitas pelos líderes das vinte nações desenvolvidas e em desenvolvimento contêm as regras gerais que deverão reorganizar o fluxo de capitais ao redor do mundo.

O teor geral do documento firmado pelos chefes de Estado indica claramente o propósito de aumentar o controle sobre atividades financeiras privadas, como contrapartida à criação de políticas fiscais para estimular a economia, mas a imprensa se esforça para minimizar esse aspecto da cúpula mundial.

Não há como desviar do ponto central: acabou a liberdade absoluta dos capitais, que migravam de um ponto a outro do planeta em busca de privilégios cada vez maiores e minavam a capacidade de planejamento das economias nacionais.

O estabelecimento de um colegiado para monitorar as trinta maiores instituições financeiras globais é uma proposta clara de controle dos capitais e restabelece parte da soberania dos Estados sobre os recursos disponíveis para as políticas de desenvolvimento.

Embora ainda se trate de uma lista de recomendações, o resultado da reunião do G-20 é absolutamente prático, pois a partir dessas linhas gerais o próprio mercado passa a raciocinar em temos de mais controle.

Entre as medidas anunciadas destacam-se a retorma de instituições multilaterais, o reposicionamento e controle das agências de avaliação de risco, a criação de padrões contábeis globais para inibir fraudes e manipulações e a universalização das práticas mais transparentes de governança corporativa.

É material para ser digerido ao longo da semana.

Mas, logo no enunciado, o leitor há de sentir a falta de referência à outra crise que se desenvolve rapida e inexorável sob o barulo da hecatombe financeira: a crise ambiental.

Os chefes de Estado miraram apenas o problema financeiro, os jornais também enxergaram apenas a crise financeira.

Essa pode ser a diferença que os historiadores vão apontar no futuro: 2008 pode ter sido o ano em que o ser humano salvou o cofre e deixou a casa afundar.

Com as bênçãos da imprensa

Jornais e revistas deixam leitor no escuro com relação ao acordo entre o Brasil e o Vaticano.

Alberto Dines:

– A imprensa brasileira, mais uma vez, se irmana para ludibriar a sociedade. E desta vez com as bênçãos e o beneplácito de duas poderosas instituições: o governo federal e a Igreja Católica. Na quinta-feira, dia 13/11, foi assinado em Roma um tratado entre o Estado Brasileiro e o Vaticano. A imprensa estava toda lá acompanhando o presidente Lula e de comum acordo resolveu comer mosca. O tratado foi anunciado muito discretamente como simples ‘acordo administrativo’, dentro dos preceitos legais que determinam completa separação entre Estado e Igreja. Na sexta-feira, o assunto foi ostensivamente abafado por todos: o Estado de S. Paulo menciona um agradecimento do Sumo Pontífice, Bento XVI, ao presidente Lula pela assinatura do acordo, mas omite o seu teor; a Folha reproduz declaração da CNBB negando qualquer privilégio, mas também não oferece detalhes sobre o que foi assinado e o Globo situa o tratado no âmbito do ensino religioso. Para evitar reações políticas, todos os jornalões enfatizaram a presença da ministra Dilma Roussef na audiência com o Papa e com isso o assunto ficou na esfera sucessória. Não é, trata-se de matéria constitucional. Sábado e domingo silêncio total tanto da parte dos jornalões como das revistas semanais. A verdade é que este acordo, tratado, Concordata, capitulação ou que nome tenha, deveria ter sido amplamente divulgado antes de assinado. Não foi e pelo visto, se depender da grande imprensa, dificilmente será. Nem a poderosa mídia eletrônica evangélica protestará, porque não está interessada no ensino religioso. O que ela deseja é continuar distribuindo aos seus deputados mais e mais concessões de radiodifusão. Esta é a forma com que o governo gerencia o seu laicismo: oferece vantagens às confissões majoritárias e não se importa em atropelar o espírito e a letra da Carta Magna.

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