Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

Programa nº 65

Mauro Malin

>>Presidente busca confronto
>>Carlos Chagas antecipou

Por Mauro Malin em 03/08/2005 | comentários

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Presidente busca confrontação


O caminho de confronto sistemático com a imprensa adotado pelo presidente Lula é preocupante. Ontem, Lula disse que a mídia, no mundo inteiro, gosta de valorizar coisas ruins. Como as televisões ontem à noite, os jornais desta quarta-feira, 3 de agosto, dão destaque à belicosa declaração.


Existe uma inclinação geral para filtrar os conflitos mais dolorosos, mas os fatos teimam em tornar a situação mais grave. Na manchete da Folha de S. Paulo de hoje o nome do presidente aparece vinculado a uma revelação feita por Roberto Jefferson sobre tratativas com a Portugal Telecom em Lisboa. No Estado de S. Paulo, a manchete também envolve um assunto muito grave, o assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel, em 2002.


Projeções para 2006


A consultoria Tendências divulgou ontem previsão de segundo turno em 2006. Rogério Schmitt assina o texto, segundo o qual o panorama indica que haverá cinco candidatos com chance de ter pelo menos 5% no primeiro turno. Desde 1989, toda vez que isso aconteceu houve segundo turno. É premissa de Schmitt que o presidente Lula será candidato à reeleição.


Carlos Chagas antecipou


O editor do Observatório da Imprensa online, Luiz Egypto, resume o extraordinário caso da reportagem de Carlos Chagas que antecipou, em fevereiro de 2004, todo o esquema das relações de Marcos Valério com o PT.



Egypto:


− Faz hoje 81 dias que a mídia vem seguidamente tratando da maior pauta dos últimos anos – a crise política e os seus desdobramentos. Ontem, o país parou para assistir ao depoimento do deputado José Dirceu na Comissão de Ética da Câmara.


Mas um ponto passou despercebido. A história das relações escabrosas entre o lobista Marcos Valério e o PT, cuja revelação derrubou a cúpula do partido e, de quebra, o ex-ministro Dirceu, foi contada pela primeira vez na imprensa, e em detalhes que depois se confirmaram, no dia 28 fevereiro do ano passado.


Num artigo curto, de 404 palavras, no jornal Tribuna da Imprensa, o jornalista Carlos Chagas escancarou todo o esquema cujos pormenores só viríamos conhecer 15 meses depois.


Por que a imprensa, à época, não foi atrás do furo de Chagas? Por que não produziu suítes? Os pauteiros cochilaram. Este e outros assuntos estão na edição do Observatório na Web.


Tanta coisa nos jornais


Pois é. Não foi por acaso que o general Golbery do Couto e Silva deu como tarefa aos agentes do SNI, logo após sua criação, em 1964, colecionar recortes de jornais. A quantidade de fatos revelados nos jornais, muitas vezes sem continuidade, está além da capacidade de apreensão não só de um indivíduo, mas de grupos inteiros, como redações de jornais.


E há ainda os fatos apurados, mas sem condições de publicação, como se lê hoje na Folha a respeito do caso da Portugal Telecom. Roberto Jefferson tinha mencionado o assunto sem autorizar a divulgação.


Parlamentares donos de mídia


Eunício Oliveira tinha concessão de emissoras de rádio e televisão, Hélio Costa tem. Ambos ministros das Comunicações, ambos parlamentares. Em frontal desrespeito à lei. No Observatório da Imprensa de ontem na televisão foi debatido o problema do controle de meios de comunicação eletrônicos, que dependem de concessão, por parlamentares.


O Alberto Dines relembrou que ficou esquecida no noticiário da crise do mensalão uma reportagem da revista Época que mostrava como o deputado Roberto Jefferson tinha usado um “laranja” para controlar emissoras de rádio. O caso acabou resvalando para o folclórico. O “laranja” é um ex-segurança de Jefferson que virou dono de sorveteria na cidade fluminense de Cabo Frio.


Oeste baiano


O jornal Valor noticia hoje a chegada da cana-de-açúcar ao Oeste baiano, onde o Cerrado foi conquistado por sulistas para a plantação de soja, milho, algodão e outras culturas. O Congresso dos Estados Unidos concluiu um projeto de lei sobre energia que determina a mistura de 28,8 bilhões de litros de etanol na gasolina em 2012. Foi uma vitória do lobby dos fazendeiros do Meio-Oeste e da indústria americana de etanol, mas pode beneficiar agricultores brasileiros, porque o volume, muito alto, parece estar além da capacidade local de produção prevista para aquela data.

Todos os comentários

  1. Comentou em 04/08/2005 Diogo Santos

    Concordo como o comentário sobre o programa do jô.

    Primeiro que nunca vi este apresentador entrevistar tantos políticos como vem entrevistando (até entendivel se tratando da atual crise do governo, mas como o Mauro mesmo disse, aquele é um programa de entretenimento). Mas se repararmos, isso só começou a acontecer quando no início foi o Roberto Jeferson, ou seja, na época ficou a impresão do herói da pátria e foi até aplaudido. Logo ficou uma impressão um pouco mais perceptivel da rede globo.

    Agora, vale reparar que quando vai gente do psdb lá eles falam e falam e falam e nem uma palavrinha do entrevistador. Do contrário, gente do pt: corte corte corte corte. Obrigado.

  2. Comentou em 04/08/2005 Wilson Silva

    Pode até ser que não haja conspiração. Mas não vi nenhuma demagogia no que disse o presidente Lula. Pelo que vi e ouvi da sua declaração lá em Garanhuns, ele disse o óbvio: os culpados devem ser punidos, desde que seja comprovados os fatos. Ele apenas pediu justiça. Não vi nenhum confronto com a imprensa, a não ser esta que, pelo jeito, vestiu a carapuça.

  3. Comentou em 04/08/2005 Angela Wolff

    Agora que descobri o OI, não deixo mais o Dines em paz. Mas ja escrevi dizendo que me sentia pressionada, e até agredida pela mídia, em razão daquilo que julgo um abuso. Outro dia no Jô, não sei se viram, uma jornalista, com a maior desfaçatez, acho que Ana Taham, algo assim, dizer, Mas Jô, o jornalista fica ali na porta do porão, conversa com um deputado ou senador amigo, que vai lá, pega uma informação para você, e você tem que fechar a edição do dia, pega mesmo e manda. Olha só a qualidade do jornalista, na condição em que as coisas estão, que a gente não consegue ficar com uma informação por 24 horas. Fazer uma coisa destas. Não que justifique, mas, por ex., hoje, depoimento da Simone, o ACM Neto fazia uma conta, considerando que o montante do valor, sem somar todas as empresas que depositaram na conta do Rural, a conta não fechava, e só para ver a falta de profissionalismo tem jornais que publicaram assim. Só que, detalhe, [João] Paulo Cunha não recebeu 200, mas 50. E os jornais fazem isso mesmo, que foi colocado. A manchete busca uma frase solta de contexto ou interpretada. Que, visivelmente, piora a percepção das coisas. Ataca de forma leviana o governo, depois a imprensa solta anotinhas com retificação quando isso acontece. Hoje teve uma declaração na TV, Bandnews, de que Lula disse não depender de ninguém para ter ganho as eleições. Isto dá a entender para o povo que escuta assim, que foi isso mesmo. Não só não foi isso como ele disse textualmente, que se venceu foi porque o povo assim quis. Se a gente não olha direito a gente já diz Meu Deus o Lula se atrapalhando novamente. Então acho que muita coisa precisa ser revista pelas pessoas sérias da imprensa, [elas precisam] se posicionar. No programa do Jô agora fica uma coisa ridicula, ele chama os deputados, e principalmente petistas. O Jô faz assim uma tese e diz ao petista. Não é assim. Quer dizer, não entendo isso, uma resposta que não tem saída para quem responde, ele obriga a concordar coma a tese dele. Do contrário começa a cortar, corta no meio da explicação. As jornalistas não param de falar juntas, uma coisa. Bem, mas era isso, um abraço.

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