Domingo, 16 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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>>Procura-se candidato honesto
>>Paula, a brasileira

Por Luciano Martins Costa em 19/02/2009 | comentários

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Procura-se candidato honesto

Esta história, estampada hoje nas editorias de Política dos jornais brasileiros, é exemplar: o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e seu vice, José Lacerda Neto (DEM), foram cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral e pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e econômico.

Eles fizeram mal feito aquilo que quase todos fazem de forma mais ou menos competente: usar recursos ilegais para ganhar eleição.

Em lugar de Cunha Lima, a Assembléia Legislativa da Paraíba diplomou ontem o segundo colocado na eleição de 2006, o ex-senador José Maranhão.

Pois bem: Maranhão também corre o risco de ser cassado, assim como o suplente que assumiu seu lugar no Senado.

Cunha Lima perdeu o governo por ter distribuído 35 mil cheques de R$ 150 e R$ 200 para eleitores, durante a campanha de 2006.

O processo só terminou anteontem, quando o TSE decidiu, por unanimidade, que ele deveria deixar o cargo.

José Maranhão, o segundo colocado na eleição, está liberado para tomar posse, mas também corre o risco de ser cassado.

Ele é acusado de crime semelhante e responde a dois processos: num deles, é acusado de promover troca de votos por cargos, e em outro por haver distribuído 50 mil camisetas para ganhar eleitores.

A diferença entre Cunha Lima e José Maranhão é que, no caso do primeiro, a Justiça eleitoral demorou apenas dois anos para completar o julgamento, pegando o governador em pleno mandato.

O caso do suplente que assumiu a cadeira de José Maranhão no Senado é um pouco mais complicado.

O agora senador Roberto Cavalcanti Ribeiro pode perder o cargo se o novo governador vier a ser cassado, mas também tem encrencas de outro tipo na Justiça.

Ele é processado por corrupção numa ação que tramita na Justiça Federal desde 2004.

Dono de duas empresas envolvidas em irregularidades, ele teria usado um esquema de operações fraudulentas para deixar de pagar mais de R$ 18 milhões em empréstimos junto à Finep.

Roberto Cavalcanti Ribeiro é acusado de corrupção ativa, formação de quadrilha, uso de documentos falsos e estelionato.

Nada mal, para um senador da República.

Agora os jornais poderiam levantar os corrículos de outras figuras notórias do Congresso.

Quem sabe produz-se uma lista de contra indicações para futuras eleições.

Paula, a brasileira

Quando surgiu no noticiário, denunciando ter sido atacada por neonazistas na Suíça, a advogada Paula Oliveira era tratada como ‘a jovem brasileira’.

Agora que ela á acusada de haver inventado a história, a Folha de S.Paulo e o Globo passam a chamá-la de ‘a pernambucana Paula Oliveira’.

Mas essa é apenas uma das trapalhadas da história.

Alberto Dines:

– A nossa advogada em Zurique, Paula Oliveira, já está em casa descansando mas aqui continua o show de barbaridades a propósito do episódio. Uma das últimas foi oferecida pelo chanceler Celso Amorim que costuma ser cauteloso e ponderado nas suas manifestações públicas. Mas como se tratava de justificar o seu desempenho pessoal tão logo estourou o caso, foi obrigado a apelar para a paupérrima desculpa da verossimilhança.

Algo fantasioso também pode ser verossímil, dizem os dicionaristas, o que não significa que seja verdadeiro.

Um turista estrangeiro no Rio de Janeiro pode acusar de ladrão um inocente ciclista que nele esbarrou porque a violência na cidade torna a história perfeitamente verossímil. Um banqueiro que faz cooper na praia com uma mochila nas costas pode ser acusado de estar fugindo do país com o dinheiro dos clientes. Não é verdade mas é verossímil diante de tantos escândalos financeiros.

Uma autoridade não pode se fiar nas aparências, elas podem ser enganosas. Nem todo vereador é infrator embora seja verossímil que um deles em atitude suspeita esteja cometendo um ilícito. A teoria da verossimilhança é, em si, anti-jurídica, anti-ética e, sobretudo, preconceituosa.

Mas também é xenófoba, racista e irracional. Nem todo jornalista é irresponsável mas se ele se agarra à teoria da verossimilhança pode ser confundido com um neo-nazista, neo-fascista ou neo-stalinista. Seria perfeitamente verossímil.

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