Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 27

Mauro Malin

Programa 27
>> Ainda o velho SNI
>> Iniciativa de investigar não é da mídia
>> Proposta audaciosa
>> Nem tudo brilha no agronegócio
>> Gás natural
>> Talento galhofeiro

Por Mauro Malin em 10/06/2005 | comentários

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Ainda o velho SNI

 

A polícia prendeu quatro acusados de terem feito o vídeo divulgado pela revista Veja. Isso quer dizer que, no entendimento da policia, a gravação do vídeo foi um ato criminoso, uma operação de chantagem. E, fato grave, com participação de remanescentes do SNI, o Serviço Nacional de Informações da ditadura. Em conflito com o novo diretor da Abin, Agência Brasileira de Inteligência, Mauro Marcelo Lima e Silva, amigo do presidente Lula.

 

Percebe-se que o artigo assinado por Mauro Marcelo na revista IstoÉ, criticando como traidor Mark Felt, o Garganta Profunda do caso Watergate, foi um recado para dentro da própria Abin.

 

As fitas brutas gravadas pelo governador de Rondônia, Ivo Cassol, exibidas pela Rede Globo, também foram apreendidas.

 

Iniciativa de investigar não é da mídia

 

As prisões feitas pela Polícia Federal confirmam que a Veja foi instrumento. Para o mal, o interesse dos supostos chantagistas, e para o bem, a revelação à opinião pública de algo dolorosamente importante.

 

A outra grande bomba, a entrevista do deputado Roberto Jefferson à Folha de S. Paulo, foi, claro, iniciativa dele.

 

Em menos de uma semana a cena política do país deu uma guinada que devorou mais um naco da credibilidade do governo e do presidente Lula e começou a ter efeitos específicos na economia.

 

A mídia, que é o maior agente do processo, entrou nele a reboque e continua a reboque. Novos lances de denuncismo estão nas dobras do futuro imediato. Que não se perca de vista o essencial, ou seja, como tudo isso pode ser aproveitado para melhorar os padrões da vida pública brasileira. Com ou sem reforma política.

 

Proposta audaciosa

 

Sobre o contraste entre manchetes e caminhos para superar a crise, o Alberto Dines destaca a visão do governador do Acre, Jorge Viana. Fala, Dines.

 

Dines:

 

− Enquanto a mídia pratica o seu esporte radical preferido, o manchetismo, esquece de cumprir os seus exercícios de relaxamento. Explora as crises até o paroxismo e não presta atenção às soluções. Uma destas soluções – extremamente audaciosa – foi proposta no último fim de semana pelo governador do Acre Jorge Viana em entrevista à IstoÉ. Jorge Viana afirma sem rodeios que a solução para a crise no legislativo, antes mesmo da propalada reforma política, está na imperiosa uma aproximação do PT com o PSDB.

 

Eleito pelos tucanos e também pelos tico-ticos, Jorge Viana é amigo pessoal de Lula e de FHC. Para ele enquanto durar o duelo PT-PSDB quem vai ganhar vai ter que apelar para os fisiológicos e são os fisiológicos que estragam tudo. Passados cinco dias percebe-se que nenhum jornal e nenhum colunista teve a coragem de dar força à corajosa proposta de Jorge Viana. Estão todos ocupadíssimos em preparar a grande fogueira de São João, esquecidos de que mais inteligente e patriótico seria fabricar o cachimbo da paz.

 

Nem tudo brilha no agronegócio

 

Solitário, o jornal Valor destaca hoje o tamanho da dívida dos agricultores. Doze bilhões de reais em atraso, de um total de 37 bilhões.

 

O assunto foi ofuscado pelos êxitos notáveis do agronegócio brasileiro. Mas preocupa o governo há um ano, como se pode ler na internet. A imprensa dormiu mais uma vez. Sono longo.

 

Gás natural

 

O Estado de S. Paulo desta sexta-feira, 10 de junho, diz que a Petrobrás vai começar a racionar gás natural devido à crise boliviana. A Folha diz que não vai.

 

Entendam-se, pede o leitor.

 

O fato é que o problema existe, é a maior preocupação específica do Brasil em face dos problemas da Bolívia, e demorou a chegar às manchetes.

 

Talento galhofeiro

 

A Polícia Federal, que trabalha completamente antenada na mídia, deu uma de engraçadinha ao batizar a operação em que foram presos quatro acusados de gravar o vídeo nos Correios. O nome é Operação Deus nos Acuda.

 

Bola passada limpa para chute em gol. Gol da galhofa brasileira.

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