Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 30

Mauro Malin

Programa 30
>> Fonteles na TV define `manchetismo´
>> Uma longa travessia
>> Resistência à discussão
>> Óbvio, e a mídia não viu
>> Um novo olhar
>> Observatório online
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Por Mauro Malin em 15/06/2005 | comentários

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Fonteles na TV define `manchetismo´

 

No programa de ontem à noite do Observatório da Imprensa na televisão, o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, informou que começa amanhã, quinta-feira, a instruir iniciativas de apuração dos fatos denunciados nas últimas semanas.

 

Fonteles destacou que a característica mais negativa do que chama de ‘manchetismo’ é a imprensa trabalhar na base de espasmos, sem continuidade. Uma nova onda de rebeliões de presos, com cinco homens degolados em Presidente Venceslau, interior paulista, não o deixa mentir.

 

Uma longa travessia

 

A jornalista Renata Lo Prete, autora das entrevistas com Roberto Jefferson na Folha de S. Paulo, chamou a atenção para o fato de que o depoimento de Jefferson é só o início de uma longa travessia, que vai testar a competência da imprensa. Ela recomendou equilíbrio.

 

O jornalista Luís Carlos Bernardes, de Belo Horizonte, sugeriu que a atual crise poderia dar mais vida ao Conselho Nacional de Comunicação, que seria uma instância relevante para discutir o papel da imprensa hoje no Brasil.

 

Resistência à discussão

 

Você, Dines, tem mostrado que a imprensa brasileira ainda não assimilou a prática de discutir seus próprios procedimentos, e repetiu isso ontem na televisão.

 

E é verdade. Como apontou Ancelmo Gois, o deputado Jefferson tentou em seu depoimento criar cizânia entre os meios de comunicação. Disse que a Veja é tucana, que os veículos das Organizações Globo são um ‘diário oficial’, que o Estado de S. Paulo preferiu linchá-lo e, por isso, procurou a Folha para falar.

 

Ontem, a Rede Globo evitou a armadilha de omitir as declarações de Jefferson, mas abordou o assunto de modo sumário. A Folha tentou sem sucesso ouvir os veículos para sua edição de hoje.

 

Quando maiores são a oportunidade e a necessidade de se produzir mais transparência a respeito de como trabalha a mídia, ela vai para a retranca.

 

Óbvio, e a mídia não viu

 

Roberto Jefferson fez tudo estudadamente, e só disse o que lhe convinha.

 

Mas deu pistas muito concretas de assuntos que a mídia poderia ter investigado nos últimos trinta dias. Por exemplo, ter verificado quais são os postos de direção dos Correios ocupados por indicação da cúpula do PT. Diretoria de Tecnologia, Rede Postal Noturna, citou Jefferson, trocando os nomes. Tão óbvio, e nada.

 

Um novo olhar

 

Por si só, o depoimento de Roberto Jefferson constituiria um marco na vida política do país. Porque é alguém de dentro que abre o jogo para tentar se salvar, ou arrastar outros na sua queda. E sempre que as barreiras de um sistema corporativo são rompidas, fica-se sabendo de muita coisa relevante. Aqui, há um arco que vai do governo aos partidos, passando por empresas e agências de publicidade.

 

Mas a discussão de hoje é totalmente diferente das discussões anteriores. Só para dar uma idéia de como as coisas mudaram: na época do impeachment de Collor não havia internet e a televisão a cabo estava iniciando suas operações no Brasil. Hoje, os blogs são citados nos jornais.

 

Observatório online

 

Vamos saber de seu editor, Luiz Egypto, o que traz o Observatório da Imprensa online desta semana.

 

Egypto:

 

– A França comemora a libertação da repórter Florence Aubenas, do diário Libération. Durante o seqüestro, os principais jornais franceses publicaram diariamente fotos dela e de seu guia iraquiano, também libertado, contando o número de dias em que estavam desaparecidos. Os dois passaram a simbolizar o direito da imprensa de informar, e de não se contentar com uma cobertura de segunda mão ou apenas baseada em dados oficiais.

 

A edição online destaca ainda a mídia e a crise política; trata de uma bela reportagem sobre o entorno de uma loja de alto luxo, em São Paulo; e critica as, digamos, licenças jornalísticas do colunismo político.

 

Saga e prejuízos do Citigroup

 

No Valor de hoje, reportagem da agência Bloomberg faz o balanço dos prejuízos causados aos acionistas do Citigroup em dezenove anos, desde que o banco começou a se transformar na maior empresa financeira do mundo. É, como quase sempre, a sabedoria da visão retrospectiva. Que tal pensar na cobertura dada pela mídia a essa saga?

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