Sábado, 27 de Maio de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº943

Programa nº

Mauro Malin

Programa 476
>>Ressaca Etílica
>>PMDB, PT e sucessões

Por Mauro Malin em 12/03/2007 | comentários

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Mauro:


– Bom dia, Alberto Dines, bom dia, ouvinte


Ressaca Etílica


Dines: 


– Enquanto o presidente Bush prossegue seu périplo latino-americano, nossa mídia curte uma ressaca etílica. Ontem, o Estadão, o mais ruralista dos nossos grandes veículos, comemorava o início da maior safra de cana da nossa história enquanto a Folha, mais cética, avisava que sem investimentos seremos logo ultrapassados por concorrentes mais ágeis. Nossa mídia não soube acompanhar o Proálcool há mais de 30 anos porque estávamos em plena ditadura, os democratas então chamados de liberais não podiam enxergar as dimensões da “revolução verde” porque ela estava sendo comandada por um ditador, o general Ernesto Geisel. A mistura do álcool na gasolina, depois os carros movidos a álcool e, mais recentemente, os motores flex, bi-combustíveis, só foram acompanhados pelas revistas especializadas, a grande mídia ficou de fora. No máximo faturou os anúncios. A verdade é que a nossa imprensa é essencialmente urbana, a mídia interiorana além de pequena, prefere reproduzir os modismos da grande imprensa e nossos jornalistas só calçam botas em dia de enchente ou quando participam de festas juninas. Mesmo que a parceria firmada na sexta feira entre os presidentes Lula e Bush demore para dar frutos, vamos precisar de uma imprensa com o pé na terra. Literalmente.


 Mauro:


– Esse foi Alberto Dines. Eu sou Mauro Malin. Você ouve o Observatório da Imprensa, um programa da Rádio Cultura FM de São Paulo.


PMDB, PT e sucessões


A convenção do PMDB que reelegeu michel temer é apenas mais um evento tedioso do maior e mais antigo e macunaímico partido do país, certo? Errado. A convenção teve relação com alguns processos estratégicos que podem ser enxergados com clareza quando se supera o fatiamento do noticiário. Estão em jogo: a sucessão presidencial de 2010 e, acredite quem quiser, a sucessão de 2014, sucessões estaduais de 2010 – a luta interna do PT – o realinhamento da oposição ao governo Lula, as relações entre o governo e o Congresso e, last but not least, o funcionamento do segundo governo Lula. Até o ex governador Garotinho, que já foi candidato à presidência da República com 15% do eleitorado, jogou uma carta importante na convenção.


Geddel e o São Francisco


Os jornais mencionam que a anunciada nomeação do deputado Geddel Vieira Lima para o ministério da integração nacional será uma recompensa pelo papel que desempenhou na eleição de Jacques Wagner para o governo da Bahia. E, de quebra, mais uma estocada no senador Antônio Carlos Magalhães, de quem o deputado é inimigo jurado. Por enquanto, se esqueceram de dizer que se trata do ministério encarregado de tocar a transposição das águas do rio São Francisco. Historicamente, o governo da Bahia é contra a transposição do São Francisco.


História é uma aventura séria


A redatora-chefe da revista Aventuras na História, Patrícia Hargreaves, que já passou por jornais e revistas com públicos variados, destaca a busca da qualidade como requisito essencial para fazer uma publicação desse tipo.


Patrícia:


– É basicamente critério, e depois bom senso, a checagem exaustiva. Eu acho que uma revista de História, para o jornalista, é o paraíso do ditado “Deus mora no detalhe”. Por conta disso, você tem que tratar o tema com zelo, com cuidado, como todo bom jornalismo é feito. E você tem que ser desconfiado. Acho que todo repórter, antes de saber perguntar, tem que saber desconfiar. Se você, numa matéria de Economia, de Mundo, de Nacional, tem uma janela de 21 polegadas, dando um exemplo de televisão, em História você tem uma tela de cinema. A proporção é essa. E tem que estar tudo uniforme, cuidado, limpinho, e checado.


Os leitores de História são apaixonados pelo tema. É difícil você escrever para uma pessoa que nunca tenha visto nada sobre aquilo. Se você compra uma revista de História, você se identificou com alguma coisa que tenha na capa. Você conhece, já ouviu falar, alguém te contou. Então, [a pessoa] já vai de espírito prevenido. Já vai com algum tipo de conhecimento para aquilo. Quem escreveu? Quem publicou? Você tem que ter certeza de que é verdade e que é o correto.


Mauro:


– Uma entrevista de Patrícia Hargreaves e da editora de arte da revista, Débora Bianchi, está no site do Observatório.


Ouvinte, acompanhando o Observatório da Imprensa pela internet, pela televisão ou pelo rádio, você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito.

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  1. Comentou em 12/03/2007 Kleber Carvalho

    Malin, enxergados se escreve assim, ou assim enchergados????? Fique tranquilo , errar é humano.

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