Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº

Mauro Malin

Programa 70
>>Desânimo conformista
>>Coronelismo eletrônico

Por Mauro Malin em 10/08/2005 | comentários

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Desânimo conformista

 

A imprensa está acostumada a identificar mocinhos e bandidos. Quando isso se torna complicado e a extensão dos problemas parece avassaladora, começa-se a dizer que o país não tem conserto.

 

Na Folha de S. Paulo desta quarta-feira, 10 de agosto, o empresário Oded Grajew rebate artigo em que o jornalista Clovis Rossi se deixou levar pela idéia de que o país é, entre aspas, “podre e não tem solução”. Na mesma Folha, o jornalista Fernando Rodrigues denuncia a operação abafa, mas parte de uma premissa inaceitável: a de que o Brasil é um país “abúlico, atrasado e de quinta categoria”. O Brasil pode não caber na receita de país que o jornalista tem em mente, mas não é nada disso que ele escreve.

 

 

Imprensa faz diferença

 

Foi pressão que levou o deputado Severino Cavalcanti a mudar sua decisão sobre processos de cassação. Pressão que a mídia ajudou a exercer.

 

Margem de erro

 

Três CPIs e o Conselho de Ética representam uma maratona praticamente sobre-humana. Como não existem super-homens, só nas historinhas, a margem de erro da mídia vai aumentar.

 

Lula volta ao ringue

 

A melhor notícia de hoje está na Folha: o presidente Lula pretende ir à televisão falar sério sobre a crise. E decidiu se candidatar à reeleição. A menos que o presidente esteja envolvido em algo que o torne digno de impeachment, o cenário ideal é deixar o povo julgar. Com todos os defeitos do processo eleitoral, que deverá ser mais despojado.

 

 

Coronelismo eletrônico

 

Uma parcela grande da mídia não tem isenção porque pertence a partes interessadas, detentores de mandatos, como explica Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa online.

 

Egypto:

 

− Até 1988, a outorga e a renovação das concessões de rádio e televisão eram prerrogativas exclusivas do Poder Executivo. Com a nova Constituição promulgada naquele ano, tornou-se obrigatório que essa decisão fosse referendada pelo Legislativo – isto é, pelos representantes do povo. Isso foi considerado um importante impulso para a democratização das comunicações no Brasil.

 

Mas o que parecia ser um avanço na legislação revelou-se um tremendo retrocesso. Deputados e senadores concessionários de emissoras de rádio e TV têm participado ativamente nos trabalhos da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), na Câmara dos Deputados, e da Comissão de Educação, no Senado Federal – ambas instâncias decisivas não só na tramitação dos processos de renovação e de homologação das concessões, mas também na aprovação de qualquer legislação relativa à radiodifusão. Em suma: esses parlamentares legislam em causa própria. O novo coronelismo eletrônico no país é um dos destaques da edição online do Observatório.

 

A face social do Rural

 

Janine Saponara, da Lead Assessoria de Comunicação, especializada no terceiro setor, estuda a atitude dos jornalistas em face da chamada responsabilidade social das empresas. Ela cobra mais atenção.

 

Janine:

 

− Eu tenho pesquisado bastante, e vai ser o tema da minha tese de mestrado, como o jornalismo tem ajudado ou atrapalhado o desenvolvimento do terceiro setor no Brasil, principalmente com as matérias de investimento social privado. Ainda bem que o investimento social privado tem crescido bastante no Brasil, isso é ótimo, mas os jornalistas têm que cumprir o seu papel investigativo mesmo nessas matérias que a gente chama de boas notícias. Não podemos perder o nosso foco de perguntar de onde vem esse dinheiro, quem são os investidores desse dinheiro, para onde vai esse dinheiro, qual é o controle que está sendo feito.

 

Essas perguntas ajudam os jornalistas a não fazerem grande matérias sobre institutos e fundações como, por exemplo, o do Banco Rural, que investe socialmente, aplica investimento social privado, sim, sem dúvida, mas o banco, que é o provedor do Instituto Junia Rabello, ajudou a corrupção a tirar muito dinheiro público que poderia ter ajudado, por exemplo, o Bolsa Família e vários outros programas sociais do governo.

 

Mauro:

 

− O exemplo dado pela jornalista Janine Saponara pode ser conferido no endereço (institutojuniarabello.com.br). Uma pesquisa no Google aponta para mais de 800 ocorrências, muitas delas notícias sobre ações sociais do instituto.

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