Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 663

>>Renan volta ao palco
>>Mais corrupção

Por Luciano Martins Costa em 29/11/2007 | comentários

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Renan volta ao palco

Os jornais de hoje evitam apostar que Renan Calheiros será cassado na semana que vem.

O relatório pedindo sua punição foi aprovado ontem na Comissão de Constituição e Justiça do Senado por 17 votos a 3, mas sabe-se que essa votação apenas considerou as condições do processo para ser levado ao plenário.

Mesmo senadores que votaram na comissão a favor da continuação do julgamento já declararam que votarão a favor de Renan no plenário, na semana que vem.

O Estado de S.Paulo lembra que, dos 81 senadores, pelo menos 23 são proprietários de emissoras de rádio ou televisão. Desses 23, 17 colocaram as emissoras em nome de parentes quando foram eleitos.

Renan vai ser julgado sob acusação de haver comprado duas emissoras de rádio em Alagoas em nome do filho e de um assessor e com dinheiro de origem não esclarecida.

Do mesmo pecado de que ele é acusado o Congresso está cheio.

Muitos senadores temem que a cassação de Renan produza uma investigação mais extensa sobre a questão da propriedade de serviços de radiodiufusão, que é proibida a parlamentares.

Ontem, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, senador Marco Maciel, tirou da gaveta um requerimento do senador Eduardo Suplicy pedindo que o Senado se pronuncie oficialmente se parlamentares podem ou não ser donos de emissoras de rádio e TV.

Se cassarem Renan com base na denúncia de que ele comprou irregularmente as emissoras, muitos senadores poderão criar um precedente contra si mesmos.

Com o persistente senador Suplicy como autor do requerimento e tendo o senador Pedro Simon como relator, a consulta certamente vai incomodar muitos parlamentares.

Portanto, dos 81 senadores, Renan pode contar com os votos favoráveis dos 27 que também possuem emissoras, entre os quais se encontram até mesmo senadores do PSDB.

Parece simples e com pouca relação com a ética e a correção na política.

Mas é assim que funciona.

Mais corrupção

O Globo traz hoje na manchete mais um caso de corrupção.

Traz também um caderno especial sobre a chegada da família real portuguesa ao Rio, ocorrida num ensolarado 29 de novembro, dois séculos atrás.

Foi ali que tudo começou.

Segundo o Globo, o novo caso de corrupção, desmontado pelo Ministério Público, provocou um rombo de 1 bilhão de reais nos cofres públicos e chegou a afetar a receita tributária do Estado do Rio em valores que as autoridades ainda não conseguem calcular.

Sabe-se que 20% desse total ia para as mãos de fiscais, que em alguns casos até acertavam o pagamento da propina em dez vezes, no cartão.

O esquema é o de sempre: os fiscais visitavam as empresas, verificavam irregularidades e propunham um acerto para ajeitar as coisas por um custo menor.

A novidade é que a investigação do Ministério Público começou com uma reportagem do próprio o Globo, publicada no ano passado.

O jornal carioca mostrava, na ocasião, que as 150 maiores empresas do Rio sonegavam anualmente 1 bilhão e 200 milhões de reais e que vários fiscais de renda ficavam até 500 dias vasculhando uma mesma empresa, sem apresentar relatório de suas atividades.

A fraude envolvia 78 companhias. Foram emitidos 31 mandados de prisão contra onze fiscais e vinte empresários, contadores e outros acusados. Até o encerramento da reportagem, faltava prender seis deles.

O caso é muito parecido com o chamado propinoduto, descoberto em 2002 e que envolvia Rodrigo Silveirinha, ex-subsecretário de Administração Tributária do então governador Anthony Garotinho. Silveirinha foi condenado a vinte anos de prisão. Recorreu e ganhou a liberdade por decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, em 2004, junto com seus comparsas.

O esquema desmontado ontem pelo Ministério Público era apenas uma continuação, em escala maior e mais sofisticado.

Quando d. João VI desembarcou no Rio, em 29 de novembro de 1807, criou no Brasil duas qualidades de cidadãos: os do lugar e os que vieram com ele da corte portuguesa.

Duzentos anos depois, ainda há os que são seviciados na cadeia por causa de um furto, como a adolescente presa com homens numa cela do Pará, e aqueles que assaltam o Estado e ganham o direito de recorrer em liberdade contra a decisão da Justiça.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/11/2007 DEJAIR RIBEIRO MARTINS

    SERÁ QUE O MINISTRO MARCO AURÉLIO SOLTARIA A MENINA QUE FICOU PRESA COM HOMENS NO PARÁ ? OU QUEM SABE AUMENTARIA SEU TEMPO DE PRISÃO MESMO SABENDO DE SUA IDADE? É POR QUE COM QUEM SOLTA CACIOLA, SILVERINHAS E OUTROS , A POBRE MENINA NÃO TERIA NENHUMA CHANCE!

  2. Comentou em 30/11/2007 Luciano Martins-Costa

    isabela, grato pela correção. Realmente, o erro foi meu. Um abraço

  3. Comentou em 29/11/2007 Jorge González

    Luciano, muito acertado o teu texto sobre a Bolívia.
    saludos.

  4. Comentou em 29/11/2007 PEDRO PAULO HOLANDA TAVARES

    Esse Marco Aurélio tá em todas ô Cabocclo bom de alvará de soltura!!!

  5. Comentou em 29/11/2007 Isabela Ferreira

    O comentário sobre o Renan e os senadores de ‘rabo preso’ por causa das concessões de rádio é ótimo. Absolvição a caminho. Mas no tópico seguinte, sobre corrupção, há um vacilo histórico que não resisto em apontar: se ‘a chegada da família real portuguesa ao Rio, ocorrida num ensolarado 29 de novembro’ for informação de ‘O Globo’, tudo bem, tem mais erro e desinformação ali do que em Provão do Enem ou em livro de Ali Kamel. Mas se é informação sua, corrija: 29 de novembro de 1807 foi a data de partida do navio do então Príncipe Regente D. João, chamado “Príncipe Real”, que atracou primeiro na Bahia em 22 de janeiro de 1808, após 54 dias de viagem. D. João ficou um mês e quatro dias em Salvador: em 26 de fevereiro de 1808, embarcou para Rio de Janeiro, chegando aqui em 7 de março de 1808. Afinal, o ano do bicentenário da chegada da Corte é 2008, não é mesmo? Abraços, Isabela, sua leitora regular.

  6. Comentou em 29/11/2007 Marco Antônio Leite

    O palco é termômetro daqueles que brincam de fazer teatro seja profissional ou amador. Na arena lá em Brasília, especificamente no Congresso Anti-Nacional, o profissionalismo é de primeira qualidade. São atores humoristas e também canastrões, que fazem a platéia chorar, chorar de raiva. No caso do Renan Calheiros, trata-se um grande ator vilão, enganou o público pôr apenas um tempo, mas vamos ao que importa, ou seja, será que ele será ou não cassada, joguem suas fichas e bom jogo. Particularmente eu acredito que ele será salvo pelos seus iguais e, no final a festa será completa, com pizza, sobremesa de goiabada, e um grande baile, onde homem dança com homem, e mulher com mulher, para coroar o grande finalli, entre os mortos e feridos todos estarão vivos para continuar com o triste teatro do faz de contas.

  7. Comentou em 29/11/2007 Ivan Moraes

    ‘jornais de hoje evitam apostar que Renan Calheiros será cassado na semana que vem’: ‘mutual assured destruction’=destruicao mutua garantida. Vai ver que nao querem voltar aos bois ou aas fazendas.

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