Domingo, 17 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Programa nº 222

Mauro Malin

>>Roto e esfarrapado
>>Barulho e fumaça

Por Mauro Malin em 10/03/2006 | comentários

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Roto e esfarrapado


A propaganda anticorrupção exibida pelo PFL na televisão ficou inteiramente desautorizada pela absolvição casada dos deputados Roberto Brant e Professor Luizinho. Mas como uma parte da população não acompanha direito o que acontece em Brasília, pode, em alguma medida, surtir efeito.



Barulho e fumaça


O Alberto Dines mostra como a mídia foi omissa durante a montagem do acordo que salvou mais deputados ligados ao valerioduto.


Dines:


– Os jornais de hoje estão dizendo que os membros do Conselho de Ética estão revoltados com as absolvições em plenário dos deputados Roberto Brant e Professor Luizinho. Disseram a mesma coisa quando Sandro Mabel e Romeu Queiroz conseguiram manter os seus mandatos. De nada adianta noticiar a indignação do Conselho de Ética. O que interessa é o grau de indignação dos jornais antes das votações em plenário. Onde está escrito que a imprensa não deve indignar-se em questões morais? O resultado da votação seria bem diferente se a mídia, nela compreendida a imprensa, os rádios e a televisão, soubesse mostrar aos deputados que ela não perdoará a cumplicidade nem o corporativismo. Noticiar a indignação a posteriori não tem qualquer efeito. É uma bomba de efeito moral. Só faz barulho e fumaça.


Correção de rumo


Se a mídia quiser ter uma atuação à altura de suas responsabilidades sociais e políticas, deve agora dar sua contribuição para transformar a indignação com as absolvições na Câmara em força construtiva. Isso significa questionar as regras do jogo – desde o uso corrente de caixa dois até o voto secreto dos parlamentares – e ajudar a escolher os melhores candidatos que se apresentarem nas eleições deste ano.


Seja simplório


A Playboy deste mês incursiona na política internacional com uma fineza de calendário de borracheiro.


Apresenta o presidente da Venezuela, Hugo Chávez – por sinal chamado de “comandante Chávez” em outra revista da Abril, a Exame – como uma espécie de aberração espetaculosa.


A revista lista dez passos para se tornar um ídolo da esquerda latino-americana. Entre eles, diz: Adote um mito. Chávez adotou Simon Bolivar. Muito bem. Mas a Playboy, no seu douto artigo, explica o que é um mito. Cita o Terceiro Reich, que inspirou o nazismo, e o compara com “Maomé, que inspirou a revolução iraniana”. Isso é que é descer sem freios a ladeira da ignorância.


O quinto item, verdadeiro leitmotiv do texto, denuncia as técnicas circenses de Chávez como algo estudado por uma pessoa de formação intelectual relativamente sólida. Enunciado: “Seja intelectual, aja como simplório”.


Com ligeira modificação, a frase serve para definir a Playboy: “Seja simplório, aja como simplório”.


Militares e o passado


Nesta sexta-feira, 10 de março, noticia-se no Brasil que o comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, não viu nada de errado na operação feita pela TAM para alojá-lo num vôo de Campinas para Brasília. É desagradável ouvir isso, mas menos grave do que outro episódio. Em 2004, sob o comando do general Albuquerque, o Exército defendeu a tortura e os assassinatos durante a ditadura. Depois, por exigência do presidente Lula, a Força terrestre retratou-se sem muita convicção. O ministro da Defesa, José Viegas, que já estava sem prestígio, pediu demissão.


Na Argentina, noticia-se nesta mesma sexta-feira, o oficial mais importante da Força Aérea, brigadeiro-general Eduardo Schiaffino, iniciou um mea culpa dos militares pela selvagem repressão sob a ditadura que ensangüentou o país entre 1976 e 1983. O comandante do Exército chileno já havia feito isso em 2005.



Recuperar armas e algo mais


As proporções assumidas pela operação militar em favelas do Rio dominadas pelo tráfico indicam que o roubo de armas deixou de ser a motivação, embora seja o discurso oficial, repetido ontem pelo presidente Lula. e passou a ser um estopim. Basta pensar nos Jogos Pan-Americanos de 2007.


Nesta operação, muita coisa está sendo posta em questão, e a imprensa, que cobre mal a segurança pública, precisa melhorar sua percepção. Queixas de moradores contra violências dos militares precisam ser comparadas com o que sofrem essas populações nas mãos de traficantes e de policiais. Isso põe em relevo o papel de dirigentes comunitários. Nos últimos anos, centenas deles foram mortos ou tiveram que se mudar.


Os reflexos econômicos devem ser avaliados. Não apenas a diminuição do movimento do tráfico e da criminalidade, mas da receita de policiais bandidos que extorquem traficantes e usuários. E também se deve questionar a própria cobertura jornalística: como ela vinha sendo feita em incursões da polícia e como ela é feita, agora, numa vasta e mais duradoura operação militar.


# # #


Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br

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  1. Comentou em 10/03/2006 Vera Pereira

    A valer o que propõe o jornalista desta coluna, que a mídia deve indignar-se antes dos fatos ocorrerem, avisar que não ‘perdoará’ os ‘malfeitos’ dos parlamentares e dos partidos, não precisa mais haver eleição, eleitores, política, partidos e parlamentares: basta que os donos de jornais e os jornalistas iluminados se reúnam e votem. E a Pátria estará salva. Como diz minha filha: Menos, senhores, menos.

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