Domingo, 24 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
Menu

Programa nº 467

Mauro Malin

>>Sociedade e mídia mobilizadas
>>O dialeto da submissão

Por Mauro Malin em 27/02/2007 | comentários

Ouça aqui

Download

Leis e práticas


Tramitam no Congresso mudanças legislativas que podem ser úteis para a sociedade ter maior controle sobre a criminalidade e a violência, mas é sempre necessário advertir que, sozinhas, não resolvem. Por exemplo, o quadro de envolvimento das Polícias e de políticos com o crime no Rio de Janeiro mostra-se cada dia mais calamitoso. A mídia está empenhada em denunciar e mostrar caminhos, mas o desafio é gigantesco.


Sociedade e mídia mobilizadas


Alberto Dines louva o papel da mídia na manutenção do debate sobre criminalidade violenta.


Dines:


– As discussões e emoções suscitadas pelo assassinato do menino João Hélio conseguiram ultrapassar a intransponível barreira do Carnaval. Esta rara persistência é um feito da sociedade e, evidentemente, da mídia que conseguiu expressá-la. Antes do Carnaval a Câmara foi obrigada a esquecer o PAC e aprovou cinco providências penais que se arrastavam há tempos. Agora a barbaridade chega ao Senado com a votação da diminuição da maioridade penal marcada para a quinta-feira. A revolta da sociedade é legítima, mas foi agravada pela forma fria, quase distante, com que o governo tratou a questão desde o início. Na realidade, existiam muitas alternativas para ações governamentais mas os assessores do presidente vetaram todas – não queriam validar a pressão exercida pela mídia. Essa queda de braço não ajuda a ninguém e será o assunto do Observatório da Imprensade hoje à noite: às 23.30 na TV-Cultura. Mais cedo, às 22:40, ao vivo, na TV-E.



O dialeto da submissão


O diretor executivo do Instituto Via Pública, Pedro Paulo Martoni Branco, sugere que a mídia ajude a entender por que se criou um ambiente em que a ameaça de violência muda o comportamento das pessoas em face do crime.


Pedro Paulo:


– Aprofundar as explicações que nos levem a perceber de maneira mais nítida que se consuma hoje a existência de um dialeto tacitamente aceito por todos os protagonistas no comportamento social cotidiano, entre a criminalidade que se banalizou e a atitude dos cidadãos diante dela. Do tipo: todos saem de casa, circulam pelas ruas, alamedas, espaços públicos de dia e à noite certos de que não poderão reagir ao primeiro toque que lhe procura nos bolsos o dinheiro, no pulso o relógio, sob pena de que um gesto brusco de repente praticado é a senha para que, naquele dialeto, o outro lhe atire mortalmente, lhe corte a garganta, o ponha numa condição de inferioridade física que pode resultar na morte – esse tipo de aceitação, de passividade, de rendição, amplamente difundido e recomendado como a melhor prática diante de um cotidiano que banalizou as ameaças que estão postas em todo canto. Tudo isso faz com que o bandido tenha estabelecido regras e direitos que são aceitos, e não há nada que se contraponha a isso. E por aí passa um dos caudais que torna a sociedade refém.


Em causa própria


O professor Venício Lima chama a atenção, em artigo no Observatório da Imprensa Online, para o silêncio da mídia a respeito da composição das Comissões de Comunicação da Câmara e do Senado. Há vários parlamentares donos de meios de comunicação. Vão legislar em causa própria.


Reportagens compradas


Título da Folha de hoje: “Chinaglia analisa se compra de reportagens fere regras”. Trata-se de repercussão de reportagem publicada no domingo em que o jornal aponta compra de espaço, por deputados, com verba da Câmara, em jornais regionais. Ora, certamente essa compra fere as regras mais elementares do jornalismo. Reforça-se a percepção de que a liberdade de imprensa é um atributo muito relativo da democracia brasileira. Segue escala decrescente dos grandes centros para as pequenas cidades.


O deputado do Rio Grande do Norte Henrique Eduardo Alves, filho de Aluízio Alves, ex-governador que começou a vida como jornalista, controla a Tribuna do Norte, de Natal, onde, diz a Folha de S. Paulo, seriam publicadas notícias sobre as atividades do deputado em Brasília mediante pagamento. Henrique Eduardo Alves ganha duplamente: como beneficiário das reportagens e do dinheiro público.


Etanol deixa Estadão tonto


No domingo, a proposta do presidente Bush de uma “Opep do etanol” foi saudada em manchete pelo Estadão. Hoje, os entraves a uma conquista de maior fatia no mercado americano de combustíveis são destacados em editorial chamado “A retórica da ´Opep do etanol´”.

Todos os comentários

  1. Comentou em 28/02/2007 Ivan Moraes

    A proposta de uma ‘opep’ de ethanol eh uma fria. A prova disso eh que os EUA a estao recomendando como **tecnologia**. Eh bom lembrar que tecnologia de ponta NAO aparece no Brasil a nao ser na mao de elites extremamente corruptas e de mais ninguem. O que aparece sao rejeicoes tecnologicas. O ethanol eh uma boa razao pra destruir milhares de ectares de terras excelentes em menos de 30 anos? Em outro angulo ainda, quem vai pagar precos internacionais por esse ethanol todo enquanto ele eh massivamente exportado a preco muito abaixo do que os brasileiros pagam? Quem esta se responsabililzando em responder essas perguntas agora e ja, e nao no futuro distante? Ah, bom…

  2. Comentou em 27/02/2007 Marnei Fernando

    Aposto um doce que o deputado do Rio Grande do Norte, Henrique Eduardo Alves, e seu pai, Aluízio Alves, não são do PT… Se fossem, estaria escrito em letras destacadas e cintilantes neste post.

Programas Anteriores

1 2 3 4 5 última

1 de 2625 programas exibidos

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem