Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 68

Mauro Malin

>>Mercadante agora critica imprensa
>>A suposta difamação

Por Mauro Malin em 08/08/2005 | comentários

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Mercadante agora critica imprensa

 

Em entrevista a Josias de Souza na Folha de S. Paulo desta segunda-feira, 8 de agosto, o senador Aloizio Mercadante abre uma linha de conflito com o deputado José Dirceu, sem explicitar os pontos de atrito. Mercadante, que tanto usou a imprensa como arma política, agora cospe no prato em que comeu: “A imprensa vive da criminalização das campanhas. Não abre espaço para uma discussão qualificada, emergencial e indispensável no Brasil”.

 

O senador petista diz que a concorrência que se estabelece nas redações leva a que matérias não sejam apuradas devidamente. Afirma que nem sempre o direito de defesa é respeitado e que reputações ficam definitivamente comprometidas.

 

Vantagens da concorrência

 

João Domingos, repórter de política do Estado de S. Paulo veterano de várias CPIs, reconhece que há uma concorrência feroz entre veículos, e às vezes entre jornalistas do mesmo veículo. Mas atribui principalmente a ela os acertos na cobertura da crise do “mensalão”. Ele reconhece que às vezes a ética é atropelada. Já detectou vários deslizes e erros na cobertura atual, mas faz uma avaliação geral positiva.

 

João Domingos explica que nas CPIs existem quatro tipos de personagens que se abastecem mutuamente de modo indissociável: os membros da CPI, os jornalistas, o Ministério Público e a Polícia Federal. Uns passam informações para os outros o tempo todo. As informações só adquirem dimensão política quando são tornadas públicas, é claro.

 

Na opinião do repórter do Estadão, a crise atual é terrível. Não só do ponto de vista político, mas também profissionalmente, porque muitas fontes importantes estão saindo do jogo. Waldomiro Diniz, por exemplo, revela João Domingos, era muito procurado pelos repórteres. Estava enfronhado nos assuntos do poder. Como tantos outros agora denunciados.

 

 

A suposta difamação

 

O Alberto Dines pede a máxima atenção para o documento da Executiva Nacional do PT, que acusa a imprensa de promover difamação. Dines:

 

− Acho que convém examinar com mais atenção um tópico do documento produzido pela Executiva Nacional do PT. Aquele que trata de um suposto processo de difamação para aniquilar o PT. Diz a nota: “Não somos ingênuos a ponto de pensar que todas as denúncias que circulam pela imprensa visam combater a corrupção.” E por ai vai.

 

O PT está, sim, sendo ingênuo. E muito. As denúncias que circulam não foram geradas pela imprensa, ela apenas as reproduz – o que, aliás, é um erro, deveria investigar mais. Basta assistir aos depoimentos nas CPIs e na Comissão de Ética da Câmara para entender que nesta incrível sucessão de revelações a mídia está desempenhando um papel absolutamente passivo. Mesmo o vídeo da propina nos Correios que deflagrou esta crise não foi produzido pela imprensa, foi a Abin, isto é, o governo que o produziu e o entregou à Veja. Há alguns casos isolados de denuncismo irresponsável que este Observatório já denunciou mas. Desta vez, 90% do que se noticia na imprensa é verdadeiro. A prova é que tanto o governo como o seu partido prontamente afastaram os denunciados. Se fosse difamação da imprensa o PT não deveria ser tão ingênuo e promover tantas punições sumárias.

 

Hiroshima e Nagasaki

 

Louvável a denúncia da violência no material sobre os 60 anos das bombas atômicas lançadas contra Hiroshima e Nagasaki, mas nas emissoras de televisão e em revistas as reportagens ficaram sem contexto histórico. Na Folha de S. Paulo de sábado, Ricardo Bonalume Neto produziu uma abordagem rica, e sem simplificações ilusórias. Mostrou, por exemplo, que o governo japonês até hoje não se retratou pelas atrocidades durante a guerra, ao contrário do governo alemão.

 

 

Lula não é Collor

 

Veja partiu para o confronto máximo. Na capa desta semana, equipara o presidente da República a Fernando Collor. Do ponto de vista político, é passar o carro à frente dos bois. Do ponto de vista jornalístico, temerário. Nos dois casos, uma comparação sem fundamento histórico. Lula não é Collor. Alguns acham até que a crise atual é mais grave. Mas não é igual.

 

A revista bateu no limite. Se Lula não cair, o que fará a Veja? Vai continuar em campanha? Vai queixar-se ao secretário-geral da ONU, ou ao Papa?

Todos os comentários

  1. Comentou em 08/08/2005 rodrigo rodrigues

    Concordo plenamente. A Veja tem por merito, em diversos momentos da historia, a luta pela democracia e liberdade. Porem, acredita, sem culpa nenhuma, que derrubando o ‘lulinha’, passara mais uma vez como a cartilha da verdade para todos os brasileiros.
    Para aqueles que defendem que a queda do presidente é o melhor remedio, fica aqui uma pergunta… como explica a revista Veja as reportagens sobre o filho de lula e a ausencia de primeira capa para o caso do filho de FHC (que por sinal tem uma bela casa em Trancoso)?
    Qual a importancia dada ao caso da reeleição do FHC e o do mensalão dado ao Lulinha?
    A ótica da revista veja e a mesma patrocinada pelo Sr. Frias Filho… Impossivel um presidente da República comandar uma nacao sem a devida instrucao… concordo plenamente… assim o Sr. Lulinha saberia roubar tão bem, que não deixaria vestígios…

  2. Comentou em 08/08/2005 Rosana Rocha

    Concordo que a revista veja bateu no limite, e a resposta a questão ‘O que fará a Veja?’
    “ Para quem vai queixar-se?” …….Ela ira queixar-se para parte do PMDB, parte do PFL e PSDB, para que sejam mais eficazes pois, a parte que lhes cabe já está fazendo.
    Apesar de ler muito, de buscar noticiais sinto-me completamente desinformada dentro deste festival de ironias, suposições e interesses tanto da parte dos políticos como da imprensa. Não sinto, ou com raras exceções um contraponto (de peso) por parte da imprensa. A maioria segue o mesmo script, atitudes, sugestões etc. e a revista Veja vem dando este “tom” !

    Obrigada,

    Rosana Rocha

  3. Comentou em 08/08/2005 Robson Freire

    Desculpem-me, mas esse observatório está ganhando ares de confraria, do mais refinado corporativismo. Lamentável. Li num dos comentários que o Observatório não aceita que outros façam a crítica da mídia. Concordo. Isso aqui está virando o espaço do MONOPÓLIO DA CRÍTICA. Mirem-se no espelho. Façam uma observação meticulosa sobre os textos que vêm criticando quem critica. Lembro de quando veio à baila (para usar expressão da moda) um novo observatório ligado à USP (se não me engano), com uma pesquisa de fôlego sobre a cobertura da eleição municipal em São Paulo. A tropa do O.I. recebeu os novos observadores com pedras nas mãos. O que vocês querem? O monopólio da crítica?

  4. Comentou em 08/08/2005 claudio marcos silveira

    Prezado Sr. Mauro,
    A dissociação das manchetes com os textos, demonstrando descaso com o leitor e a aversão a críticas, demonstrando a arrogância dos jornalistas, são as causas de minha desconfiança com a Imprensa.
    Infelizmente hoje, em seu espaço que acesso pelo Observatório – local onde me protejo daquela desconfiança, mencionada acima -, vejo a manchete ‘Mercadante agora critíca a imprensa’. No texto leio que ‘o senador petista diz que a concorrência que se estabelece nos redações leva a que matérias não sejam apuradas devidamente’. Se existe alguma coisa a criticar na afirmação do senador é de não ser original, pois esta afirmação tenho ouvido reiteradamente no próprio Observatório. Por que esta arrogância de não eceitar que outras pessoas também façam críticas?
    Mais adiante é citado o Dines: ‘As denúncias que circulam não foram geradas pela imprensa, ela apenas as reproduz’. Em outra matéria, ‘Lula não é Collor’, o Sr. afirma que foi ‘uma comparação sem fundamento histórico’. Com esta conclusão eu entendo que o Sr. está admitindo que a revista acaba de gerar uma notícia. Esta notícia vai repercutir em outros órgãos e se transformar em verdade, como tantas outras e depois quando alguém quiser contestá-la, virá o argumento de Dines de que a Imprensa somente divulga, não cria fatos. Se pensar bem vai ver que nem sempre a Imprensa só noticia, sem criar fatos. Exemplo a dita promessa de 10 milhões de empregos, que, na verdade, o Lula nunca fez.
    Um abraço
    Claudio

  5. Comentou em 08/08/2005 lucia lebre lebre

    Não é mesmo. Lulinha é muito pior. Muiiiiito. Lulinha roubou mais, muito mais.(Collor, se roubou –não foi comprovado pela Justiça — roubou muito menos); Lulinha não tem capacidade administrativa nem para ir ao banheiro sozinho (Collor já tinha); Lulinha está sendo protegidíssimo por todos, inclusive pela imprensa petista (digamos 65% do totsal da imprensa).(Collor foi execrado, por toda a imprensa petista e não petista.) Lulinha está sendo blindado (protegido) pelas elites que apadrinha.(As elites abandonaram Collor, que não se compunha com elas.)
    Demorou mas caiu. Fora lula! FORA!

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