Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

Programa nº 63

Mauro Malin

>>Papel orientador
>>Jornal de fim de semana

Por Mauro Malin em 01/08/2005 | comentários

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Papel orientador

 

 

Uma frase do professor Luiz Werneck Vianna em entrevista ao Estado de S. Paulo de domingo ilustra a responsabilidade da imprensa na crise. Disse Werneck Vianna: “A nossa sociedade está fragmentada. Os indivíduos estão soltos, expostos apenas à mídia, sem nenhuma vida associativa”.

 

A imprensa é o canal por excelência de síntese e avaliação da vida social. Isto fica mais claro na crise. Nesta segunda-feira, 1 de agosto, depõe na Polícia Federal Simone Vasconcelos, gerente de Marcos Valério. Amanhã, na Comissão de Ética da Câmara, o deputado José Dirceu. E ninguém pode dizer com certeza o que ainda será revelado. Em entrevista que a Folha publicou ontem, o prefeito José Serra diz que não sabe onde a crise vai chegar. E adverte: “Quem achar que tem claro o que vai acontecer é porque não está entendendo nada”.

 

Karina brinca com a imprensa

 

A secretária Fernanda Karina Sommagio fez a imprensa de boba no fim de semana. Na revista IstoÉ, posa de mãe preocupada com a repercussão, na vida de sua filha, da crise do “mensalão”. Na Folha de S. Paulo, posa de mulher fatal, a meio caminho de uma pretendida capa na Playboy. A Folha, em lugar de registrar a típica carnavalização brasileira, virou ela mesma o sujeito do Carnaval. Tem gosto para tudo.

 

Jornal de fim de semana

 

O Alberto Dines critica a maneira como são preparadas as edições dominicais dos jornais.

 

Dines:

 

− Você já reparou como no fim de semana o noticiário político da maioria dos jornais parece desnorteado? Claro, os jornais de sábado, domingo e parte dos de segunda, são feitos na quinta e sexta à noite. Os colunistas e repórteres políticos, por mais competentes que sejam – e são − não podem prever o que vai acontecer no intervalo entre o ato de escrever e a publicação da edição. Por essa razão, os jornais dos últimos dias estiveram repletos de notícias sobre um possível “acordão”, o equivalente ao “tapetão” do jornalismo esportivo, um acerto entre governo e oposição para limitar os efeitos da crise. Não esperavam a reação do presidente do PT, Tarso Genro, e do ex-presidente da República, FHC, ambos dispostos a não desistir, por enquanto. Além disso, esqueceram-se do depoimento de José Dirceu amanhã na Comissão de Ética, e, na quarta, o de Simone Vasconcelos, diretora financeira, da empresa de Marcos Valério na CPI onde, parece, o ventilador será novamente ligado na direção dos mensalistas. Tréguas são bem-vindas, mas tudo indica que o “acordão” foi aventado pela imprensa antes de falar com os interessados.

 

Matérias promocionais

 

A IstoÉ voltou a publicar marreta, agora com prefeitos de capitais. Na Época, com a devida caracterização de matéria paga, sai há semanas propaganda do governo do Distrito Federal, ocupado por Joaquim Roriz. São duas maneiras, velada e aberta, ambas questionáveis, de destinar dinheiro público a veículos de comunicação. É como se o país não estivesse discutindo uma crise com DNAs, SMPe Bs e Secons.

 

Esperança e ilusão

 

Com freqüência, no material institucional da campanha Criança Esperança, divulgado como parte dos noticiários da TV Globo, são mostrados meninos e meninas que falam sobre sua expectativa de se tornar artistas ou esportistas famosos. É uma mensagem que devia ser avaliada com mais cautela. Estatisticamente, poucos, e não só entre os pobres, chegarão ao topo. Essa propaganda alimenta sonhos que uma realidade menos brilhante transformará em meras ilusões.

 

Mortos pela polícia

 

O secretário de Direitos Humanos do Estado do Rio, Jorge da Silva, analisa manifestações de moradores contra a atuação violenta da polícia em bairros pobres e favelas do Rio de Janeiro.

 

Segundo Jorge da Silva, que já foi subcomandante da Polícia Militar, mortes de traficantes provocam fechamento do comércio e outras ações orientadas por bandidos, mas não confrontos com a polícia. Quando é morto um jovem que não tem nada a ver com bandidos, os moradores se enfurecem. E a fúria aumenta sempre que a polícia, para justificar um desmando fatal, atribui a condição de bandido a quem não o era.

 

Mas são fatos de bairros pobres e favelas do Rio de Janeiro, dos quais a imprensa, sobretudo depois do assassinato do jornalista Tim Lopes, há três anos, mantém distância.

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