Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 194

Mauro Malin

>> Supremo e CPIs em conflito
>>Um 2005 que não termina

Por Mauro Malin em 31/01/2006 | comentários

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Supremo e CPIs em conflito


O presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, não hesitou ontem em mais uma vez contrariar integrantes de uma CPI. No caso, a dos Bingos, que queria abrir o sigilo bancário do presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, amigo e procurador do presidente Lula. Jobim vetou, em liminar. Há dois problemas. O Supremo interfere, sim. Mas as CPIs não cercam da devida cautela suas apurações.


Um 2005 que não termina


O Alberto Dines lamenta que as ações de moralização do processo eleitoral pareçam ter voltado à estaca zero.


Dines:


– Amanhã entramos no segundo mês do ano mas apesar disso parece que ainda estamos com os pés no ano passado. Continuamos atoladíssimos na crise que começou em maio de 2005. O caso da verticalização das coligações eleitorais é a melhor prova disso. Ontem, o presidente Lula explicou por que foi favorável à liberação das coligações mas choveu no molhado, a Câmara dificilmente reverterá no segundo turno a votação da quarta feira passada. E o Judiciário dificilmente neutralizará uma decisão do Legislativo. Os valeriodutos e os Caixas Dois vão continuar em cartaz.


A verdade é que voltamos à estaca zero em matéria de moralidade eleitoral. Tudo porque a imprensa falhou no caso do fim da verticalização. Fez o jogo dos políticos. De todos os políticos. A imprensa esqueceu que é a consciência crítica da nação, preferiu ser pragmática e obedeceu ao oportunismo eleitoral da classe política. Poderia ter criado um caso que lhe daria grande credibilidade quando aparecessem os novos escândalos. Ou quando os velhos escândalos forem reativados. 2005, o ano que não acabou foi o tema do nosso último programa na televisão em Dezembro passado. Vale a pena revê-lo hoje à noite. Assim, tudo poderá ficar mais nítido. Às dez e meia da noite na rede da TVE e às onze da noite na rede Cultura.


O Jornal do Brasil mente


A Federação Nacional dos Jornalistas e os Sindicatos dos Jornalistas de São Paulo e do Rio lançaram manifesto em defesa de profissionais perseguidos por campanha difamatória do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil, veículos controlados pelo empresário Nelson Tanure.


A campanha difamatória tem como pretexto combater a impunidade de Antonio Pimenta Neves, ex-diretor de Redação do Estado de S. Paulo que assassinou a namorada jornalista Sandra Gomide, sua subordinada, em agosto de 2000.


Nesta terça-feira, 31 de janeiro, o Jornal do Brasil não se constrange em mentir para atacar a iniciativa da Federação dos Jornalistas. Diz que o manifesto critica o JB e a Gazeta por pedirem que Pimenta Neves vá a julgamento. É pura mentira.


O JB manipula críticas suas à Fenaj, Dines, para tentar desqualificar a entidade. As críticas haviam sido motivadas pela tentativa de se criar um Conselho Federal de Jornalismo e pela participação de assessores de imprensa na entidade. Mas, para o Jornal do Brasil de Tanure, danem-se os fatos, desde que seus objetivos sejam perseguidos.


México cruel


A perseguição a repórteres pode chegar a extremos. Na quinta-feira (27/1) passada, em Nuevo Laredo, na fronteira do México com os Estados Unidos, um representante da Sociedade Interamericana de Imprensa relatou que cartéis de traficantes de drogas fizeram jornalistas da região adotar a autocensura depois de assassinatos e ameaças. Dois jornalistas foram mortos e um está desaparecido há quase um ano. Muitos policiais lá metem tanto medo quanto os traficantes.


Queda de homicídios é para comemorar


Um dado divulgado ontem pelo governador Geraldo Alckmin, a queda de homicídios no estado de São Paulo em 2005, mostra a politização do noticiário. É que aumentou no estado o número de seqüestros.


Então, o Estadão dá na primeira página o seguinte título: “Cai o número de homicídios em SP, sobe o de seqüestros”. E a Folha: “Seqüestro aumenta e homicídio cai em SP”.


A política paulista de segurança tem uma série de aspectos questionáveis. Seqüestro é um crime abominável e se dissemina. Mas o dado apresentado ontem é muito positivo, e dentro de uma série histórica de dez anos. A intelectualidade brasileira desconfia tanto do Brasil que não consegue comemorar esse avanço, por sinal registrado no país inteiro.


Racismo à brasileira


O sambista e intelectual Nei Lopes retoma hoje no Globo polêmica com o diretor executivo de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, em torno das ações afirmativas. Kamel é um crítico incansável da política de cotas para afro-descendentes. Nei Lopes, que as defende, cobra da mídia uma denúncia firme do racismo à brasileira.

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