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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Programa nº 774

>>Terra de pistoleiros
>>Dez anos de Observatório

Por Luciano Martins Costa em 07/05/2008 | comentários

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Terra de pistoleiros

Todos os grandes jornais destacam hoje em manchete a decisão dos jurados no segundo julgamento dos acusados de matar a missionária Dorothy Stang.

O fazendeiro Vitalmino Bastos de Moura, condenado anteriormente a trinta anos de prisão como mandante do crime, foi ontem absolvido.

A promotoria vai recorrer, mas a decisão povocou tensão na região de Anapu, no Pará, onde a missionária atuou por duas décadas.

Mais do que isso, a notícia teve repercussão na imprensa internacional, que desde o assassinato de Chico Mendes, há vinte anos, tem dado atenção aos conflitos na Amazônia.

Dorothy Stang ajudava a organizar os colonos assentados num Projeto de Desenvolvimento Sustentável que vive ameaçado por grileiros e fazendeiros instalados na região.

O fazendeiro Vitalmino foi apontado pela polícia como mandante do assassinato, que foi executado pelo pistoleiro Rayfran das Neves Sales.

Num primeiro julgamento, o pistoleiro confessou ter matado a missionária a mando de Vitalmino.

Ele foi condenado a 27 anos de prisão e o fazendeiro a trinta anos.

Como a lei assegura que os condenados a mais de vinte anos têm direito a novo julgamento, compôs-se novo júri, que aumentou em um ano a pena do pistoleiro e absolveu o fazendeiro por falta de provas.

Um fato importante, no caso Dorothy Stang, e que não está destacado nos jornais de hoje, é que o júri rejeitou a tese de crime encomendado, considerando que o ato foi praticado isoladamente por Rayfran.

A realidade na Amazônia é a dos crimes sob encomenda, que mantêm alta a tensão em toda a região.

A imprensa regional nunca atacou esse problema e a imprensa nacional só se mobiliza nos casos de grande repercussão, como as mortes de Chico Mendes e de Dorothy Stang.

A liberdade com que pistoleiros e mandantes se movimentam na região torna o júri popular uma verdadeira ficção.

No caso da missionária, até o promotor e sua família vinham sendo ameaçados de morte.

Pode-se imaginar a pressão exercida sobre os jurados durante todo o processo.

Citado pela Folha de S.Paulo, o bispo da diocese da Ilha de Marajo, no Pará, diz que há no Estado 300 pessoas marcadas para morrer por terem denunciado casos de tráfico de seres humanos e exporação sexual de crianças e adolescentes.

Dorothy Stang tinha 76 anos quando foi morta a tiros, em 12 de fevereiro de 2005.

A imprensa dos grandes centros do País não deveria deixar que o caso caia no esquecimento.

Colocar a Justiça para funcionar na região amazônica é uma das maneiras mais eficientes de lutar pela soberania nacional na região, tema que tanto gosto faz para os jornais de São Paulo e do Rio.

Dez anos de Observatório

O Observatório da Imprensa comemora dez anos de contribuição para o debate sobre a imprensa no Brasil.

Além do seu primeiro decênio, o OI celebra em 2008 três datas especiais: o bicentenário da criação da Imprensa Régia, em 13 de maio, o nascimento do Correio Braziliense, em junho, e a criação da Gazeta do rio de janeiro, em setembro.

O Observatório nasceu na televisão em 5 de maio de 1998, mas já existia na Internet dois anos antes, em 1996.

O OI nasceu do Labjor, Laboratorio de Estudos Avançados de Jornalismo, na Unicamp.

Foi incubado na univerdidade mas foi criado para ser um instrumento de observação social e acompanhamento crítico da imprensa.

E é esse o papel que vem cumprindo desde então.

Com a participação de milhares de leitores de jornais e revistas, além de telespectadores e ativos usuários da internet, o Observatório da Imprensa faz a conexão entre as demandas e o direito do público com relação à informação de qualidade.

O direito à informação é um dos pilares da democracia, e a observação organizada e crítica dos meios de comunicação é uma forma de manter o público atento ao cumprimento desse direito.

Diariamente no rádio e na Internet, e todas as terças na televisão, o cidadão tem a oportunidade de acompanhar o desempenho dos nossos principais veículos de imprensa e o estado das políticas públicas do setor.

O ‘Observatório da Imprensa’ muda de horário na TV Cultura. A partir desta semana, passa a ser transmitido à meia-noite e dez minutos. Pela TV Brasil, continua sendo transmitido ao vivo, às 22h40.

Todos os comentários

  1. Comentou em 07/05/2008 Lucas Artur

    Quando escrevi um artigo no jornal de debates, dizendo que a Amazônia brasileira é uma terra sem lei, fui duramente criticado. Porque não sou uma pessoa da região, e não conheço sua realidade. Será que é preciso ser da região Amazônica para conhecer o que se passa por lá? Não digeri estas criticas muito bem, mais com este artigo escrito pelo Luciano, mostra que ou somos nós que não conhecemos aquela realidade, ou são eles que não conhecem sua própria realidade. O governo brasileiro é omisso diante daquela região desde de quando me dou por gente, e isso já se vão 21 anos. Imagine hà 100 anos atraz o que era? É uma terra sem lei sim, e não precisa ser um estudioso ou conhecedor da região para concluir isso.

  2. Comentou em 07/05/2008 Teócrito Abritta

    O caso do assassinato da freira é uma pequena amostra da violência que impera no Pará. O caso da menor violentada e torturada é outro. Infelizmente esses são os aliados de Lula que vão desde a Governadora que deveria ser responsabilizada, passando por criminosos ambientais, escravagistas e pistoleiros. Basta ver os ardorosos defensores do governo para identificarmos os responsáveis. Infelizmente boa parte dos nossos intelectuais e formadores de opinião estão bem acomodados nesta ‘nova classe’ que só pensa nas benesses governamentais!

  3. Comentou em 07/05/2008 silvio tavares

    Vejam o site: http://www.pebodycount.com.br. No Brasil tem até contador eletrônico de homicídios. A polícia está desaparelhada, desmotivada, desinsentivada para o seu trabalho. Mas é questão de cultura e de vontade política. O norte e o nordeste do Brasil ainda estão mais violentos que o restante do país, mas homicídio, encomendado ou não, tem no país inteiro. A vida nos trópicos sempre valeu muito pouco. E continuamos na mesma situação. Apelar a quem? ao bispo?

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