Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 1104

>>Tirando leite de pedra
>>Fugindo do debate

Por Luciano Martins Costa em 19/08/2009 | comentários

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Tirando leite de pedra


Os jornais desta quarta-feira tentam fazer render o depoimento da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, ocorrido nesta terça-feira no Senado.


Todos os três jornais de circulação nacional abrem manchete para o depoimento que não produziu qualquer informação adicional, qualquer esclarecimento sobre o caso que a imprensa vem perseguindo há semanas.


Lina Vieira seguiu dizendo que foi recebida pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e que esta lhe teria pedido para agilizar a fiscalização sobre o empresário Fernando Sarney.


Mas não soube explicar o que a ministra pretendia com o pedido nem comprovar que realmente esteve no gabinete da Casa Civil.


O Globo registra toda a decepção da oposição (e da imprensa) com o depoimento: em mini-editorial, o jornal carioca lamenta que Lina Vieira “sequer consegue se lembrar do dia do encontro (…) sequer soube dizer se era manhã ou de tarde quando foi ao Planalto”.


A rigor, portanto, a única notícia que existe é a mesma afirmação, que vem sendo repetida pelos jornais, de que a ministra pediu pressa na fiscalização.


Mas Lina Vieira nunca afirmou, nem procurou saber, para que o governo quereria apressar a fiscalização das atividades do filho de José Sarney ainda antes da eleição para presidente do Senado.


Portanto, não existem fatos que justifiquem a manutenção do tema nas manchetes, a não ser, é claro, que os jornais tencionem manter aquecido artificialmente um assunto que esfria naturalmente por falta de conteúdo.


Sabe-se que José Sarney se candidatou a presidente do Senado, em janeiro deste ano, com a intenção de reagir à perda de espaço político no Maranhão, onde sua filha Roseana havia sido derrotada na eleição para governador e usar o cargo para proteger seu filho Fernando, já naquela ocasião envolvido em investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.


Também convém lembrar que Sarney só se elegeu presidente do Senado porque recebeu o apoio maciço da oposição.


Se a própria oposição contribuiu decisivamente para dar o poder a Sarney, que significado tem a insistência na exploração de uma frase suposta, cujo sentido nem mesmo a ex-secretária da Receita sabe esclarecer?


Às vezes, o noticiário vale mais pelo que não diz do que por aquilo que anuncia.


Fugindo do debate


Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:


– Os empresários de comunicação no Brasil têm um discurso unânime em defesa da liberdade de imprensa, da liberdade de expressão, contra a censura, em favor da democracia etc, etc, etc. Mas todos têm disposição quase nenhuma para discutir o serviço que prestam à sociedade, os níveis de concentração da propriedade a que chegou a mídia brasileira e os estatutos legais que regulam sua atividade.


Uma pesquisa seminal da Andi (“Mídia e políticas públicas de comunicação”), divulgada em fevereiro de 2007, já mostrava estatísticas reveladoras do descompromisso das empresas jornalísticas em debater, em suas próprias mídias, o papel social que exercem. No caso das empresas de radiodifusão o quadro é ainda mais dramático, por tratar-se de concessões públicas operando como se fossem propriedade particular de seus controladores. Sem mencionar a forte presença de políticos com mandato entre os manda-chuvas de emissoras de rádio e TV.


Uma oportunidade de ouro para o debate dessas e outras tantas questões relativas ao papel da mídia no fortalecimento da democracia está na Conferência Nacional de Comunicação, convocada para dezembro. Mas, outra vez, comportamento arisco do empresariado está contribuindo para solapar o debate. Malgrado os esforços do governo, atores importantes como a Abert e ANJ, e outras quatro entidades empresariais representativas, abandonaram a comissão organizadora da Conferência. Falta saber de que forma participarão do evento, se é que de fato vão querer participar. De todo modo, num ou noutro caso, restará um exemplo muito pouco edificante – mais um – de negação do debate sobre os compromissos das empresas de mídia com a nossa jovem democracia. Uma pena.

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/08/2009 nilton franzoi

    dilma seguia seu trabalho normal,enquanto serra se desdobrava pra
    fugir de criticas contra seu governo e apresentar falsas e positiva
    imagem de SP,neste meio tempo Dilma é a favorita pra vencer em
    2010,o desespero tucano toma conta e lançam uma fixa corrida falsa
    de Dilma como ex presidiária que leva pau logo no começo,agora Lina
    destorcendo e complicando os fatos faz mais uma polemica tentando
    levantar poeira,sera que os tucaninhos nao tem nada haver com isso?
    e o filho de Sarney,enquanto isso,ta gosando da fortuna alheia,se o
    filho é honesto,porque Sarney lutou tanto pela cadeira do pres.do
    senado justo na hora bem apropriada para o filho?se voce nao é mais
    um(a) garotinho(a) que pensa na TV como Heroina e os jornais a voz
    da verdade,já sabe que Noticia é sinonimo de fofoca e verdade só interessa quando se pergunta quanto custa o que compra.

  2. Comentou em 19/08/2009 OTAVIO BARROS DA SILVA Barros

    Em conversa com amigo jornalista de Brasília, fui surpreendido com a notícia de que o marido da tal da Lina trabalha no Gabinete do senador Agripino Maia. Daí que o encontro dela com a ministra Dilma possa ter ocorrido no gabinete do senador, segundo dedução pericial de Sherlock Holmes.

  3. Comentou em 19/08/2009 Luiz Fernando Mendes de Santana

    Acho que este pssoal da oposição nunca jogou batalha naval.
    Só dão tiros n´água!

  4. Comentou em 19/08/2009 Ney José Pereira

    E se não bastassem os laranjas e os testas de ferro nos contratos sociais da empresas de radiodifusão, agora até a tal ANJ tem a sua laranja e a sua testa de ferro: A presidente da tal ANJ-Associação Nacional de Jornais- doutora Maria Judith de Brito é mera vassala dos patrões Frias!.

  5. Comentou em 19/08/2009 Cristiana Castro

    É tudo uma grande palhaçada, nem o Senado tem o que fazer e nem a Imprensa, tá todo mundo recebendo e bestando. Imagina fazer um evento desse tamanho pra ouvir o que se ouviu de D. Lina. Não sei, não, vi, não lembro… Foi fazer o que lá, essa palhaçona?

  6. Comentou em 19/08/2009 agenda.norte.zip.net Norte

    foi um depoimento que indica que houve o tal encontro, foi sincero e de certa forma tarnquilo, apesar das indelicadezas dos senadores do PT. Agora, as fitas de gravações do trajeto feito pela ex-leoa tem que aparecer, se não, o governo assina o recibo que ela esteve lá sim e ministra mentiu mesmo.

  7. Comentou em 19/08/2009 Ney José Pereira

    Pô, a cada 1 minuto a companheira Dilma tem 15 minutos de fama!. Portanto, 15 minutos de fama para a ex-companherinha Lina não é nada em comparação aos 15 minutos de fama da companheira Dilma. Observação: E o companheiro-mor Lula teve de intervir na briga das… secretárias!. Pô, secretárias que se prezam deveriam ter suas ‘agendas’ prontamente atualizadas!.

  8. Comentou em 19/08/2009 Deni Sales

    Luz, camera, ação.
    O problema é que nessa ‘novela’ só tem vilão.

  9. Comentou em 19/08/2009 Ney José Pereira

    E a revista Playboy já fez uma proposta à ex-companheirinha Lina?. Observação: Não vale efetuar o pagamento do cachê em paraísos fiscais!. Nem por meio de offshores, hein!.

  10. Comentou em 19/08/2009 Dante Caleffi

    Estou indignado pela incopetência do PIG , em mais essa derrota . A imprensa brasileira não merece tanta mediocridade. E pensar que a eficiência no passado produziu momentos gloriosos, como suicídio presidencial, inúmeras tentativas de golpe, até ,claro, acertarem 64.Não se fazem mais jornalistas do calibre de Lacerda, Amaral Neto e Davi Nasser,visceralmente venais,porém, úteis.

  11. Comentou em 19/08/2009 Milton Sacramento

    15 minutos de fama!

  12. Comentou em 19/08/2009 Antônio Luiz Calmon Teixeira Filho

    E o encontro? Ocorreu? A grande questão é essa. Dilma mentiu? E por que?
    O conteúdo é irrelevante, uma vez que Dilma afirma não ter havido o encontro.
    Portanto, a questão posta pelo analista está incorreta. Não quer ver o que realmente está sendo questionado.
    E o encontro? Ocorreu?

  13. Comentou em 19/08/2009 Max Suel

    Disse a ex-Secretária da Receita Federal: ”Eu achei o pedido da ministra incabível, porque a Receita trabalha com critérios. Não é necessário ninguém pedir nada para a Receita. A Receita é uma instituição de Estado. Não estamos ali para atender governo A, B ou C. Essa é nossa posição. É incabível porque a Receita trabalha com informações impessoais’ ora tudo leva a crer que a ex-Secretária está falando a verdade, e para comprovar bastaria o governo colaborar liberando as fitas que filmam as pessoas, mas o governo não tem nenhum interesse nisso. O mero pedido de min Dilma é GRAVE porque não cabe ao ministério ao qual ela é ministra fazer qualquer ingerência na Receita Federal que está subordinada a outro Ministério. O que não causa espanto, mas revolta, é o tom do articulista querendo minimizar e acabar com um assunto que é SIM importante, pois há sérios indícios de prevaricação da min Dilma. Quero registrar também o papel arrogante do [ ] senador por São Paulo, que só nos envergonha: um lobo com os mais fracos ou em situação inferior, e um cordeirinho com os poderosos e com os membros do governo. Mercadante, você é uma vergonha para nós paulistas.

  14. Comentou em 19/08/2009 Dimas Linhares

    O que é estranho foi a ministra Dilma negar peremptoriamente tal encontro, e também não se lembrar disso. Outra coisa estranha é porque o próprio Planalto não divulga as imagens do circuito de segurança mostrando (ou não) a chegada do carro oficial com a secretária ao palácio, já que segundo consta TODAS as visitas são filmadas antes de se entrar no Palácio. Acabaria de vez com as especulações. Do jeito que está, se infere de que algo obscuro foi tratado nessa reunião.

  15. Comentou em 19/08/2009 Otaciel de Oliveira Melo

    Alguém já se perguntou porque D. Lina não se lembrou do dia, da semana, do mês ou até mesmo do ano do suposto encontro que ela teria tido com a Ministra Dilma Rousseff? Não?

    Pois vou dar a explicação de um internauta que escreveu um comentário no blog do jornalista Luiz Carlos Azenha, com o qual eu concordo (com o internauta) em gênero, numero e grau.

    O fato é que a senhora Lina tem uma memória muito seletiva. Repetiu a frase que a Ministra Dilma teria lhe dito, sem pestanejar, adicionou outros detalhes ao suposto encontro, mas não foi capaz de se lembrar da hora, ou do dia, ou da semana, ou do mês em que ele aconteceu, e teve dúvidas com relação até mesmo ao ano. E por que isto?

    Vejamos: já pensaram se D.Lina dissesse que tinha se encontrado com a Dilma num dia em que a Ministra estava, por exemplo, nos Estados Unidos? Ou no Rio de Janeiro? Ou mesmo no Estado do Ceará, com o governador Cid Gomes? Seria uma desmoralização total para ela e para os senadores tucanos e democratas que apoiaram a farsa. Ou seja, a armação só não deu certo porque D. Lina não tinha (ou não foi informada previamente) a respeito da agenda passada da Ministra Dilma Rousseff.

    Não tenho dúvidas que dona Lina mentiu. E com o prestimoso auxílio de senadores do PSDB e DEM que estavam presentes ao depoimento.

  16. Comentou em 19/08/2009 Zé da Silva Brasileiro

    Um aspecto importante não foi devidamente explorado pelos interrogadores da ex-secretária. Ela afirmou peremptoriamente que não contou a ninguém sobre o suposto encontro com a ministra. Afirmou também que do tal encontro só participaram ela e a ministra. Ora, não faria sentido a ministra contar detalhes de um um encontro que nega peremptoriamente ter acontecido. Então só nos restam duas possibilidades lógicas: Na primeira, o tal encontro teria acontecido e as duas estariam mentindo. A ministra por negar o encontro e a ex-secretária por negar o seu vazamento. Na segunda, o tal encontro não teria acontecido e a ex-secretária estaria sendo duplamente mentirosa quando inventa o encontro, vaza e nega o vazamento. De qualquer forma devemos levar em consideração que o ônus da prova cabe a quem alega. Assim o depoimento da ex-secretária seria liminarmente rejeitado em qualquer juizado de pequenas causas. Para um encontro único e raro com pessoa de tamanho status é incompreensível que a ex-secretária não saiba precisar a data e nem mesmo um período provável de ocorrência.

  17. Comentou em 19/08/2009 erledio pedro pering

    O Brasil não tem a imprensa que merece.
    O Oligopólio da comunicação e a ação política dos mesmos é danosa para a sociedade brasileira. A capa dos grandes jornais de hoje mostram isto claramente. A Lina não sabe o dia, o mes a hora e nem como era a sala que se reuniu com Dilma e o factóide político da mídia vinculada partidariamente , nem se presta a questionar.
    O Brasil precisa dar um fim ao oligopólio da informação.

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