Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

Programa nº 1311

>>Um modelo a ser observado
>>A Copa e a deformação do noticiário

Por Luciano Martins Costa em 11/06/2010 | comentários

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Leituras da Folha
Um modelo a ser observado


Desde a última reforma gráfica, a Folha de S.Paulo tem tentado surpreender seus leitores com pautas próprias em destaque, ou pelo menos com versões diferenciadas dos temas comuns aos outros jornais de influência nacional.


Eventualmente, o diário paulista tem conseguido se diferenciar de seus principais concorrentes nos últimos dias, mas apenas quem lê todos os jornais ou pelo menos três ou quatro deles, regularmente, consegue identificar essas diferenças.


Uma delas se localiza na profusão de articulistas e comentaristas que foram agregados à edição.


Ainda que esteja publicando um menor volume de textos, por injunção da  diagramação mais arejada e dos tipos maiores, a nova Folha dá a seus leitores a impressão de que eles não perderam conteúdo.


O motivo dessa impressão parece estar em certa mudança de estilo: os textos da Folha ficaram mais diretos e enxutos, e progressivamente o jornal parece estar abandonando certos vícios de linguagem, como a mania de estabelecer “rankings” para tudo.


Até muito recentemente, os editores da Folha costumavam exagerar em expressões superlativas, como “mega”, para dar idéia de grandes quantidades ou volumes, e se valiam muito frequentemente de expressões da moda para simplificar o entendimento de temas complexos.


Com o aumento do número de colunistas especializados, o texto da reportagem pode ser mais seco e objetivo, enquanto o reforço para maior aprofundamento do tema fica por conta dos especialistas.


Talvez seja cedo demais para se avaliar se o modelo vai trazer de volta os leitores que sumiram nos últimos anos, mas, pelo menos nestes primeiros dias, percebe-se mais agilidade na relação entre os temas que desfilam pela edição online e as escolhas para a edição de papel.


Muito frequentemente, os jornais elegem para a edição de papel versões menos maduras de certos temas que tramitam até muito tarde, possivelmente em função dos horários mais apertados de fechamento.


Como se sabe, o desenvolvimento tecnológico apenas piorou a vida dos jornalistas.


Resta saber se a sacada da Folha será capaz de tornar o jornal mais atrativo para os leitores jovens ou se é apenas mais uma pintura na fachada.


A Copa e a deformação do noticiário


Ouça o comentário de Alberto Dines:


– A Copa do Mundo costumava ser para a mídia uma fonte de receita episódica, marginal: reforçava a audiência, às vezes trazia algumas sobras do faturamento esportivo, geralmente produzia apenas prestígio. Isso valeu até a década de 90 do século passado quando a globalização tornou o Mundial uma indústria que, mesmo quadrienal, converteu-se num importante marco do calendário financeiro das empresas de mídia. Além do reforço no público gera faturamentos e parceiras que se estendem até a metade do intervalo antes da Copa seguinte. Mas sob o ponto de vista informativo as Copas provocam uma perigosa deformação com a ostensiva hegemonia do noticiário esportivo. O quadro agravou-se a partir da Constituição de 88 quando as Copas passaram coincidir com as eleições presidenciais com evidentes prejuízos não apenas para o noticiário político mas também para o teor do próprio debate eleitoral. Além de confundir-se com a campanha sucessória a cobertura da Copa impõe paradigmas menos exigentes na cobertura não esportivas. Este 19º Mundial que começa hoje parecia destinado a provocar o mesmo esvaziamento do noticiário não-esportivo quando de repente a cena política nacional e internacional ganhou surpreendente relevância: as sanções ao Irã, a repercussão da ação militar israelense contra a flotilha turca pró-Gaza, o agravamento da crise européia, a decisão do TSE de exigir ficha-limpa já nestas eleições e a votação na madrugada de ontem tirando os royalties dos estados produtores de petróleo são fatos relevantes, de capital importância, que não podem ser minimizados ou acompanhados em ritmo de Copa. Se as empresas de mídia estão tirando a barriga da miséria graças ao faturamento publicitário produzido pela Copa não podem esquecer que a sua credibilidade foi construída nos intervalos entre os eventos máximos do esporte mundial.

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