Terça-feira, 21 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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>>Um sinal de otimismo
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Por Luciano Martins Costa em 06/04/2009 | comentários

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Um sinal de otimismo

O Globo é o primeiro dos grandes jornais brasileiros a apostar numa perspectiva otimista para o Brasil diante da crise econômica mundial, após a reunião histórica do G-20 em Londres, realizada na quinta-feira, dia 2 de abril.

Enquanto a Folha e o Estado de S. Paulo passaram o final de semana repetindo números da crise pelo mundo afora, o Globo inaugura a semana com uma reportagem mais abrangente sobre os primeiros sinais de alívio para a economia brasileira.

O título principal da seção de economia do Globo não podia ser mais direto: “Saindo do fundo do poço”.

Pode-se até questionar se realmente chegamos a tocar o fundo do poço, ou se a crise chegou a ser assim tão profunda no Brasil, justificando a metáfora, mas a escolha do título resulta do velho e bom jornalismo.

A equipe do jornal simplesmente pegou os indicadores e saiu questionando especialistas.

Só que, desta vez, em lugar de entrevistar economistas comprometidos com partidos políticos ou vinculados a bancos, os repórteres foram falar com representantes da economia real, como a Confederação Nacional da Indústria, a Associação Brasileira de Supermercados e o setor automobilístico.

Resultado: a previsão é de volta do crescimento econômico em poucos meses e de um aumento do PIB acima das previsões pessimistas anunciadas até aqui.

As principais revistas semanais de informação já haviam feito, em suas edições da semana, uma avaliação positiva dos resultados do encontro de líderes realizado em Londres, destacando o papel do Brasil na busca de soluções para o problema global.

Época até publica uma entrevista na qual se destaca que o Brasil pode se manter descolado dos outros países que estão em situação mais grave, justamente por causa das políticas sociais de distribuição de renda que a imprensa tanto critica.

Já é alguma coisa, pois, por mais confiáveis que sejam os indicadores, não há otimismo que resista à enchurrada de manchetes negativistas que os jornais vêm despejando sobre o leitor desde o começo do ano.

A imprensa, ou pelo menos parte dela, parece comprender que a recuperação econômica só vai se consolidar quando melhorar a confiança do consumidor.

Não é função da imprensa conduzir a economia, mas as escolhas editoriais entre o apocalipse e a esperança são também um fator econômico, e, no caso do Brasil, parecem depender mais do humor dos editores do que dos fatos em si.

Notícia interrompida

Alberto Dines:

– As manchetes de grande imprensa na última sexta-feira concentraram-se na decisão tomada pelo grupo das 20 maiores economias em controlar os mercados e, sobretudo, os paraísos fiscais em todo o mundo. O destaque era legítimo, não se tratava de um paliativo, os jornalões acertaram.

O controle da especulação desenfreada e, sobretudo, o fim da clandestinidade que cerca as grandes movimentações de capital não acabarão com a recessão e não devolverão os postos de trabalho perdidos nos últimos meses. Mas deverão sanear definitivamente uma rede de vasos comunicantes que alimenta a corrupção, estimula o crime organizado, abastece o terrorismo e sonega preciosos recursos para o desenvolvimento sustentável.

O que chama a atenção, no entanto, é que as redações tiveram três dias para oferecer aos leitores informações complementares e análises. O comunicado do G-20 emitido em Londres na quinta-feira exigia nos dias seguintes a produção de argumentos capazes de despertar no leitorado a disposição de enfrentar o capitalismo podre, tóxico, selvagem e seus tremendos efeitos colaterais e morais.

A corrupção que assola o Brasil será naturalmente controlada quando os corruptos e os corsários não contarem mais com estes santuários para esconder o fruto da rapinagem. Nossas redações não compreenderam ou tiveram preguiça para avaliar que os paraísos fiscais representam a desregulação absoluta, a libertinagem financeira.

Deixaram o assunto esfriar quando estava mais quente. Como sempre, o último fim de semana interrompeu abruptamente o salutar desdobramento do noticiário. A crise da mídia contemporânea fica muito mais visível aos sábados e domingos quando a avalanche de anúncios coincide com uma generalizada vontade de ir para a casa e gozar o descanso.

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