Terça-feira, 17 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº995
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Programa nº 827

>>Um teste para a imprensa
>>Um triste aniversário

Por Luciano Martins Costa em 21/07/2008 | comentários

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Um teste para a imprensa

O Globo informa que a Operação Satiagraha, que resultou no indiciamento, entre outros, do banqueiro Daniel Dantas, entra hoje em nova fase, com a criação de uma força-tarefa para continuar a investigação.

Segundo o jornal carioca, cerca de 50 profissionais, entre agentes da Polícia Federal, procuradores do Ministério Público Federal, funcionários da Comissão de Valores Mobiliários, da Receita Federal, do Banco Central e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras vão passar o pente-fino nos documentos apreendidos com os acusados.

O Globo afirma que a ordem de formar um grupo especial de investigação partiu do próprio presidente da República, que estaria preocupado com suspeitas de que teria determinado o afastamento do caso do delegado Protógenes Queiroz.

A nova equipe terá pela frente a tarefa de analisar muitas horas de gravações de conversas telefônicas e emails, além dos documentos apreendidos com os 24 envolvidos, principalmente Daniel Dantas, o especulador Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta.

O foco central dos investigadores deverá ser o conjunto de discos magnéticos encontrado atrás de uma parede falsa no apartamento do banqueiro.

Essa é a fonte de preocupação de muitos figurões da República, representantes de variadas correntes políticas que parecem ter em comum o fato de haverem sucumbido ao poder de sedução do banqueiro Dantas.

A Folha de S.Paulo calcula que o trabalho de análise deverá demorar quatro meses.

Segundo a Polícia Federal, as 56 ordens de busca e apreensão cumpridas no dia 8 durante a Operação Satiagraha resultaram na coleta de cerca de uma tonelada de equipamentos e documentos.

Por enquanto, só foi concluído o inquérito que resultou na abertura de processo criminal contra Daniel Dantas e seus colaboradores Humberto Brás e Hugo Chicaroni pela tentativa de subornar um delegado.

Os jornais diários têm demonstrado mais fôlego do que as principais revistas semanais para manter seus leitores informados sobre aquele que promete ser o mais alentado escândalo envolvendo empresários e autoridades públicas dos últimos tempos.

Mas a periodicidade também cria dificuldades para manter o interesse pelo assunto.

Esse período em que o noticiário se torna mais rarefeito, por causa da natural lentidão das investigações, costuma ser um grande desafio para a imprensa.

As próximas semanas vão mostrar se a mídia consegue oferecer ao público mais do que as migalhas de informação que vazam da Polícia Federal.

Um triste aniversário

A cobertura simultânea de mais de um grande caso costuma ser uma dificuldade para os jornais.

A Operação Satiagraha parece ter esgotado a capacidade de edição da imprensa brasileira, e outro grande assunto quase escapa aos jornalistas.

Alberto Dines:

– Não fosse um concerto da Orquestra Sinfônica do Estado de S. Paulo na manhã de ontem, o primeiro aniversário da maior catástrofe aérea brasileira, teria passado em brancas nuvens. Na verdade, além desta solenidade e dos atos religiosos em memória das vítimas nada aconteceu ou nada foi registrado, o que vem dar na mesma.

A mídia brasileira está se lambuzando com todas as histórias relativas à Operação Satiagraha, não tem tempo para cuidar do resto. E o resto envolve questões de suma gravidade. No fim de semana anterior, alguns veículos anteciparam conclusões do relatório sobre responsabilidades no desastre de 17 de julho de 2007 e depois se entregaram ao festim Daniel Dantas.

Lembrar a catástrofe com o Airbus da TAM não significa apenas prantear as vítimas e cobrar as indenizações devidas, significa dar um balanço geral no apagão aéreo iniciado há quase dois anos com outra catástrofe, a do Boeing da GOL e verificar que todas as promessas e planos ficaram no papel.

A questão da controle do tráfego aéreo não foi resolvida, aeroportos não foram reformados, Congonhas continua congestionado, a Infraero continua ineficiente, a ANAC continua impotente e o pior, os escândalos envolvendo a venda da Varig mostram que o duopólio em nossa aviação comercial não tem condições de atender a demanda atual nem garantir um crescimento.O ministro da Defesa Nelson Jobim, que há um ano estava nas manchetes, evaporou-se e a mídia espera que algo aconteça para então fazer barulho. Desde que não haja outro escândalo para distraí-la.

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