Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

Programa nº 1450

>>Uma errata gigantesca
>>O que dizem os astros

Por Luciano Martins Costa em 28/12/2010 | comentários

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Uma errata gigantesca

Chama atenção a reportagem no Globo desta terça-feira, dia 28, sobre as previsões de economistas que não deram certo durante o ano que se encerra. Segundo o jornal carioca, o Brasil deve entrar em 2011 com uma economia mais aquecida, com expansão acima do previsto e alta dos preços maior do que o projetado pelos especialistas ao longo dos últimos doze meses.

A maior surpresa, segundo o Globo, foi com o crescimento do País.

No fim  de 2009, as previsões dos economistas selecionados pela imprensa – ou seja, aqueles cujos trabalhos são avalizados pela mídia – era de que o Brasil cresceria 5,2% neste ano.

Mas os dados disponíveis na última semana indicam que o crescimento será superior a 7,5%.
 
Outra das grandes falhas dos gurus da economia se refere ao volume de exportações brasileiras em 2010.

Recorde-se o leitor e ouvinte que, durante todo o ano, a imprensa repetiu a “verdade definitiva” segundo a qual a valorização do real estaria desestimulando os exportadores nacionais.

Pois bem: com o dólar ainda em torno de R$ 1,70, as exportações brasileiras chegam a US$ 200 bilhões, um recorde histórico.

Esse valor é alcançado principalmente pelo aumento de preços das commodities, os produtos básicos da pauta de comércio exterior do Brasil, e por causa do crescimento das vendas para países emergentes.
 
Com esses números, o saldo da balança comercial também deve subir muito, apesar do alto volume de importações, chegando próximo de US$ 19 bilhões, o que contraria outra das previsões dos especialistas e as estimativas do próprio governo.

Em todas as análises publicadas nos últimos dias deste ano, constata-se o entendimento de que o Brasil conseguiu construir um círculo virtuoso: a economia cresce e, embora a inflação também tenha superado as previsões, a tendência é de que vamos continuar a crescer na próxima década.
 
Quando se voltam para o futuro próximo, as agências oficiais e os especialistas escolhidos pela imprensa projetam um cenário ainda mais otimista: as empresas planejam seguir investindo em 2011, a oferta de emprego continuará em alta, embora em muitos lugares do País já se esteja vivendo a fase do pleno emprego, e a renda do trabalho seguirá crescendo.

A inflação deverá ser menor do que a de 2010, mas ainda é preocupante, em parte porque se considera que o mercado interno continuará aquecido.

O cenário é tão animador que os jornais parecem estar sem vocabulário para compor as manchetes do noticiário econômico.
 
O que dizem os astros

A despeito da realidade positiva e das perspectivas de continuidade dos bons ventos, o noticiário rotineiro da imprensa tradicional pode induzir muitos leitores a interpretações equivocadas.

No olhar rotineiro da imprensa, é possível apreender uma realidade muito distinta, mais pessimista, do que aquela que aparece nos tradicionais balanços de fim de ano.

É como se os jornais torcessem contra o sucesso do País durante o dia-a-dia, mas tivessem que admitir, no final, que o balanço é positivo.
 
Observe-se, por exemplo, algumas manchetes e títulos destacados de reportagens publicados neste mês:

“Lula entrou e vai sair com o maior juro real do mundo” – Folha de S.Paulo, 9 de dezembro.
Detalhe: a reportagem deixa em segundo plano o fato de que, de janeiro de 2003 a dezembro de 2010, a taxa de juros controlada pelo Banco Central caiu de 25,5% para 10,75%, tendo chegado a 8,75% em julho de 2009.

“Inflação já é a maior em cinco anos, mas BC mantém juros” – O Globo, 9 de dezembro.

“Brasil cresceu na era Lula menos que emergentes e América Latina” – O Globo, 10 de dezembro.
 
Também foram publicadas, evidentemente, manchetes positivas, porque, afinal, a realidade acaba se impondo.

“Remuneração sobe mais para quem tem salário menor”, publicou o jornal Agora, diário que pertence ao Grupo Folha, no dia 12 de dezembro.

“Renda da classe C deverá valer uma Bélgica em 2020”, publicou a Folha no mesmo dia.

Na mesma data, o Estado de S.Paulo anunciava em manchete no caderno de Economia&Negócios: “Natal de 2010 será o melhor da década”.

Conclusão: o leitor que tomou decisões com base nas manchetes de jornais correu sérios riscos de cometer equívocos em suas decisões econômicas.

Outra conclusão: adivinhação por adivinhação, talvez seja mais negócio ler apenas o horóscopo todos os dias.

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