Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 226

Mauro Malin

>>Vale o dito ou o escrito?
>>Números e palavras

Por Mauro Malin em 16/03/2006 | comentários

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Vale o dito ou o escrito?


Os três grandes jornais foram, é claro, à entrevista coletiva do caseiro Francenildo. No Globo, havia, na casa que era alugada por Vladimir Poleto em Brasília, festas com garotas e Viagra. Sem o ministro Palocci. No Estadão, mencionam-se idas de Palocci, sozinho. Na Folha, a chegada do ministro era antecedida pela chegada de uma mulher, que ficava com ele na casa.


Será que cada repórter ouviu uma coisa diferente ou cada jornal decidiu dar uma versão diferente do que foi ouvido?


A farra das pesquisas


A interpretação das pesquisas pré-eleitorais é um território livre para especulações e tentativas de manipulação ao sabor das preferências dos analistas. Não estaria na hora de surgir uma instituição que tivesse como norma oferecer análises isentas?



Números e palavras


Alberto Dines diz que números estão substituindo palavras na análise política da imprensa.


Dines:


– A política está com cara de futebol e os jornais parecem tomados pela febre dos placares. Hoje aumentou o marcador da impunidade com a absolvição de Pedro Henry, agora são cinco os mensaleiros absolvidos. Felizmente o número de cassados também aumentou, de dois para três com a punição imposta ao presidente do PP, Pedro Corrêa. E no escore eleitoral cresceu a diferença entre Lula e o recém-escolhido Geraldo Alckmin. A grande verdade é que o jornalismo está trocando as palavras por números e com números apenas o respeitável público fica ainda mais desorientado.


Exemplo disso foram os jornais de ontem, quarta-feira, que apresentaram a escolha de Alckmin pelo PSDB como uma goleada do governador paulista sobre o prefeito paulistano. O que houve de fato foi uma desistência e ela já estava evidente há vários dias: Serra só poderia esquecer o compromisso de completar o seu mandato se o seu partido o obrigasse a isso – por unanimidade. Com Alckmin no páreo, adeus unanimidade, então Serra desistiu. A grande maioria dos nossos comentaristas e nossas comentaristas não conseguiu enxergar esta sutileza e preferiu futebolizar a política. É muito mais fácil.



TV digital ainda em negociação


A Folha, que já chegou a dar em manchete a vitória do padrão japonês de TV digital, destaca nesta quinta-feira, 16 de março, a luta dos europeus. Para atender o desejo do governo brasileiro de ver surgir no país uma fábrica de semicondutores, empresários da União Européia pedem incentivos e buscariam financiamento. Mas a infra-estrutura deficiente, o padrão de formação dos trabalhadores e o quadro tributário brasileiro desencorajam a construção no país de uma fábrica moderna de chips.


O padrão do Jornal Nacional


Na década de 90, a baixaria policialesca puxou o Jornal Nacional para padrões de qualidade mais baixos. Esse cacoete voltou nas últimas semanas. Talvez a Rede Globo não tenha percebido com toda a clareza que o fenômeno atual do telejornalismo brasileiro é o contrário daquele. A modernização do Jornal da Band e o lançamento do jornal SBT Brasil e da nova fase do Jornal da Record, copiados do padrão do telejornalismo da Globo, significam uma vitória desse padrão.


Um dos participantes do Observatório da Imprensa na televisão desta semana, que debateu os telejornais, Ernesto Rodrigues, ex-editor na Rede Globo, defende essa tese.


Ernesto:


– O que a TV Globo faz, as decisões da TV Globo em relação à guerra de audiência são todas relacionada com a audiência de São Paulo, por razões óbvias. Houve uma época em que o jornalismo local de São Paulo estava sofrendo muito com o tipo de cobertura policialesca que outros canais estavam fazendo. E em alguns momentos, na minha opinião, a TV Globo chegou perto, mas sempre com muito mais critério. Isso aí, eu não tenho a menor dúvida. Muitas vezes o jornalismo da TV Globo foi puxado para esse baixo nível. Mas nunca liderou e nunca puxou os outros para isso.


Você tentar imitar o Jornal Nacional no que diz respeito a essa cobertura dos fatos do dia e do mundo, eu acho que é um avanço.


Insegurança e política no Rio


Artigo de César Felício no jornal Valor de hoje chama a atenção para a correlação entre criminalidade, segurança pública e política no Rio de Janeiro, assunto raramente captado pela mídia, que deveria, por seu óbvio envolvimento, ser mais atenta às manipulações do problema da violência urbana.


César Felício diz que a operação do Exército foi “o segundo gesto para o presidente renascer das cinzas no Rio”. Antes, houve uma aproximação de Lula com a Igreja Universal do Reino de Deus, da qual deverá decorrer a candidatura do senador e bispo evangélico Marcelo Crivella ao governo do estado.


# # #


Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br.  

Todos os comentários

  1. Comentou em 18/03/2006 maria santos

    Talvez, as notícias que recebemos de todos os lados, faça alguns pensarem que é ruim. A observação cuidadosa vai além. Mostra que para a população é importante que cada órgão da imprensa tenha um conceito diferente da notícia. Propicia, assim, ao leitor, olhar os diversos lados da notícia e avaliar corretamente o mais coerente, o verdadeiro. Cada um tem sua interpretação; cabe ao leitor filtrar tudo e fazer sua avaliação final. O debate, entre as diversas tendências sempre será construtivo.
    È como estas cpis, chatas, mas dá para revelar a insustentável ignorância política.

  2. Comentou em 17/03/2006 Carlos Kazuo Inoki

    A industria de semicondutores sempre foi muito mimada por enormes incentivos fiscais, onde quer que elas se instalem. Por exemplo, a instalacao de uma linha da AMD em Dresden (Alemanha) custa bilhões de dólares aos cofres públicos. Entre incentivos fiscais e injeção direta de dinheiro público. New York ainda tenta atrair indústrias deste tipo a se instalarem no estado. E não tem alcançado sucesso em convencer ninguem. Não por falta de mão-de-obra especializada ou infraestrutura. Mas falta de incentivos fiscais bilionários. O que ira atrair uma indústria de semicondutores ao Brasil serão esses incentivos fiscais. Não a mao-de-obra, ou a infraestrutura, ou a vontade politica. Quanto a mao-de-obra, uma indústria de semicondutores emprega diretamente poucas pessoas se comparada a outras indústrias. Por exemplo, a linha de produção da IBM em East Fishkill (New York, EUA) é operada por cerca de 50-100 pessoas. As pessoas intervêm apenas em caso de problemas nas linhas. Se não, as lâminas de silício entram de um lado e saem microchips do outro. Com o mínimo de intervenção humana. Fico na dúvida se é realmente vantajoso para o país ter uma fabrica de chips no Brasil. Melhor seria um Design Center. Especialmente agora que os chips estao se tornando mera commodity. Tal como a soja ou a carne. Excluindo os processadores de computadores, os preços de microchips sao irrisórios.

  3. Comentou em 16/03/2006 Bárbara santos de souza

    Observando melhor tudo o que os jornais estao fazendo, notaremos que é reflexo da sociedade que adora ver um enxame na midia. Eu não quero defender nenhuma emissora, mas é obvio que elas ofereceram o que a maioria do público quer ver, ‘ESPETáCULO’, muito espetáculo.

  4. Comentou em 16/03/2006 José Carlos dos Santos

    Que triste é ver os grandes jornais perdidos e atirando para todo lado e o que é pior errando todos os alvos, lembro de quando a Folha anunciou a vitória de Luiza Erundina no pleito para a prefeitura de São Paulo, furando todos os concorrentes que ainda acreditavam na vitória de Maluf, agora os vaticínios da Folha dão com os burros n´água, vide o caso da TV digital, será que suas Pitonisas estão piores do que a Mãe Diná nem as desgraças conseguem acertar. E o Estadão-ão-ão, virou motivo de piadas graças a essa mal-fadada tática de marketing, nem para embrulhar peixe servirá mais o centenário jornal-au-au.

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