Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 186

Mauro Malin

>>Velhos amigos
>>Liberdade ameaçada

Por Mauro Malin em 19/01/2006 | comentários

Ouça aqui

Download

Velhos amigos


Confirma-se o ativismo do Congresso Nacional. E complica-se a situação de pessoas que há muitos anos acompanham de perto a trajetória do presidente Lula.


Fiel da balança


Cresce entre repórteres de política de Brasília a impressão de que está na hora de se noticiar melhor a luta política dentro do PMDB, que pode ter um papel muito grande na sucessão presidencial. Hoje, na Folha, o colunista Jânio de Freitas aborda o assunto.



Alckmin e Opus Dei


Só hoje, quase uma semana depois, repercute politicamente a reportagem da Época sobre a prelazia católica Opus Dei. Isso decorre da maneira discreta como entrou na edição o governador Geraldo Alckmin. Se o presidente Lula fizesse reuniões doutrinárias com o MST, por exemplo, dava capa.


O Estadão noticia que Alckmin negou em jantar com dirigentes do PSDB ter ligação com a Opus Dei.



Liberdade ameaçada


O Alberto Dines critica o projeto de lei do governo no qual se propõe que jornalistas sejam punidos com prisão por delitos cometidos no exercício da profissão. O projeto foi condenado ontem pela Associação Brasileira de Imprensa.


Dines:


– A temporada política foi re-inaugurada em grande estilo nesta semana. E, para variar, o governo voltou a apontar as baterias para a imprensa. A idéia de punir os jornalistas que divulgarem grampos, legais ou ilegais, é uma reação ao chamado “jornalismo fiteiro”. E o que é o “jornalismo fiteiro”? As redações recebem fitas, grampos ou vídeos e fazem as transcrições sem qualquer investigação paralela. É uma espécie de chantagem, porque muitas vezes os autores do grampo estão querendo extorquir alguma coisa dos grampeados e, quando não conseguem, por vingança, entregam o material à imprensa. O “jornalismo fiteiro” é uma aberração mas isso não dá o direito ao governo de resolver a questão com um decreto.



Questões que têm a ver com a Constituição – e esta é uma delas – só podem ser dirimidas pelo STF. O mais grave é que a idéia partiu do ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, que não tem o direito de ignorar um preceito tão trivial. A prisão de jornalistas por atos cometidos no exercício da profissão já deveria ter sido abolida há muito tempo. Agora, vem o ministro que é também advogado criminalista e esquece que não cabe ao governo interpretar a Constituição. Ela é clara, o direito de informar sobrepõe-se a todos os outros direitos. Se houve abusos no passado, se o sigilo de um processo é quebrado e muitas vezes prejudicando inocentes, não será com um ato autoritário que se resolverá a questão. O governo começou mal o ano político.


Críticas azedas


O repórter João Domingos, da sucursal do Estado de S. Paulo em Brasília, diz que críticas feitas há anos pelo jornalista e professor Bernardo Kucinski, para leitura do presidente Lula, contribuem para azedar o relacionamento entre o presidente da República e a imprensa.


João Domingos:


– Eu disse isso para ele, Bernardo Kucinski, nesta semana – o que ele manda para o presidente Lula é um boletim que vai com uma série de erros de conceito. Chega para o presidente Lula e diz: A imprensa não gosta de você. Ora, o presidente quando pega aquilo já fala: Os caras não gostam de mim. E daí vem toda essa aversão que ele critica, o presidente Lula ter um mau relacionamento.


Não vejo os jornalistas como um bando de idiotas, uns iletrados, um bando de imbecis, como ele fala. É um erro fazer essa generalização, porque ele também critica essa generalização que a imprensa faz com relação ao governo e ao presidente Lula.


Pode-se dizer até que há críticas exageradas ao governo dele atualmente, isso pode ocorrer. Agora, se havia alguém que contava com a simpatia dentro das redações, era o candidato Lula.



Vias de direito


A competição comercial entre jornais no Rio esquentou tanto que foi parar nas instâncias regulatórias da concorrência. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a Secretaria de Direito Econômico foram acionados pelo Dia. A empresa alega que o Infoglobo faz concorrência desleal em classificados articulando jornais, a Globo Online, na internet, e a Agência Globo. A maneira como a TV Globo divulga os outros veículos do grupo também é questionada.



Caso de polícia


O Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil insistem numa campanha difamatória contra o jornalista Lourival Sant´Anna, do Estado de S. Paulo. Explicam hoje que as reportagens não são assinadas porque o jornalista Pimenta Neves, assassino confesso da jornalista Sandra Gomide, sua ex-namorada, está solto. E mencionam ameaças recebidas pela redação do JB por telefone e correio eletrônico.

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/01/2006 Haroldo Mourão

    Sr. Mauro, o STF não está lá para fazer leis, ele é guardião das mesmas e de verificar se não há abusos ou erros jurídicos quando novas para serem emitidas. O jornalista é um cara engraçado, vive cobrando tudo de tudos, na sua vez dana a espernear que as pessoas estão perseguindo a imprensa. Ora a imprensa! Aos canalhas travestidos, cadeia sim! Qualquer profissão tem seu regulamento para ser seguido e a de vocês, tem algum? A não ser aquele que você citou ‘… Ela é clara, o direito de informar sobrepõe-se a todos os outros direitos’. Que diabos de direitos são esses que não respeitam os dos outros? Quais sejam o de BEM informar, sem maquiagens, sem partidarismos e, principalmente, sem interesses financeiros por trás da notícia. Quem não estiver de acordo em trabalhar com ética, vá ser mercenário no Iraque, Bush paga muito bem essas bestas.

  2. Comentou em 19/01/2006 Cristhian Tambosi

    Erro 1: É um equívoco dizer que o governo não pode encaminhar projeto de lei sobre matéria Constitucional (‘Questões que têm a ver com a Constituição – e esta é uma delas – só podem ser dirimidas pelo STF’). Cabe SIM às leis regular matérias Constitucionais, ao STF cabe APENAS dizer se a regulamentação viola, ou não, a Constituição. Se assim não o fosse, as leis que regulamentam direitos constitucionais como habeas corpus seriam editadas pelo STF (absurdo, absurdo). A Constituição deve ser lida e interpretada como um todo, e dentro do ordenamento jurídico brasileiro, não se chega a uma interpretação correta pinçando apenas trechos de artigos Constitucionais, este infelizmente é um erro cometido por muitos veículos de informação, que acabam gerando confusão para a população, ou mesmo passando informações erradas. Erro 2: Quem disse que o projeto é absurdo? A imprensa é muito autoritária, nunca saberemos se a vontade do povo (a verdadeira opinião publica) é a favor ou contra o projeto, o que conhecemos é apenas a opinião publicada (que representa apenas os interesses corporativos de uma classe). Eu, e muitos somos à favor da regulamentação, nenhuma liberdade é irrestrita, e a imprensa não gosta de ser controlada. A imprensa começa a ficar muito parecida com os militares.

Programas Anteriores

1 2 3 4 5 última

1 de 2625 programas exibidos

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem