Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Um acrônimo, por favor!

Por Gabriel Perissé em 15/02/2005 na edição 316

Embora gostoso, acrônimo não se come. Nem se bebe. Mas pode alimentar o vocabulário… e a imaginação!

Trata-se de uma palavra (e não apenas de uma sigla) formada pelas iniciais, ou por mais de uma letra, de expressão ou frase. Os exemplos mais citados são radar, radio detecting and ranging, ‘detecção e determinação da distância (por ondas de) rádio’, e Gestapo, Geheime Staats Polizei (Polícia Secreta do Estado).

Um acrônimo medieval, evidentemente falso, retira das letras iniciais da frase super omnia lucens a palavra ‘sol’ — luz que está ‘sobre todas as luzes’.

Outra falsidade interessante diz respeito à palavra Máfia, proveniente de um termo do dialeto siciliano, mafia, inspirado por sua vez na palavra árabe mahyah, audácia. Dizem os degustadores de acrônimos que, de fato, nasceu de expressão muito ouvida numa época em que os italianos lutavam contra as invasões napoleônicas: Movimento Anti Francesi Italiano Azione, ou seja, Movimento de Ação Italiana Contra os Franceses.

Outro acrônimo sugestivo. Teacher, em inglês, seria, na origem, a condensação de sete elogios aplicáveis ao bom profissional da docência: tolerant, empathic, accomodating, capable, humble, enlightened, and responsible.

Virtudes e atitudes

Tolerante: no sentido melhor da palavra. Não a conivência, nem a condescendência de quem deixa ‘rolar’ e, no fundo, sob a capa da tolerância, despreza os alunos irrecuperáveis…

Empático: identificação com o aluno, sentir o que ele sente, querer o que ele quer, sofrer o que ele sofre. E, nessa via, ajudá-lo a encontrar sua própria identidade.

Conciliador: conciliar teoria e prática, exigência e brincadeira, amizade e respeito, riso e seriedade, disciplina e soltura, trabalho artístico por excelência.

Competente: não existe mensageiro sem mensagem, nem professor sem conhecimento específico. O professor é um educador para a vida, mas não pode, sob o pretexto do objetivo maior, omitir-se. O professor de língua portuguesa saiba explicar a crase, o de matemática a raiz quadrada etc. etc.

Humilde: os antigos atribuíam à humildade o sentido da simplicidade, ser o que sou, só.

Culto: amplitude de horizontes, cultivo do idioma, amor à leitura, contato com o patrimônio civilizatório.

Responsável: sem ser ‘caxias’, mas os alunos sentem falta da pontualidade, do compromisso, do senso de dever, da resposta.

Evidentemente, é um acrônimo inventado, mas a sua verdade extrapola a lógica etimológica. Ser professor, mesmo em nosso idioma, requer aquelas virtudes e atitudes que, no pedagogês atual, chamam-se competências.

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Doutor em Educação pela USP e escritor (www.perisse.com.br)

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