Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

TV EM QUESTãO > INFORMAÇÃO & CULTURA

O fenômeno da rede Al-Jazira

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 19/06/2012 na edição 699

Iniciadas suas transmissões via satélite em 1º de novembro de 1996, no Catar, a rede de televisão Al-Jazira tornou-se em pouco tempo um fenômeno de audiência no mundo árabe, pois apresenta conteúdo diverso, fugindo assim dos temas religiosos, anúncios e notícias previamente enviadas e controladas pelos órgãos governamentais. Concorrendo com outras duas emissoras de canais abertos arábicos que fazem diariamente a leitura do Corão – livro sagrado dos muçulmanos – e que também produzem e retransmitem programas de esportes e documentários, que são denominadas de Ghasab 1 e Ghasab 2. O fato é que com o fenômeno da Al-Jazira a cultura árabe modificou-se e até a arquitetura apresenta novidade, pois as casas passaram a ter nos telhados antenas para captar os sinais de satélite.

A Al-Jazira penetrou no impermeável controle que os governos árabes impunham aos meios de comunicação e a BBC de Londres, que era até então fonte dos governos árabes, visto a sua suposta independência, bem como a Rádio Monte Carlo, ambas foram desbancadas, pois os árabes agora têm o seu canal televisivo e de notícias independente captado por satélite em todo o planeta.

A Al-Jazira é a porta-voz das questões árabes no mundo e fonte para a grande mídia que se atreve a publicar as verdades do mundo com independência e sem manipulação. Não é fácil mudar a cultura de um povo, especialmente a de lá, em que a religião se sobrepõe aos governantes e há nítido puritanismo e machismo na sociedade e o conteúdo da mídia é de difícil acesso e controlado, como se vê no Relatório Árabe de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento de 2003, no qual o mundo árabe tem a pior classificação entre as sete regiões do mundo, com apenas 7% da população tendo acesso à internet – 60% das mulheres, segundo o Relatório, são analfabetas nos 22 países da Liga Árabe.

Mudança cultural

A sociedade árabe é patrilinear e o sangue, a honra, a família e a religião são sagrados naquela plaga, daí o grande mérito da Al-Jazira, pois introduziu na sua grade de programação notícias gerais, com espaço infantil e feminino, sem falar no destaque para as paixões dos árabes: a criação de cavalos e as competições de falcões.

O mundo árabe é resistente à modernidade e demorou a aceitar a globalização, mas os tempos são outros e hoje, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, por exemplo, é possível encontrar itens de consumo que ainda não foram lançados na Europa e nos EUA, sugerindo que está em andamento uma mudança cultural arábica e que a Rede Al-Jazira contribui para divulgá-la para o resto do mundo.

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[Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista, Fortaleza, CE]

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