Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

TV EM QUESTãO > ESPORTE INTERATIVO

O significado da NFL

Por João da Paz em 07/08/2012 na edição 706

Esta data marca o início das transmissões da NFL pelo canal Esporte Interativo. Lauro Jardim, jornalista da revista Veja, revelou no seu blog Radar On-Line (27/7/2012) a grande notícia:

“O Esporte Interativo passará a transmitir, via parabólica e pela internet, os jogos de futebol americano da NFL, a maior liga do esporte no mundo. O acordo, que inclui a exibição de três jogos semanais, vale já a partir de agosto, quando começa a nova temporada. Na TV por assinatura, a ESPN continuará transmitindo as partidas.”

O canal fez o anúncio oficial na última quinta (2/8). São jogos da pré-temporada, três jogos por semana da temporada regular (quinta, domingo à tarde e à noite), todos os jogos dos playoffs, Super Bowl e Pro Bowl. Como experiência, o Super Bowl da temporada passada, entre New York Giants e New England Patriots, foi ao ar pelo E+i. Mas agora, com um pacote completo confirmado, é preciso criar um plano de transmissões: como trilhar neste árduo caminho de levar um esporte americano para todo o Brasil via sinal aberto de TV.

O Esporte Interativo tem um público-alvo definido que precisa atenção e dedicação: aqueles que não são fãs da NFL. O fã da liga é propriedade da ESPN Brasil, pela tradição que a filial do canal americano tem anos levando ao país a liga de football. Quem tem o privilégio de receber em casa canais de TV por assinatura, vai ter duas opções para assistir os jogos da NFL – com exceção dos assinantes da Sky e Net (não têm Esporte Interativo nos pacotes). Assim, o torcedor da NFL que acompanha o campeonato há mais tempo vai escolher a emissora que se autodenomina “Líder Mundial em Esportes”.

Só no interior

Muitos vão ficar com a opção tradicional sem problema algum, reconhecendo bem a função de ambos os canais. Porém, infelizmente, o E+i vai ter de lidar com o #TorcedorBurro, medíocres sem noção que vão reclamar da pronúncia de nomes/times da equipe do E+i, da imagem do canal, de não disponibilizar o SAP… É primordial para o Esporte Interativo ignorar estes incautos. É bom deixar pra lá. Deixem que assistam à liga por GamePass, pela internet em links piratas e meios afins.

A função do Esporte Interativo é ser didático. Não tem site, blog – muito menos ESPN – com a possibilidade de abranger um número absurdo de pessoas por todo o Brasil. O alcance do canal é impressionante – chega a lugares inimagináveis. Bom é que eles sabem o poder que têm, até pelo próprio caminho que o canal percorreu nos cinco anos de existência. Começou aparecendo na TV Cultura, TV Gazeta (em São Paulo)… Começou devargazinho no Rio de Janeiro… Hoje está disponível em todo o Brasil via antena parabólica, em 19 canais UHF (sinal aberto) e em oito redes de TV por assinatura. É uma TV que inova e saiu na frente ao disponibilizar, gratuitamente, o canal via internet (também na rede social Facebook) e por celular. A próxima inovação, esta paga, é um player virtual no qual quem assinar vai poder ver quando quiser os programas da emissora.

Conhece boyzinho de apartamento (quem jogou bolinha de gude em tapete e empinou pipa em ventilador)? Pois é, a classe já apareceu desvalorizando a conquista do E+i, menosprezando a qualidade, seu alcance “aberto” e a representatividade do canal. Óbvio, não conhecem o que é o Esporte Interativo. Para estes, é um canal que apareceu aí num número qualquer na sua TV por assinatura. Para saber a importância do E+i, só indo para o interior do Brasil. Quem mora, viajou, conhece o país além do olhar capitalista, entende.

Interatividade verdadeira

Tive o privilégio de morar e trabalhar em Pernambuco. Minha residência era em Pesqueira (agreste), mas por cobrir o time local de futebol, conheci dezenas de cidades do estado. Pude notar a potência do Esporte Interativo. A maioria dos pernambucanos tem uma antena parabólica, maneira de assistir a vários canais com boa imagem e som. Em grandes cidades (Recife, Caruaru, Petrolina), é possível sintonizar diversos canais pela tal antena “costela de peixe”, mas em cidades menores são poucos que esta antena consegue captar o sinal – sempre o da Rede Globo e/ou outro qualquer. Logo a melhor opção, até pelo preço acessível e promoções que lojas realizam, é adquirir uma parabólica.

Era comum o papo de sábado na praça começar com: “Jogão hoje no canal 12, hein?” (onde comumente o Esporte Interativo é sintonizado na antena parabólica). Aí vinha outro e dizia: “Sim, clássico do campeonato italiano: Milan e Juventus”. A conversa prosseguia com citações de jogadores e times de países da Europa, que organizam os grandes campeonatos de futebol do mundo. E em qualquer lugar que você morar, por mais longínquo que for, uma antena parabólica capitaliza o canal e você assiste grandes atletas desfilarem em sua TV – de grátis.

Por a NFL ser uma liga segmentada, a mudança que acontecerá com a entrada na programação do Esporte Interativo vai mudar a imagem dela no país. O canal tem que perceber isto e contribuir para o crescimento qualitativo do campeonato de football. Se feito com primor, muitos vão se identificar e render audiência para o canal, meta almejada. Bom que o E+i se posiciona ciente do que representa. Tem telespectadores fiéis e gratos, por levar eventos de qualidade para pessoas que não tem acesso às TVs por assinatura. Os boyzinhos de apartamento ficam bestas e perguntam: “Mas, como assim? Como esse canal consegue arranjar tanto dinheiro?” Existe algo chamado comprometimento. Atitude que gera a verdadeira interatividade entre quem assiste e quem transmite – nada a ver com ler tweets e recados do Facebook no meio de uma transmissão.

Torcedores ranzinzas

No final de 2011, o Esporte Interativo resolveu apostar num esporte praticado em massa por estudantes brasileiros: handebol. O mundial feminino foi disputado em São Paulo e, segundo números que a emissora divulgou, atraiu 12 milhões de telespectadores. O blog da diretoria do canal, articulado por Fábio Medeiros (sócio-diretor do E+i), informou que “(…) a UFA Sports, agência alemã responsável pelos direitos de transmissão, [informou que] foram 15 milhões de espectadores em cinco países considerados potências no esporte (Dinamarca, Noruega, Espanha, Alemanha e Croácia)”. O Brasil tem uma população de 197 milhões de pessoas; os cinco países somados, têm 150 milhões de habitantes.

Dá para imaginar quantos brasileiros vão poder ter a oportunidade de acompanhar uma temporada completa da NFL, da pré-temporada ao Super Bowl?

Que o Esporte Interativo valorize suas transmissões. Que apareçam os torcedores questionando: “Por que football se é jogado com as mãos?”; “Quantos metros tem 10 jardas?”; “O que é isso, o que é aquilo?” – que as respostas sejam dadas.

E que desapareçam os torcedores ranzinzas, para não estragar o novo espaço que a NFL conquistou.

***

[João da Paz é jornalista, São Paulo, SP]

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