Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Telejornalismo brasileiro precisa de âncoras

Por Pedro Valadares em 14/08/2012 na edição 707

O seriado americano The Newsroom (criado pelo roteirista do filme A Rede Social, Aaron Sorkin) estreou no Brasil no último domingo (5/8) na HBO (assista o trailer aqui). Ele conta a história de uma equipe que tenta reformar um telejornal baseado nas áreas de economia e política e nas opiniões do âncora, Will McAvoy.

Em sua coluna na Folha de S.Paulo, Maurício Stycer analisa as experiências de âncoras no telejornalismo brasileiro. Segundo o articulista, as iniciativas não tiveram muito sucesso, apesar do pioneiro Boris Casoy ainda comentar as notícias no Jornal da Band. Stycer, no entanto, esqueceu-se de um caso recente de âncora que vem se mostrando razoavelmente promissor em minha opinião. A jornalista Raquel Sherazade, que na época trabalhava no jornal paraibano Tambaú Notícias, ganhou notoriedade depois que um vídeo seu criticando a festa de Carnaval alcançou mais de dois milhões de acessos no YouTube (assista aqui). A resposta dela à repercussão do primeiro vídeo também chegou perto da marca de um milhão de visualizações (veja aqui).

O sucesso dos comentários foi tão grande que Silvio Santos a chamou para ancorar o Jornal do SBT. As opiniões de Sherazade continuaram a ganhar projeção na internet. Três vídeos já passaram das 500 mil exibições e outros tantos de 300 mil. Dessa forma, ela consegue superar possíveis barreiras de audiência da emissora e aumentar a amplitude do seu trabalho.

Liberdade para testar novos modelos

A popularidade de diversos blogs demonstra o interesse dos leitores não só pela notícia, mas pela análise e até pela tomada de partido do articulista. Independentemente de concordarmos ou não com os argumentos de um âncora, os pontos de vista nos ajudam a formar nossa opinião.

Outro ponto importante, a meu ver, é que quando o jornalismo assume uma posição clara, ele resolve o problema da imparcialidade. Muitos pesquisadores de mídia já demonstraram a impossibilidade de realizar um noticiário neutro, tendo em vista que todo ser humano é influenciado de alguma forma. Ao tornar visível o seu posicionamento, o âncora proporciona mais clareza ao telespectador.

A popularidade de Sherazade é um indicativo de que o público aprova esse formato. Contudo, o SBT, por não ser a principal emissora do país, tem liberdade para testar novos modelos e para permitir que a jornalista expresse seus pontos de vista de forma mais incisiva. Agora, é esperar para ver se o sucesso da âncora vai influenciar as duas principais emissoras do país.

***

[Pedro Valadares é jornalista e revisor de textos, Brasília, DF]

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