Terça-feira, 23 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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A iminente volta de Hebe Camargo

Por Thiago Forato em 25/09/2012 na edição 713

No fim de 2010, em seu último programa pelo SBT, Hebe Camargo disse que tentaria apagar suas três letrinhas na testa. Foram mais de duas décadas de serviços prestados à emissora. Os últimos, no entanto, repleto de reclamações e alfinetadas. Seu programa não andava bem na audiência há pelo menos oito anos, quando começou a perder frequentemente para a Record. Mesmo com o SBT na segunda posição, que ainda ocupava de forma isolada e incontestável, Hebe Camargo já não andava bem das pernas quando os números do Ibope entravam em pauta, apesar de seu irrefutável poder de venda e consequente faturamento à emissora.

No começo de 2006, uma drástica mudança: seu programa passou a ser exibido gravado, e aos sábados. Não deu certo e, cinco meses depois, a atração já figurava nas segundas novamente, mas desde então gravado. Nada mais ao vivo. Em 2008, com a estreia de Pantanal na faixa das 22h, seu programa passou a entrar depois das 11 horas da noite, fato este que fazia Hebe reclamar de forma corriqueira e em quase toda segunda-feira pedia desculpas ao público por entrar tão tarde e detonava a própria emissora, dizendo ser um “desrespeito”. Falta de ética? Não demorou muito e o slogan “A Hebe reclamou e o SBT mudou” fez o canal passá-la para as 20h15.

Em entrevista à revista IstoÉ de agosto de 2008, Hebe mais uma vez reclamou de seu horário, dizendo que oito horas da noite era muito cedo e seu público não sabia que estava ali. Será mesmo? O SBT bombardeava sua programação com essas mudanças de horários, mas a audiência de Hebe não correspondia e ela disse: “Não sei se o SBT me quer.” Porém, seu contrato foi estendido por mais um ano.

O mesmo DNA

No fim de 2009, houve mais uma novela na renovação de seu contrato, que foi feito, com duração até dezembro de 2010 – data de seu último programa na casa. Muito se falava que ela não aceitava muito bem as reduções salariais que o SBT lhe impunha. Oras, quando o profissional passa a render mais para a empresa, querem que aumente seu ordenado e, com todo o direito, ela o concede. Mas, e quando o rendimento cai de forma drástica? Por que seus ganhos não são igualmente proporcionais? Dois pesos, duas medidas!

Nos seus últimos anos de SBT, faltou um pouco de ética a Hebe Camargo. Ética esta que faltou também em sua passagem pela RedeTV!, por exemplo, quando no programa O Maior Brasileiro de Todos os Tempos cutucou a emissora publicamente ao dizer que Silvio Santos jamais atrasou o pagamento de seus funcionários, em clara referência a sua já ex-emissora, que lhe devia alguns meses. E quando estava no SBT, o cutucava da mesma maneira, por outros motivos.

Mas, por toda história de Hebe Camargo e pela entidade que se tornou, só posso desejar uma excelente volta à sua “casa”, embora tenha tido seus tropeços éticos com o lugar que sempre lhe acolheu. Inegavelmente, Hebe e SBT têm o mesmo DNA.

***

[Thiago Forato é jornalista, Ribeirão Preto, SP]

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