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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1001
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O fiasco do SBT e a supremacia da TV Globo

Por Jaiane Valentim em 30/10/2012 na edição 718

O segundo turno da eleição para a prefeitura de São Paulo, entre os candidatos Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB), tinha tudo para ajudar o SBT a fugir do convencional e trazer inovação para a sua grade. Em parceria com o portal UOL, o SBT pode, enfim, promover, pela primeira vez em todos os seus 30 anos, um debate político. E a emissora jogou fora a oportunidade de mostrar que sabe fazer algo de qualidade.

O debate ocorreu na quarta-feira (24/10) e foi comandando pelo jornalista Carlos Nascimento. O horário escolhido foi o das 18h15, substituindo a atração Chaves. A escolha desta faixa deve-se ao horário convencional de debates, que seria às 22h., ser o horário do futebol na TV Globo. O SBT fugiu do embate com o futebol, mas acabou por jogar no lixo, como já dito, uma grande oportunidade. A começar pela falta de marketing em divulgar o debate. Com o pouco conhecimento do público, e juntamente com a falta de interesse das pessoas em relação à política, a discussão de propostas para a cidade de São Paulo registrou apenas 6 pontos de audiência (cada ponto equivale a 60 mil televisores ligados) e trouxe a emissora apenas o quarto lugar na classificação pela audiência, atrás de Globo, Record e Band.

Não bastasse o fraco índice registrado, a atração perdeu até para Chaves que, neste mesmo horário, marca 8 pontos. Como já dizia Carlos Nascimento: “nós já fomos mais inteligentes“.

O debate

Se o SBT tivesse sido um pouco mais eficiente em sua divulgação, talvez os paulistanos ganhassem em conteúdo político. Farpas trocadas pelos dois candidatos foram interessantes, embora o debate tenha ficado marcado mais pelo “a gente fez” do que o “nós vamos fazer”.

De um lado, Fernando Haddad defendendo-se como o melhor Ministro da Educação da história; de outro, José Serra falando sobre as “inúmeras melhorias” que já fez na saúde. Muita discussão para defender o próprio peixe com o já feito do que com propostas para a cidade de São Paulo.

Um formato de debate quadrado. O básico “pergunta-reposta-réplica-tréplica”. Criatividade zero! Em relação à postura dos candidatos, Haddad demonstrou-se praticamente um robô: parecia ter decorado as respostas. Enquanto Serra falava todo bem articulado. Esse tipo de coisa passa despercebido ao eleitor popular, mas quer dizer muito se for analisado mais a fundo. Como foi adotado pela CNN, entre os candidatos Obama e Romney, onde uma especialista em linguagem corporal ponderou as expressões faciais e gestuais dos dois candidatos.

A poderosa TV Globo

Enquanto o SBT marcou apenas 6 pontos de audiência com Haddad e Serra, a TV Globo mais do que dobrou esse número. O debate realizado pela emissora do “plim-plim”, na sexta-feira (26/10), fechou com média de 22.4 pontos. Isso se deve nada mais, nada menos, do que a divulgação realizada durante sua a programação. Nada boba, a Globo inseriu a chamada para o debate em cada intervalo de Salve Jorge (nova novela das 21h) e também nos intervalos de Gabriela e Amor e Sexo, na quinta-feira (25/10); ou seja, buscando atingir o seu maior público: o do horário nobre. E conseguiu!

A Globo, também nada de diferente fez do formato apresentado pelo SBT. Comandando pelo jornalista César Tralli, a discussão de “ideias” entre Haddad e Serra ficou marcada pelo respeito mútuo, embora uma farpa ou outra fosse trocada uma vez aqui outra ali.

Notou-se uma postura diferente do candidato do PT que, ao defender suas ideias, gesticulava mais e passava muita consciência do que estava falando e, consequentemente, muito mais naturalidade. Os assessores do petista devem ter dado umas aulas para Haddad ser mais “natural”. Mas, isso não foi tão bom assim. Muitas vezes, essa “naturalidade” de Haddad acabou transformando-se em arrogância.

Em dois programas praticamente iguais, com “conteúdos” praticamente iguais, fica claro que a Globo sabe fazer bem feito. Sabe atrair o público. Enquanto o SBT, é, já foi mais inteligente…

***

[Jaiane Valentim é jornalista, Diadema, SP]

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