Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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Um novo príncipe eletrônico?

Por Gabriel Leão em 30/10/2012 na edição 718

“Cria-se o príncipe eletrônico, que simultaneamente subordina, recria, absorve ou simplesmente ultrapassa os outros.” Assim definiu o sociólogo Octavio Ianni o príncipe contemporâneo, que não é só um homem ou mesmo partido político, mas pode ser visto como um grupo de poder atuando em diversas esferas.

O empresário bilionário Eike Batista tem sido noticiado nas últimas semanas como tendo interesse na aquisição de duas emissoras televisivas, a Rede TV! e o SBT (Sistema Brasileiro de Televisão). Como aliados apareceram nos noticiários Boni e Rupert Murdoch, o brasileiro negou qualquer movimento. Ambos possuem as capacidades esperadas de um ministro, conforme os estudos de Maquiavel – também em seus ambientes são príncipes.

Conforme cadernos econômicos, Batista enfrenta uma crise na petrolífera OGX e na holding EBX, nas quais estão as bases de seu capital, energia e infraestrutura. Entretanto, impérios atravessam crises em sua história e buscam meios de não perecer ou serem absorvidos por outros. “Um dos segredos do príncipe eletrônico é atuar diretamente no nível do virtual”, explica Ianni. Batista já é uma liderança internacional e a aquisição de um grupo de mídia o potencializaria. Entretanto, é um novo terreno.

Heróis, deuses e semideuses

Com tal poderio, o empresário, que já figura no star system internacional, aumentaria o príncipe eletrônico olimpiano que há nele, ganhando até mesmo as forças de um semideus. Virtuais onipresença, onipotência e onisciência, portanto atingindo um poder que poucos possuem. “Os campos de batalha modernos são mais extensos do que os campos de batalha antigos, o que obriga ao estudo de um maior campo de batalha. É preciso muito mais experiência e gênio militar para comandar um exército moderno do que era preciso para comandar um exército antigo”, definiu o imperador francês Napoleão Bonaparte, uma das principais mentes da estratégia bélica.

Para adentrar este terreno, Batista necessitaria dos conhecimentos de um bom capitão e de um bom ministro. “Como empresário, olho tudo. Não tenho expertise na área, mas posso contratar quem tem. É um interesse real meu”, teria dito ao portal Glamurama em encontro no Rio de Janeiro no mês passado nas dependências do restaurante Mr. Lam, de sua propriedade.

Em seu ser, Eike Batista possui a natureza do animal político, um homem envolvido em um jogo de poder de soma zero na qual enfrenta muitos rivais em uma vida desgastante de pouco descanso, apesar de ser visto pela população geral como um habitante do Éden que é muito diferente do Olimpo. Assim como os heróis, deuses e semideuses da mitologia moderna, seus atos influenciam incontáveis vidas.

***

[Gabriel Leão é jornalista, São Paulo, SP]

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