Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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Interesses escusos e transmissão exclusiva

Por João da Paz em 22/01/2013 na edição 730

O canal Esporte Interativo começa o ano de 2013 transmitindo o Campeonato do Nordeste de futebol, que mobiliza toda a região e desfruta de uma popularidade ímpar. Constantemente ao longo da programação a emissora veicula propaganda da Claro TV, operadora de TV por assinatura que transmite todos as partidas do torneio. Quando os jogos iniciaram no sábado (19/1) deu para entender o motivo dessa parceria.

Tirando a Claro TV, nenhuma operadora que tem o canal disponível teve um jogo sequer transmitido, deixando telespectadores de todo o Brasil ao léu, uma atitude de desrespeito para agradar interesses comerciais. O canal, que é de sinal aberto via antenas parabólicas e UHF, cortou os jogos do campeonato das operadoras rivais à Claro TV e incentiva agressivamente que os telespectadores assinem a Claro TV para ter a oportunidade de acompanhar o chamado Nordestão.

Não bastam as propagandas contínuas pró Claro TV. Foi criada uma linha de atendimento exclusiva para essa campanha publicitária, um número de telefone diferente do usual utilizado pela operadora, deixando a entender que uma comissão deve ser dada ao canal se novos assinantes firmarem contratos pela campanha, podendo a quantidade ser monitorada.

A ideia absurda

Acordo de exclusividade não é ilegal, porém atinge a imoralidade se para tanto outros telespectadores do próprio canal são preteridos. A emissora mostra pouca preocupação pela audiência que tem, colocando interesses comerciais (dinheiro) acima do público. Esse problema é simples de ser resolvido – ainda há tempo. O Esporte Interativo transmite um jogo por rodada do Nordestão no sinal via parabólica e esse poderia ser retransmitido simultaneamente em todas as operadoras que possuem o canal na grade de programação. Assim a Claro TV ficava com os restantes três jogos por rodada de forma exclusiva. Maneira que não privaria outros. É estranho um canal que proclama pelos quatro cantos a operação que faz ser uma emissora esportiva de sinal aberto 24 horas no ar e “forçar” telespectadores a assinar com uma operadora de TV por assinatura para ter jogos que conseguiu adquirir os direitos.

Houve casos na história da TV por assinatura no Brasil que canais esportivos eram exclusivos de algumas operadoras, mas nada nesse nível baixo de restringir uma competição. Na década de 90 o SporTV era apenas transmitido pela Globosat/Net e Sky (mesmo caso da rede de filmes Telecine, enquanto a ESPN Brasil fazia parte da TVA e DirecTV (semelhante à rede HBO). Depois essas exclusividades foram desfeitas e todas as operadoras passaram a ter os canais disponíveis, alguns com uma taxa extra de obtenção, mas dentro da normalidade.

Quem sabe a emissora usa a interatividade que está em seu nome e note a reação dos telespectadores desprezados. Um jogo transmitido por rodada sanaria a ira. Revolta que tem todo o sentido; e bem simples de ser solucionada. Daria fim a essa equivocada e absurda ideia de exclusividade, que privilegia unicamente o departamento financeiro do canal.

Nota: O sócio-diretor do Esporte Interativo, Fábio Medeiros, foi questionado se as operadoras OI TV, Vivo TV e GVT não transmitem o Nordestão porque não optaram por mostrar todos os jogos. Será que a emissora ofereceu um acordo alternativo para elas? Por meio da conta no Twitter oficial do canal, é dito que essas operadoras não demonstraram interesse na competição.

***

[João da Paz é jornalista, São Paulo, SP]

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