Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1037
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‘Talk show’ exige preparo; Jô, às vezes, demonstra cansaço

Por Mauricio Stycer em 05/03/2013 na edição 736

Alguns entrevistados rendem mais, outros menos, diz o senso comum no esforço de explicar a irregularidade dos “talk shows”. A explicação não convence o fã do gênero, hoje com acesso, via TV paga e internet, a mais de uma dezena de programas diários com formato quase idêntico.

O que diferencia e dá sabor a estes programas é o entrevistador, não importa quem esteja sentado diante dele. Famoso ou anônimo, extrovertido ou tímido, nada disso importa se o mestre de cerimônias está bem preparado e tem o que dizer para provocar o seu entrevistado.

Pesa sobre Jô Soares, e também sobre seus “concorrentes” (Danilo Gentili e Luciana Gimenez), a sensação de que muitas vezes não se preparam adequadamente para o encontro que terão com os seus convidados.

Creio ser este o pecado capital num tipo de programa que, como o nome diz, é uma mistura de conversa com show. O público espera informação e diversão.

Não importa, como repete-se muito sobre Jô, se ele fala mais do que seus entrevistados, ou se é exibido. Não vejo isso como problemas.

Incomoda quando o entrevistador não tem nada de interessante a dizer ou se ele se repete. Não demonstra estar, de fato, curioso sobre o que pode acontecer no encontro com o convidado.

Não é sempre necessário -como fez Oprah Winfrey ao entrevistar Lance Armstrong- ter 112 questões preparadas. Aquele foi um caso excepcional, uma entrevista com um herói nacional exposto por causa de doping.

Mas não convém subestimar entrevistados. Não sei se por cansaço, no caso de Jô, ou por arrogância, frequentemente vejo conversas na televisão brasileira que parecem conduzidas com o objetivo de simplesmente preencher o tempo.

Pior, às vezes, como ocorreu com Marília Gabriela diante do pastor Silas Malafaia, no SBT, a surpresa ou o desconhecimento podem levar a embates rudes, que acabam resultando desfavoráveis a quem se coloca na posição de questionador.

Inspirado no modelo americano, o “talk show” nacional deveria importar também a poção milagrosa que deixa apresentadores como David Letterman, há 30 anos fazendo a mesma coisa, com energia, bom humor, curiosidade e raciocínio rápido.

***

[Mauricio Stycer é colunista da Folha de S.Paulo]

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