Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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Após gastos irresponsáveis, a conta chegou

Por Thiago Forato em 04/06/2013 na edição 749

Desde 2004, com o slogan “Rumo à liderança”, a Record tem investido pesado para seu maior objetivo desde então: ultrapassar a Globo na audiência. A emissora dos bispos levou a ideia a sério e partiu rumo à contratações de autores, redatores, equipe técnica, que pudessem fazer bons produtos e concorrer com a emissora carioca. Dar uma nova cara à programação.

O primeiro investimento no setor, a novela A Escrava Isaura, trouxe a vice-liderança no horário (19h) e a esperança de um futuro promissor. A Record tinha o respaldo de sua maior cliente, a Igreja Universal do Reino de Deus, que compra a rodo seus horários nas madrugadas. Silvio Santos disse em 2006 que a Record estava “investindo errado” e bufou para a concorrente. Pouco tempo depois, viu o SBT perder a vice-liderança de camarote após 25 anos no segundo lugar absoluto.

O tempo passou, a Record continuava a investir fortunas em novelas e jornalismo e outras contratações com cifras estratosféricas, como a de Gugu Liberato, em meados de 2009, oferecendo-lhe um salário de R$ 3 milhões mensais. A ideia era esvaziar o dia mais forte da concorrente e tirar o pupilo de Silvio Santos. Muitos o consideravam seu natural sucessor. O Domingo Legal, mesmo em meio à crise no SBT, sempre sobreviveu muito bem, sendo por vezes uma ilha na emissora.

Disputa nivelada

A conta chegou. E agora a Record sofre as consequências de gastos irresponsáveis que culminaram em demissões em massa nos últimos tempos e atingiram toda a rede. A emissora dos bispos gastou um grande montante para ultrapassar o SBT e o fez com muita dificuldade, mesmo com a emissora da Anhanguera dando seus deslizes e outro grande montante para passar a Globo. Fato este que não aconteceu. Promessas não faltaram de que a Record, em 2013, seria a líder absoluta de audiência no país. Deu com os burros n’água.

A tendência é que agora com essa crise é o natural nivelamento da concorrência entre SBT e Record. Essa disputa acirrada acontece há alguns anos e vai permanecer assim. Não veremos mais aquela “líder absoluta do segundo lugar” como foi o SBT nos anos 80, 90 e começo dos 2000.

Gugu é o culpado? Há poucos dias, houve uma notícia na imprensa de que o salário de Gugu pagaria 600 funcionários na emissora. Pagaria, mas é uma covardia jogar a responsabilidade da crise em cima dele. Gugu teve uma proposta irrecusável da Record há quatro anos, e como profissional que é, analisou e aceitou. Ele não tem nenhuma culpa dos devaneios de quem paga seu salário e da quantia que lhe foi oferecida.

A terceirização na programação da Record, que vêm sendo falada há algumas semanas, sempre funcionou muito bem na televisão estadunidense. A Casablanca, que tem história na emissora, como a produção do fiasco Metamorphoses, é a mais cotada para assumir a realização de O Melhor do Brasil, Legendários, O Aprendiz e O Programa do Gugu. Essa mudança vai ser no mínimo curiosa. A terceirização, bem ou mal, seria uma revolução (bem ou mal) e é curioso saber como o mercado e público vão reagir.

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Thiago Forato é jornalista, Ribeirão Preto, SP

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