Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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Programação pode vir sem intervalos

Por Peter Burrows e Andy Fixmer em 23/07/2013 na edição 756

A Apple está desenvolvendo uma tecnologia para que os proprietários dos decodificadores de sua Apple TV possam assistir programas sem ver comerciais, segundo pessoas a par do assunto. Executivos da Apple expuseram suas ideias a pelo menos dois proprietários de redes de televisão aberta e de canais via cabo, assim como a alguns dos maiores sistemas de TV por assinatura nos Estados Unidos, disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas. Segundo essas pessoas, uma proposta prevê que a Apple reembolse as emissoras pelos anúncios que forem ignorados.

A empresa está procurando desenvolver produtos de TV com apelo mais amplo do que os oferecidos via Apple TV, que consiste em um decodificador adquirido por 13 milhões de consumidores. Durante a conferência “D: All Things Digital”, realizada em maio, o presidente da Apple, Tim Cook, afirmou que a Apple TV é mais apropriada para “hobbyistas” do que para os telespectadores tradicionais. A Apple continua a trabalhar no desenvolvimento de uma “grande ideia” para atualizar a experiência de assistir televisão, algo que continua “muito parecido com 10 ou 20 anos” atrás, disse Cook. Jessica Lessin, jornalista que cobre a área de tecnologia, informou no último dia 15 que a Apple estava trabalhando na tecnologia “pula anúncios”. Como o faturamento de publicidade é o responsável pela maior parte de suas receitas, as redes de televisão comerciais têm se oposto à tecnologia.

Em março de 2012, a Dish Network introduziu o recurso “pula anúncios” no decodificador Hopper TV que dá acesso à sua programação de TV. A 21st Century Fox, a NBCUniversal, controlada pela Comcast, e a CBS estão processando a Dish, alegando que o serviço irá destruir as transmissões de TV aberta no horário nobre. A Dish abriu um processo em Nova York contra as redes, na tentativa de obter uma decisão judicial que indique que ela não está infringindo direitos autorais.

Acordo com a Time Warner

Segundo uma pesquisa, quase três quartos dos consumidores citaram a possibilidade de pular os comerciais como a principal razão para usar um gravador de vídeo digital, segundo a Motorola Mobility, pertencente ao Google, em seu relatório anual “Media Egagement Barometer”, divulgado em 19 de março.

A Apple também tem trabalhado com o objetivo de obter o licenciamento de mais conteúdo para as pessoas assistirem via Apple TV. Em junho, a empresa anunciou ter firmado acordos para oferecer aplicativos da HBO (da Time Warner) e da ESPN (da Walt Disney), a clientes que já recebem esses canais de TV paga via cabo ou via satélite.

A fabricante de iPhones e iPods também está em contato com serviços de cabo, que compram conteúdo de empresas de mídia como a Disney. A Apple está próxima de um acordo com a Time Warner Cable que permitirá aos assinantes do sistema via cabo assistir canais na Apple TV, fontes disseram à Bloomberg. As empresas planejam anunciar um acordo dentro dos próximos meses, afirmaram.

Licenciamento de conteúdo

Acessar conteúdo da internet em aparelhos de TV se tornou comum desde que a Apple introduziu a Apple TV, em 2007. De acordo com o Leichtman Research Group, 44% das famílias americanas têm um televisor conectado à internet por meio de um console de videogame, de um leitor de Blu-ray ou de aparelhos para streaming da Roku e da Apple TV. Esse percentual é superior aos 38% registrado um ano atrás, disse a firma de pesquisas.

E vem aí mais concorrência. A Intel, maior fabricante mundial de microprocessadores, planeja até o final do ano começar a vender um decodificador que disponibilizará serviços de TV baseados na Web.

O Google também manteve discussões com companhias de mídia sobre o licenciamento de conteúdo para um serviço de TV via internet, disseram ontem pessoas com conhecimento do assunto. A notícia foi publicada anteriormente pela Dow Jones. As ações da Apple, sediada em Cupertino, Califórnia, caíram 19% este ano até terça-feira.

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Peter Burrows e Andy Fixmer, da Bloomberg, de Los Angeles e San Francisco

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