Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

TV EM QUESTãO > ENTREVISTA / TIAGO WORCMAN

A nova voz da MTV

Por Cristina Padiglione em 06/08/2013 na edição 758
Reproduzido do blog da autora, 4/8/2013

Ainda tomando pé da situação que o levou a mudar de canal após sete anos, Tiago Worcman conversou com esta colunista para entrevista que estampa uma página do Caderno 2, hoje [domingo, 4/8], no Estado de S.Paulo. Segue aqui uma versão ligeiramente estendida da publicação no Estadão impresso.

Ex-diretor de programação do canal GNT, Tiago conversou comigo na sexta-feira, quinto dia de expediente como dono de um cargo cuja nomenclatura já ocupa mais de uma linha: “vice-presidente de Conteúdo e Programação e Brand Manager da MTV no País”. Repare que a emissora, até aqui conhecida como MTV Brasil, passará a ser tratada como “MTV no Brasil”, até ser finalmente chamada como MTV e só.

A partir de 1º de outubro, a MTV que você conhece como MTV Brasil passa a ser um canal pago e deixa o Grupo Abril, que o administrou desde a sua estreia no Brasil, há 23 anos, indo para as mãos da Viacom, dona da marca no mundo todo e de mais três canais que operam no País: Nickelodeon, VH1 e Comedy Central.

A música permanece como um dos pilares da nova emissora, mas a grade reserva espaço para séries de ficção, reality shows, programa diário nacional de uma hora e animações comoSouth Park, hoje no ar pelo canal VH1.

A promessa de produção nacional para o primeiro ano soma 350 horas. Nesse pacote incluem-se duas versões nacionais para programas da MTV gringa – o Catfish, calçado no poder das mídias digitais, e Guy Code X Girl Code, focado em comportamento de meninos e meninas.

Na troca de comando, a MTV perde o charmoso quarteirão do Sumaré, deixando o prédio histórico da TV Tupi e a simpática vizinhança da padaria Real, para ganhar os domínios do bairro da Água Branca. Na nova estrutura, não cabem, pelo menos neste momento, estúdios próprios. A ideia é gravar tudo fora, em espaços terceirizados.

Pai de José, de 5 anos, filho da atriz Carolina Dieckmann, com quem é casado, Worcman vem frequentando a ponte aérea e conta que teve todo apoio da família para trocar o Rio por São Paulo, do canal GNT à MTV. Carioca, tem por hábito começar cada resposta com um “caaaara”, assim mesmo, demorando-se no primeiro “a”. É um típico exemplar do público que cresceu vendo a MTV e agora se diz feliz em poder cuidar de referência tão relevante para sua formação.

Aqui vai um resumo da nossa conversa.

A nova MTV se anuncia como um canal para a geração ‘millenial’. Quem é esse público?

Tiago Worcman – Nosso target vai de 15 a 30 anos. Os millennials, segundo dados científicos, vão de 9 a 30 anos, mas a gente dá esse recorte porque a Nick alcança até os 12 anos. A ideia é que o público, assim que deixar de ver a Nick, veja a MTV, e depois dos 30, o VH1.

Como criar uma nova MTV sem afastar o público do canal?

T.W. – É um desafio enorme. É uma nova MTV. A marca sempre foi referência para os jovens e a gente quer manter o olho no olho, nunca ser uma referência de cima para baixo: esse continua a ser nosso foco. É amigo, não é pra ditar regra.

Baby do Brasil e Gal Costa, alvos de shows recentes da MTV Brasil, seriam atrações para o VH1 ou para esta nova MTV?

T.W. – Eu fui ao show que a Baby fez no Rio, com o filho dela, e estava cheio de molecada. Existe um espírito jovem em certas pessoas. Não te afirmo que não teremos Baby no nosso canal. O Mick Jagger tem fãs de 10 anos, o meu filho agora está curtindo Michael Jackson.

A gente poderia então dizer que MTV e VH1 são complementares, não necessariamente divergentes?

T.W. – Exatamente.

Ainda há espaço para videoclipe hoje, com tamanha oferta na web?

T.W. – A música faz parte do DNA da MTV. A forma em que ela vai estar, a gente ainda não alinhou.

E a comédia, que também é um pilar forte da MTV atual?

T.W. – Comédia fica no (canal) Comedy Central. A pegada da nossa MTV é entreter. Humor, graça e leveza fazem parte do canal, mas stand up é no Comedy, que é muito forte nisso.

O novo canal tem restrições em relação a programas ou talentos que estão no ar na MTV? Algum programa será mantido?

T.W. – esse momento não. A gente está buscando os melhores profissionais do mercado. Com a mudança, a MTV vem para o prédio da Viacom (no bairro da Água Branca) e 40 pessoas estão sendo contratadas. Os VJs na MTV são muito a cara do canal. A MTV Brasil sempre teve essa preocupação de ter uma cara, pessoas representando o canal.

É uma ruptura?

T.W. – Não tá fechado, não existe isso de ‘talentos MTV não são aceitos aqui’. Mas eles teriam que se reinventar, trazer coisas novas. Tem um investimento enorme em programação, 350 horas de produções nacionais para o primeiro ano e produções bem-sucedidas da MTV no mundo todo, com foco muito brasileiro. A gente chama de glocal: um canal global, com identidade local.

O que se pode esperar de conteúdo nessa nova MTV?

T.W. – Teremos um programa diário forte, que não é jornalístico nem ao vivo, mas vai esquentar o canal, vai trazer muita gente, talentos internacionais e nacionais, é o nosso respiro, a nossa movimentação mais forte no sentido de mostrar a cara no dia a dia.

Mas o programa estará atrelado a uma agenda cultural ou pode ter assuntos variados? Por exemplo, nesse momento de manifestações, ele poderia receber os meninos do Movimento do Passe Livre?

T.W. – Com certeza. Não é agenda cultural. Hoje, a internet já cumpre esse papel, não temos a obrigação de levar a banda que está chegando ao Brasil.

Teremos séries de ficção?

T.W. – Sem dúvida. A gente tá preocupado em adquirir séries fortes, séries internacionais. Não tem a preocupação de ser um canal de séries ou de música. O millenial hoje é pluralista. Teremos reality shows, documentários, biografias musicais, séries de ficção e animação, que é importante também.

‘South Park’, hoje no VH1, pode mudar de canal?

T.W. – Há muita chance. Não sabemos ainda se ele vem para cá ou ficará nos dois canais. Também teremos uma versão nacional doCatfish em 2014. É uma combinação bacana e só é possível com a MTV estando na Viacom. É uma experiência bem-sucedida nos Estados Unidos e brasileiro é muito digital. Também vamos produzir uma versão brasileira do Guy Code X Girl Code, que deve ganhar um título nacional, sobre os comportamentos masculino e feminino, com perguntas e uma série de depoimentos.

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Cristina Padiglione é colunista do Estado de S.Paulo

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