Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

TV EM QUESTãO > IBC 2013

Pouco espaço para canais de nicho na TV aberta

Por Fernando Lauterjung em 17/09/2013 na edição 764
Reproduzido do Tela Viva News, 15/9/2013; título original “No futuro, pode não haver espaço para canais de nicho na TV aberta, diz Globo”

Segundo o diretor de tecnologia da TV Globo, Fernando Bittencourt, no futuro não haverá mais espaço para canais de nicho na TV aberta. O executivo propôs, em um painel na International Broadcasting Convention (IBC 2013), em Amsterdã, que estes canais deixem a TV aberta, liberando espaço não apenas para os serviços móveis, mas para a própria radiodifusão, que, segundo ele, precisa de banda para oferecer serviços mais avançados, como as transmissões em 4K. “Aqueles com menos audiência deveriam ir para outras plataformas, liberando espaço para os mais importantes”, disse durante o debate.

A este noticiário, o diretor de tecnologia da TV Globo afirmou que a ideia lançada é para o longo prazo, quando as outras plataformas de distribuição tiverem alcance suficiente para garantir a distribuição desses canais. Como exemplo de um processo eficiente de liberação de espectro, Bittencourt cita o realizado nos Estados Unidos, onde os broadcasters podem leiloar seu espectro ou parte dele. Desta forma, as empresas podem optar por deixar o mercado (ou apenas a plataforma de TV aberta) ou ainda dividir uma frequência com outra emissora, fazendo multiprogramação em standard definition.

Ignorados

Segundo Bittencourt a UIT e governos de todo o mundo estão ignorando a radiodifusão na discussão sobre a liberação de espectro para o serviço de banda larga móvel 4G. “Haverão mudanças irreversíveis no modelo do broadcast, a não ser que os reguladores, incluindo a UIT, comecem a dialogar com o setor”, disse Bittencourt. “Não estou dizendo que as empresas de radiodifusão vão desaparecer, mas podem ter de migrar para outras plataformas”, complementou.

No mesmo painel, Katherine Wen, diretora de plataformas de TV da emissora comercial britânica ITV, afirmou que as próprias telcos podem sofrer consequências negativas desta disputa por espectro. “Elas estão minando a indústria que produz o conteúdo mais relevante que alimenta suas redes de dados”, disse.

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BBC Worldwide tem operação lucrativa no Youtube

Há uma disputa pela atenção da geração conectada e, embora a televisão ainda detenha a maior fatia da audiência e do bolo publicitário, grupos de mídia preparam os seus negócios para atender as demandas desta geração,atuando em outras plataformas. Segundo o chief digital officer da BBC Worldwide, Dan Heaf, em debate no IBC 2013, em Amsterdã, o online se tornou parte do sistema de janelas que funciona há décadas para a a televisão. Mas os grupos ainda precisam aprender a lidar com o comportamento da audiência nesta plataforma, que muitas vezes se movimenta pela navegação online e sistemas de sugestão, e não pelos esforços de divulgação de um canal. Mesmo assim, garante Heaf, a BBC Worldwide tem um negócio lucrativo em sua operação com o Youtube, com 45 milhões de views por mês. “Se eu trocaria meu lucro no Youtube pelo lucro gerado nos canais tradicionais? Claro que não”, diz.

Para Nick Cohen, sócio da Mediacom Beyond Advertising, o mais importante para a indústria da televisão neste momento é se a sua fatia do bolo publicitário vai encolher ou não. Para ele, a tendência é que encolha. “Há dez anos, a mídia tradicional detinha o espaço para classificados e agora o Google detém este espaço sozinho”, disse Cohen. “O Google tem um grupo formidável de pessoas trabalhando para pegar o dinheiro que hoje vai para a televisão”, completou.

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Fernando Lauterjung, do Tela Viva News, em Amsterdã

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