Segunda-feira, 26 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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As mudanças de linguagem e a busca por audiência

Por Ana Carolina Contato em 28/01/2014 na edição 783

Pensar o telejornalismo no Brasil significa, ainda hoje, refletir acerca do principal meio de informação dos brasileiros. O barateamento dos serviços de internet de terceira geração (3G) e a expansão de celulares com acesso à rede são fatores de impulsão para que a televisão divida público com o novo meio – pesquisa da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) apontou que o serviço de banda larga cresceu 37% de 2012 para 2013 [pesquisa divulgada em 2013 e publicada no jornal Folha de Londrina na editoria “Folha Economia” de 2 de julho de 2013].

Entretanto, pesquisa Ibope de 2012 apontou que 43% das pessoas que navegam na internet assistem à TV ao mesmo tempo, o que mostra que a televisão é parte integrante da cultura brasileira e continua a exercer seu papel de entreter e informar. Obviamente, os empresários de telecomunicação não estão alheios à nova tendência e, cada vez mais, as emissoras lançam mão de novos recursos para atrair audiência.

Em meio à variedade de opções comunicativas de que dispõe o cidadão, seguramente as redes sociais têm desempenhado um papel que há até pouco tempo era da televisão: os processos de mediação estão cedendo cada vez mais espaço à comunicação direta e o jornalismo colaborativo dá autonomia ao cidadão que passa a ser produtor e consumidor de informação.

Inovação deve ser constante

Tendo esse horizonte muito claramente delineado diante de si, os profissionais de televisão buscam novos modos de produzir e transmitir notícias e a atração de audiência surge por meio de dois caminhos: a incorporação das novas tecnologias e a regionalização de pautas. A primeira opção começou a ser utilizada ainda no início do novo milênio, quando o apresentador Paulo Henrique Amorim, do Jornal da Record – 2ª Edição passou a fazer uso da internet para dar informações em tempo real, recurso que passou a ser paulatinamente incorporado pelas demais emissoras.

Já a regionalização vem se mostrando eficiente, pois, como acredita Dominique Wolton, a TV funciona como um laço que une indivíduos cada vez mais isolados no espaço sociocultural. Portanto, ver o mundo talvez deva ser deixado em segundo plano, em favor de um noticiário que privilegie os vínculos locais dos telespectadores, como acredita a jornalista Ana Cristina Vallada [jornalista da TV Globo, em entrevista concedida à autora em 15 de janeiro de 2014]:

“A regionalização é mais que uma tendência, é um fato. Todas as emissoras têm pelo menos uma parte da programação regional. É essa programação que a aproxima o telespectador, que faz ele se identificar com o telejornal. Os assuntos nacionais são importantes, mas não acredito que eles fidelizem tanto a audiência como já aconteceu no passado.”

Como dito anteriormente, tais tentativas são apenas tendências que se mostraram eficazes até o momento. Entretanto, em uma sociedade cada vez mais a par de novas tecnologias – especialmente de comunicação –, o telejornalismo não pode permanecer estagnado e a inovação deve ser a única constante em sua rotina produtiva.

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Ana Carolina Contato é jornalista e mestranda em Comunicação, Londrina, PR

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