Domingo, 25 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

TV EM QUESTãO > TV & TWITTER

Realidade paralela

Por Mauricio Stycer em 11/03/2014 na edição 789
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 9/3/2014; intertítulo do OI

Um dos meus programas preferidos no Carnaval é assistir à cobertura que a RedeTV! faz dos desfiles e bailes de Carnaval, em São Paulo e no Rio.

A emissora costuma escalar para a frente de batalha subcelebridades sem traquejo para a função de reportagem, mas enorme cara de pau para fazer perguntas inconvenientes e dizer bobagens.

Oscilando entre o deboche, o escracho, a piada e a infâmia, a cobertura da RedeTV! produz momentos de muito constrangimento, mas também de bastante diversão, em contraste com a monótona apresentação dos desfiles da escolas de samba que a Globo exibe no mesmo horário.

Este ano, infelizmente, não consegui assistir ao evento que costuma ser o “grand finale” do Carnaval da emissora paulista: a transmissão de um baile gay no Rio. Tive o cuidado, porém, de gravar o programa, e o vi algumas horas depois. Para minha surpresa, não achei graça nenhuma.

Só neste momento me dei conta de algo óbvio: já não consigo ver alguns programas de televisão sem trocar ideias e opiniões com outras pessoas no Twitter.

No caso de atrações “trash”, como a cobertura de Carnaval da RedeTV!, a experiência de ver sozinho explicitou como certos programas se tornam muito melhores do que são, na realidade, quando tenho a oportunidade de acompanhá-los na companhia de outros espectadores.

Não estou sozinho nessa, como mostram os números divulgados pelo Twitter sobre o impacto que a transmissão da cerimônia de entrega do Oscar teve na rede social. Segundo a empresa, foram feitos 19,1 milhões de comentários durante o programa, que durou três horas e meia.

Essas tuitadas foram postadas por cerca de 5 milhões de usuários e vistas, nos cálculos do Twitter, por 37 milhões de pessoas. Segundo dados do instituto Nielsen, 43 milhões de pessoas assistiram ao Oscar pela TV, nos Estados Unidos, a maior audiência de um programa não esportivo desde 2004, quando parte do país se fixou diante da TV para ver o último episódio de “Friends”.

Como catapora

O número de usuários ativos do Twitter no Brasil não é conhecido, mas está longe de ter a importância que, aparentemente, demonstra nos EUA. A lista dos programas de TV mais comentados na rede social frequentemente não tem relação alguma com os números de audiência apresentados pelo Ibope.

Em outras palavras, por aqui, a popularidade de um determinado programa no Twitter está longe de ser sinônimo de um campeão de audiência, mas é um indicador dos humores de uma parcela, conectada, do público.

A chamada experiência da “segunda tela” é mais animada durante eventos ao vivo, como shows ou partidas de futebol, mas também é bastante divertida durante a exibição de programas gravados que contam com grande audiência, como novelas, por exemplo.

É curioso, neste sentido, observar que “Em Família”, a atual novela das 21h, da Globo, o programa mais assistido da televisão brasileira, raramente aparece entre os dez tópicos mais comentados no Twitter.

Os usuários da rede social parecem ter pouco a dizer, bem ou mal, sobre a trama de Manoel Carlos. Em números absolutos, como disse, eles representam pouco, mas podem ser um termômetro. Como gosta de falar Silvio de Abreu, “novela só tem sentido se pegar que nem catapora”.

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Mauricio Stycer, da Folha de S.Paulo

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